É sempre chegada a altura do ano em que se falam sobre as praxes. Mas eu gostava de alterar a frase anterior corrigindo a mesma para “é sempre chegada a altura do ano em que os animais decidem mandar”.

Pois é. Chegamos ao inicio do ano letivo universitário e há sempre uma cambada de filhos da p*ta que se lembra de quebrar regras, desrespeitar costumes e colocar em causa o bom nome da instituição que os acolhe. E para ajudar à festa, temos a generalização dos factos. Ou seja, a história é distorcida. O que se passou naquela universidade, naquele curso, com aquelas pessoas passa para “aquilo acontece na universidade, em todos os cursos. Conclusão da história: a praxe é violenta, a praxe é uma merda, acabem com as praxes.



Em primeiro lugar, gostava de deixar claro o conceito de praxe académica. Para os mais ignorantes e também para aqueles que tornam como verdade tudo o que ouvem das más línguas, tenho a dizer-vos que a praxe académica se baseia num conjunto de normas e rituais que regem a interação social das comunidades estudantis universitárias e cujo fim último se destina à receção e integração dos caloiros.

Por sua vez, um ato animalesco significa a prática bruta e violenta exercida por um ser irracional. E com esta definição criada por mim, cito Aristóteles que certamente me daria razão nesta diferenciação que faço de conceitos “ o homem é definido como “animal racional”, quer dizer, como um ser vivo, mas que terá além disso, uma característica própria: a capacidade de raciocinar.

Com isto quero dizer que “não é tudo farinha do mesmo saco”. É muito triste ver as notícias que correm nos últimos dias. E mais triste ainda é quando nos toca a nós. E este texto surge exatamente nesse sentido. A última notícia que vi hoje relatava a queixa de praxe abusiva feita por um aluno da Universidade da Beira Interior. Não gostei do que ouvi. Não gostei das partilhas que foram feitas por alunos de outras universidades que não sabem a realidade que aqui se vive. Não gostei das opiniões negativas que fizeram à UBI. À praxe da UBI. Aos nossos ubianos. À nossa cidade.

Vocês não sabem do que falam. Só quem cá está, vive e sente e por isso sabe o que é a praxe ubiana. Os outros, não sabem nada. Esses que se lembraram de fazer notícia ontem e hoje no telejornal, não sabem absolutamente nada. E por isso, sim, esses é que devem ser punidos. Não é mais ninguém. Porque mais ninguém tem culpa da falta de valores que esses marginais têm. Ninguém tem culpa que eles não saibam distinguir integração de humilhação. Ninguém tem culpa que eles não saibam os costumes, as tradições que aqui se praticam. Coitados, eles não sabem porque não têm capacidade para tanto. Por isso não acabem com as praxes. Eles é que não podem praxar mais. Por isso, é que se devem separar e distinguir conceitos. Por isso é que se distingue um ser racional de um irracional. Por isso é que um se chama homem e outro animal. Por isso se temos de dar nomes às coisas que saibamos fazê-lo corretamente.

Se querem chamar de praxe, chamem então ao conjunto de atividades de integração que as associações académicas, a todo o custo, organizam para que os novos alunos sejam bem recebidos naquela que é a sua segunda casa. Se querem chamar de praxe, aqui na Covilhã, aqui na UBI, chamem de praxe ao Chorão de Molho, à Receção ao Caloiro, ao Desfile de Miss e Mister AAUBI, às praxes tradicionais que cada comissão de latada realiza para os seus cursos.

A isso podem chamar praxe. Como eu também fui praxada e bem praxada nesta academia. Como também praxei e tenho o maior orgulho pelos valores que consegui passar aos meus caloiros. E tenho a certeza que esses serão os mesmos valores que eles irão transmitir quando for a vez deles de praxar.

Por isso, chamem de praxe, à praxe das velas, à praxe da recolha de material, à praxe solidária da AAUBI. Destas praxes, que são a verdadeira praxe, delas ninguém se lembra de falar. Ninguém se lembra de fazer queixa. Ninguém se lembra de fazer notícia. Pois é.

Mas esta é a verdadeira praxe que se pratica nesta academia. Integração. Solidariedade. União. Amizade. Respeito. Valores. Chamem de praxe a isto. Ao resto chamem-lhe o que quiserem, praxe não. E que ninguém ouse negar o que aqui está dito. Porque se o fizer, é só um imbecil qualquer que não sabe o que está a dizer.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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