Há uma fase da vida em começamos a ter que enviar currículos, seja porque queremos um trabalho de verão, um estágio ou um emprego. A primeira vez que tive que escrever o meu sabia que não queria o típico Currículo Vitae, achava-o aborrecido e já tinha ouvido dizer que passava muitas vezes despercebido na pilha dos recrutadores. Então queria uma coisa diferente, que saltasse à vista e tivesse a informação essencial.

Após muita pesquisa cheguei a algumas conclusões do que um currículo deve ser (isto pode depender da área de trabalho, dos anos de trabalho que temos, etc.). Claro, há sempre alterações ao longo do tempo, temos que estar atentos às últimas tendências porque não somos só nós que nos aborrecemos da monotonia. Novidade e suscitar curiosidade é essencial!

1. O currículo deve sobressair mas ser sóbrio

Considero que um currículo deve ter sempre alguma cor ou então optarmos pelo estilo black & white mas criativo (não é só texto preto num fundo branco certo?). A cor ajuda a pessoa que ler, fica menos monótono e é mais “fácil à vista”. Não podemos lá pôr todas as cores do mundo senão fica demais. Também gosto deixar algum espaço entre frases, tópicos e não encher com demasiado texto, ou seja: sóbrio e fácil à vista.

2. A foto de perfil deve ser bonita, adequada e com qualidade 

Devemos tirar a foto num sítio bonito ou sóbrio. Não pode ser um foto tirada, por exemplo, num café ou numa saída à noite, dá um ar de desleixo. Também é bom que tenha alguma qualidade: muita luz, bem focada e sem pixeis.

Convém ser uma foto com uma cara apresentável; nada de sono, remelas, cabelo desgrenhado, sorriso amarelo, etc.. Essa foto vai ser a primeira impressão que as pessoas vão ter de nós e, mais uma vez, não convém passar uma vibe de desleixo ou cara de nojo. As pessoas não nos conhecem e tudo o que têm para formar uma opinião é aquele currículo, portanto não existe “ai o exterior não importa”, claro que importa. Não quero dizer que temos que ser todos modelos, só temos que nos esforçar para passar uma ideia positiva e uma imagem amigável de nós.

3. Selecionar a informação 

Não podemos por lá tudo e um par de botas sobre nós mesmo! Os currículos devem ser curtos, enquanto jovens uma página é suficiente (claro, à medida que os anos de experiência aumentam também tem que aumentar o tamanho do currículo, não dá para deixar de fora empregos, na mesma área, que tivemos).

O que não pode faltar:

  • Informação pessoal: nome, cidade onde vives, número de telemóvel, mail profissional (nada de joão_fixe@…);
  • Educação: secundária se for o caso, o curso e a universidade em que foi tirado, línguas que sei e nível; tudo organizado por datas;
  • Experiência que tenho, organizada por datas;
  • Soft skills/ Características tuas importantes;
  • Se for o caso: hobbies atuais, workshops, formações, competências (programas e ferramentas em que saibas mexer e que podem ser úteis para esse emprego).

Há que pesar o que é relevante. Não é relevante que em pequeno fazias ballet, fizeste um workshop de teatro ou tentaste aprender a tocar piano. Os hobbies são importantes mas desde que sejam feitos atualmente e de forma consistente.

Por exemplo, praticar um desporto de equipa há muitos anos, integrar um grupo de debate, organizar eventos, são coisas que podem mostrar soft skills como espírito de equipa, pensamento crítico, iniciativa, dinamismo, etc.. e tudo isto é muito positivo! Se fizeste um workshop na tua área contribui para mostrar interesse. Se queres trabalhar no verão como babysitter e até já foste monitor num campo de férias escreve sobre isso! 

Se for o caso, é fixe mencionar trabalhos como trabalhar num loja, num café, etc mesmo que não seja a área a que te estás a candidatar agora. Isto mostra que és trabalhador ou dinâmico mas estágios/ workshops/ formações/ trabalhos na tua área são mais relevantes para o empregador.

O importante aqui é dares mais destaque à tua experiência profissional do que aos hobbies ou empregos fora da área.

4. Inspira-te e sê criativo 

Por último, ir buscar inspiração a currículos de outras pessoas, tirar de lá ideias e fazer o teu próprio. Há aqui algumas sugestões.

Claro que tens sempre que adequar o design do currículo à área a que te estás a candidatar, um designer tem que fazer um currículo muito diferente de um advogado ou um engenheiro.

5. Notas finais 

  • Não mintas porque podes facilmente ser apanhado.
  • Cuidado com os erros ortográficos e a coerência, se não fores muito bom a escrever pede a alguém que seja para rever o texto.
  • Anexa  uma carta de motivação, provavelmente é das coisas que mais te pode distinguir dos outros e dar-te a conhecer melhor ao empregador.
  • Adequa sempre o currículo à área em questão, as grandes empresas, por exemplo, têm menos tempo para dedicar a ler currículos.

Artigo inicialmente publicado aqui.VC