Praticamente 5 anos depois de ter embarcado rumo a Cesena (Universidade de Bolonha, Itália), esse programa continua a ter impacto em mim, tanto na vertente pessoal como na vertente profissional. Profissionalmente, o ERASMUS deu-me um desafio para agarrar naquele que seria o meu futuro mestrado, abriu-me portas para estágio profissional e possibilitou-me novos projetos de apresentações e posters. Pessoalmente, o ERASMUS permitiu-me crescer, ser mais independente, conhecer-me melhor e entender o mundo de outra forma.

Mesmo sendo impossível resumir uma experiência destas em 25 pontos, este é o resultado dessa tarefa complicada:



  1. Viver com pessoas de Itália fez com que eu aprendesse coisas em italiano que não eram
    ensinadas nas aulas de italiano para estrangeiros.
  2. Viver com pessoas de Itália era o equilíbrio perfeito entre o chegar a casa durante a semana e
    partilhar o dia-a-dia com as colegas de casa e, noutras vezes, passar o fim de semana sozinha e
    sossegada pois as colegas iam para a terrinha delas.
  3. Quando tudo é novo e quando tudo são aprendizagens, as saudades têm um sabor menos
    amargo.
  4. Ir é mais fácil do que voltar. Vamos com esperança, voltamos diferentes, e o que cá ficou nem
    sempre cresceu como nós crescemos.
  5. Explicar quem somos, de onde vimos e quais são as nossas dificuldades não nos isola, mas sim
    faz com quem está a nossa volta esteja mais atento.
  6. É possível fazer as disciplinas todas com boa nota e não perder uma única excursão e/ou visita
    turística.
  7. As dores de cabeça que temos durante as aulas pelo esforço de traduzir o que nos dizem no
    nosso cérebro passam ao final de 15 dias.
  8. É fácil aprender italiano, difícil é entender colegas e professores do Sul de Itália.
  9. Se queremos muito visitar um sítio, às vezes o melhor é irmos sozinhos.
  10. Quem vai de Erasmus com amigos, em algum momento se vai desentender com esses amigos.
  11. Ir de ERASMUS ensina o valor da partilha… nem que seja de um metro quadrado de chão para
    dormir quando vamos revisitar amigos aos seus países e nos deixam ficar alojados para não
    pagarmos um hostel.
  12. É possível viver sem ferro de engomar e não andar que nem um farrapo.
  13. Quando adoecemos todas as pessoas da casa ficam doentes à vez, mas todos usam os
    medicamentos da primeira pessoa que ficou doente.
  14. Quando as italianas saem à noite e voltam para casa de madrugada é provável que, na manhã
    seguinte, tenhas uma panela de massa na cozinha com os restos do banquete feito de madrugada.
  15. Apresentarmo-nos aos professores ajuda-os a estar atentos para verem se estamos a perceber
    alguma coisa do que eles nos dizem em vez de debitarem matéria.
  16. Quando somos responsáveis e atentos os professores reparam.
  17. Sentimo-nos invencíveis quando respondemos a um teste em italiano mesmo sabendo que
    demos imensos erros gramaticais e de escrita mas que ainda assim o professor percebeu a ideia e o
    conteúdo.
  18. Fazer apresentações de trabalhos é fácil, mais complicado é responder a perguntas.
  19. Uma parte de nós vai passar sempre a torcer pelo clube da cidade que nos acolheu.
  20. É preciso explicar à família que estamos vivos mesmo quando não respondemos à primeira chamada skype.
  21. Muita gente quer ir visitar-nos, mas pouca gente vai.
  22. Se antes não gostávamos de tirar fotografias, agora isso mudou porque queremos memórias de tudo o que é novo e diferente.
  23. É sempre bom alugar uma bicicleta.
  24. Comer massa em Itália é mil vezes melhor do que no nosso país.
  25. Voltar à cidade que nos acolheu pode ser duro.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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