Sempre fui uma caloira feliz, fiz da praxe tudo o que podia, dei à praxe tudo o que tinha, guardei cada ensinamento, cada sermão e este amor gigante pelo curso e por aqueles que comigo foram praxados.

Fiz da praxe uma amiga e uma companheira. Senti um orgulho gigante na primeira serenata em que trajei, no momento em que os meus padrinhos me traçaram a capa e quando percebi que tinha passado «para o outro lado», para o lado dos de preto.

Ser do preto é um sentimento incrível, é trajar com orgulho, é usar uma capa ao ombro com um sorriso onde cada emblema tem uma história para contar, são as recordações e as memórias, a nostalgia do que não volta mais, são as músicas que nunca fizeram tanto sentido “quero ser para sempre estudante”, são os abraços longos, as caloiradas e queimas que recordas com um sorriso, são as fotos que enchem o coração, é querer que tudo volte atrás, é querer ser caloiro outra vez.



E quando menos dás conta estás no último ano e pões-te a pensar no que todos te diziam “vão ser os melhores anos da tua vida” mas tu, com aquela cabecita de caloiro nunca acreditaste. Ficas a olhar para trás a pensar no quanto foste feliz, nas memórias que criaste, nas músicas que a berrar tantas vezes cantaste, nas vezes que tiveste de encher por não honrar o curso e nas vezes que o honraste de mão dada com a semelhante ao lado. Lembram-te os jantares de curso, as praxes temáticas, a latada e o cortejo.

Praxar significa que chegou a tua vez de dares o que tens e o que sabes àqueles que como tu entraram neste mui nobre curso, ter de explicar tudo a desconhecidos, ensinar as músicas do curso com os olhos a brilhar. É a alegria quando dás conta que estão a tentar reter tudo o que tentas passar-lhes (como tão bem to passaram a ti) e a frustração quando sabes que não estão a dar o máximo, o orgulho quando ganham um despique e o desapontamento de o perder. E assim as semanas passam num instante, a caloirada aproxima-se o que significa que está na altura de escolherem padrinhos.

Começa o nervosismo vindo dos dois lados, diz-se que sim, vem o batismo e com ele a promessa de uma amizade para a vida.

Ser madrinha é o sentimento de dever cumprido, é gratificante sentir que realmente valeu a pena ter dado tanto de mim à praxe, sentir que os meus quatro carinhosamente «poios» sentiram e absorveram tudo aquilo que lhes tentei passar e mais do que isso, reconhecerem o meu esforço e dedicação para com a praxe. Sentir que vêm em mim um exemplo a seguir, é identificar neles a caloira que fui e querer que eles um dia olhem para trás e sintam que tudo valeu a pena, sem nunca se arrependerem de nada.

Que tenham aprendido e aproveitado tanto e que o transmitam um dia aos caloiros deles.

Ser madrinha é não esperar muito e receber tanto, de maneiras realmente incríveis e inesperadas, é para mim a responsabilidade de transmitir mais do que nunca todo um amor e carinho pelo curso a estes que me escolheram para os apadrinhar.

Porque apadinhar um caloiro significa que é a nossa vez de honrar o preto que arduamente conquistámos e que dávamos tudo para voltar ao início e para o podermos conquistar outra vez, porque realmente, estes são os melhores anos da nossa vida.

Considero-me realizada e realmente feliz, considero-me felizarda por todas as pessoas que tive a sorte de conhecer, por todos os que se cruzaram no meu caminho pelos meus 4 afilhados que depositaram toda uma confiança em mim e isso agradeço-o à praxe, com todo o meu coração azul e amarelo.

Dá à praxe tudo o que tens e puderes porque ela vai dar-te em troca muito mais, no meu caso deu-me a quadruplicar.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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