Praxe.

A palavra que tanto ouvia e mais temia sempre que falava na universidade. Era algo novo, algo que eu desconhecia, e que nem sempre era bem falado pelos meios de comunicação ou mesmo por outras pessoas. Mas por mais coisas negativas que ouvisse (acho que eram mais negativas que positivas), eu estava decidida a experimentar. E assim o fiz.

O primeiro dia. Ah, o primeiro dia… Foi um choque. Chorei tanto que gastei mais de um pacote de lenços. Não me sentia bem ali, sentia que o que se dizia e se fazia não fazia parte da minha personalidade, não fazia sentido na minha cabeça. E por isso fui abaixo, tive que me retirar por uns momentos da praxe, fazer várias pausas. Aquilo era cansativo, era desgastante. E não fazia qualquer sentido para mim.



O segundo dia. Bem, não foi tão mau quanto o primeiro. Não gastei tantos lenços de papel. Mas ainda assim, fartei-me de chorar. A praxe continuava a não fazer sentido. Estar de 4, fazer flexões, ouvir os doutores a gritarem connosco. Nada fazia sentido.

Terceiro dia. Estava decidida a sair da praxe. Queria desistir. Não queria estar ali, não me sentia bem ali. Cheguei a casa e informei os meus pais de que sairia da praxe. E durante o fim-de-semana não pensei noutra coisa. Eu só queria sair da praxe.

No entanto, por mais decidida que estivesse, recebi algumas palavras que me deixaram a pensar. Palavras ditas por colegas do meu curso, da minha praxe. Lembrei-me de outras coisas que ouvira mesmo antes da praxe ter começado, e mesmo outras que ouvira durante a praxe. E decidi ficar.

Na segunda-feira, quarto dia de praxe, tentei olhar para esta de uma forma diferente, a aproveitar melhor o tempo e as pessoas com quem estava. E depois, já na quarta semana de praxe, não estava arrependida de não ter desistido.

A praxe é cansativa e desgastante? Sim, é. É normal chorar durante a praxe? Sim, é. É normal pensar em desistir, até mesmo mais do que uma vez? Sim, é. Mas há algo ainda mais importante, algo do qual me apercebi nestes últimos dias.

A praxe ensina. A praxe integra. A praxe consciencializa. A praxe une. De todas as vezes que chorei, eu não estive sozinha uma única vez. Tive amigos e doutores que me apoiaram e que ficaram comigo até que eu ficasse melhor. Tive a oportunidade de conhecer as pessoas com quem vou trabalhar nos próximos anos, não só os colegas de curso do primeiro ano como alunos mais velhos. Fiz amizades que fora da praxe não faria. Pelo menos não da mesma forma.

Na praxe aprendi a respeitar, a apoiar, a rir, a divertir-me, a cantar, a berrar. O que vivi e continuo a viver na praxe é muito, mas mesmo muito mais do que encher. O que ganhamos na praxe, ganhamos para a vida toda. E o que a praxe nos dá, nós teremos para a vida toda. Agora sei disso.

E por isso estava decidida a ficar na praxe. Até ao último dia. E tinha a certeza de que não me arrependeria.

Hoje, dou graças a todos aqueles que estiveram do meu lado, porque fiquei na praxe até ao último dia e foi, sem dúvida, das melhores coisas que tive no meu ano de caloira.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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