A Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa é a terceira melhor do mundo e há outras cinco áreas científicas em que as instituições de ensino superior nacional estão no Top 50. O ranking de Xangai, o mais antigo e prestigiado do mundo, divulgou na semana passada a sua lista especializada por disciplinas que conta com uma forte representação nacional. São 138 cursos de 14 instituições de ensino superior entre os melhores classificados de cada especialidade, numa recolha realizada pelo jornal Público.

Portugal tem representantes em 37 das 52 disciplinas avaliadas pelo ranking de Xangai nestas listas especializadas. A Universidade de Lisboa é a que tem melhor prestação acumulando 21 lideranças a nível nacional. Seguem-se a Universidade do Porto, que é a melhor portuguesa em cinco áreas, e a de Aveiro, em destaque em quatro áreas científicas.

É também da Universidade de Lisboa a disciplina em que Portugal consegue o melhor resultado neste ranking, é na área de Engenharia Marítima, na qual fica em 3.º lugar a nível mundial fruto do trabalho feito na Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico. Esta universidade é também a melhor nacional nas áreas de detecção remota (8.º) e na engenharia civil (43.º), uma lista em que Portugal consegue ter seis representantes.

Ao todo, há 14 instituições de ensino superior nacionais nas listas especializadas do ranking de Xangai. Destas, 12 são universidades públicas. De resto, entre as universidades, apenas a da Madeira não consegue entrar em pelo menos uma destas listas dos 500 melhores do mundo em cada área.

O Instituto Politécnico de Bragança é a única instituição politécnica listada. No sector privado, só a Universidade Católica cumpre os critérios do ranking chinês. Ambas as instituições aparecem na lista de Ciência e Tecnologia Alimentar.

A área de Ciência e Tecnologia Alimentar é a área em que Portugal mais se destaca ao conseguir colocar nove instituições entre as 500 melhores do mundo. O Porto é o melhor classificado nacional nesta disciplina, com a 11.ª posição a nível global. Também o Politécnico de Bragança (50.º) está entre os 50 melhores. Seguem-se a Universidade de Lisboa, no intervalo entre os lugares 51 e 75, a Universidade do Minho (76-100) e as universidades Católica, Nova de Lisboa e de Aveiro (101-150). Entram também na lista desta área a Universidade de Coimbra e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que estão entre o 201.º e o 300.º lugar.

A segunda área com mais representantes portugueses no ranking de Xangai está também relacionada com comida. É nas Ciências Agrárias, na qual Portugal tem sete representantes. Lidera, a nível nacional, a Universidade de Lisboa (no intervalo 51-75), seguindo-se a Universidade do Porto (151-200). As universidades Nova de Lisboa, do Algarve, de Aveiro e de Coimbra estão todas entre o 301º e o 400º lugar. No último intervalo (401-500) surge a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Portugal tem ainda um outro curso entre os 50 melhores na sua área: o de Engenharia Química da Universidade do Porto, que é 29.º a nível mundial.

Em termos internacionais, as listas do ranking de Xangai são dominadas pelas instituições dos EUA, que lideram em 32 das 52 disciplinas avaliadas. A instituição com melhor desempenho é a Universidade de Harvard (EUA), que está à frente em 15 disciplinas, entre as quais sete nas Ciências Sociais e quatro na área de Saúde.

No ranking de Xangai por disciplinas surgem mais de 1400 universidades de 80 países. A edição de 2017 deste ranking mantém a metodologia de anos anteriores, baseando-se em indicadores de produtividade científica e qualidade da investigação, como o número de publicações, as publicações editadas em revistas de grande impacto e o número de citações. Os dados bibliométricos são do banco de dados InCites. São também levadas em consideração a colaboração internacional mantida pela instituição e grandes prémios académicos atribuídos ao corpo docente e de investigação das universidades avaliadas.

Este ranking só atribui uma posição específica às instituições (1.º, 2.º, 3.º…) até ao lugar 50. A partir desse patamar ordena as universidades por grandes intervalos (51-75; 76-100; 101-150, por exemplo). Dentro de cada grande intervalo as instituições são ordenadas por ordem alfabética.

Podes consultar o ranking das várias disciplinas aqui.