Está em discussão a extinção dos cursos de Dança e Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa (FMH) por motivos financeiros. Os alunos estiveram hoje em protesto por uma medida que defendem estar contra o plano estratégico da instituição e defendem a suspensão do processo de decisão.

“A licenciatura em Dança e a licenciatura em Ergonomia representam ofertas formativas de natureza única no panorama nacional, não existindo nenhuma outra escola com oferta semelhante no ensino superior público e privado. O mesmo se observa relativamente aos ciclos de estudos subsequentes – mestrado e doutoramento – procurados por alunos e investigadores de todos os continentes que anualmente chegam a esta escola”, refere um grupo de alunos em comunicado enviado ao Uniarea.



O Plano Estratégico para a FMH 2015-2018 refere que: “A diversidade de áreas científicas e disciplinares da FMH deve ser vista como uma vantagem competitiva, pela flexibilidade que lhe conferem, desde que a riqueza da diferença, que significa também maior polivalência de saber, seja canalizada para a cooperação e para a complementaridade. Em qualquer instituição democrática, como é o caso das instituições do ensino superior, a diversidade e excelência estão de ‘mãos dadas’.” Ora, embora defendida de forma tão explícita em documentos oficiais, este movimento de alunos defende que a diversidade e polivalência que caracterizam esta instituição correm sério risco, uma que vez que se encontra em discussão a extinção de dois cursos de 1º ciclo – Dança e Ergonomia. A deliberação final sobre esta matéria acontece já no dia 28 de Março, pelas 10 horas, em reunião de Conselho de Escola.

A possibilidade de extinção destes cursos foi colocada à discussão dos órgãos de gestão, tendo como mote um documento elaborado em Julho de 2017 pelo Conselho de Gestão da FMH. A acta, que pode ser consultada aqui, refere que “dados os constrangimentos económicos, colocou-se a questão da manutenção, ou não, da diversidade da oferta formativa, nomeadamente no 1º ciclo e, concretamente, tem vindo a questionar-se a continuidade dos cursos de Ergonomia e Dança”.  Já numa reunião de Novembro de 2017, cuja acta pode ser consultada online, refere que “ficaram notórios os custos desproporcionais e a reduzida razão alunos/docentes nos cursos de Dança e Ergonomia, relativamente aos cursos de Ciências do Desporto, Gestão do Desporto e Reabilitação Psicomotora, configurando uma discriminação positiva dos dois primeiros cursos referidos”. Adianta ainda que “de um ponto de vista financeiro, que é o que nos compete neste caso analisar, a extinção dos Cursos do 1º Ciclo de Ergonomia e Dança constituiria uma medida que se repercutiria a média prazo de forma muito positiva na saúde financeira da FMH”.

O estudantes queixam-se que o debate sobre este tema tem sido suportado exclusivamente por informação de cariz financeiro, excluindo quer departamentos centrais em causa como o Departamento de Educação, Ciências Sociais e Humanidades, onde a Dança se integra, quer os relatórios emitidos por entidades externas. A este nível, em janeiro de 2018, o curso de Dança foi avaliado por uma Comissão de Avaliação Externa (A3ES) tendo obtido nota máxima e indicação para continuar.

Os estudantes estão conscientes das dificuldades financeiras e do subfinanciamento que a FMH enfrenta diariamente, devido aos sucessivos cortes orçamentais na educação e no ensino superior. No entanto, referem que “não podemos aceitar como solução o fim da oferta formativa em áreas fundamentais, de qualidade reconhecida e com elevados níveis de empregabilidade. A adopção de uma perspectiva economicista, vem colocar em causa o interesse dos estudantes e o ensino superior público e de qualidade a que temos direito”.