Eu nunca fui a uma praxe. Então qual é o meu mérito para falar sobre este tema? Nenhum, mas bear with me

Eu nunca fui a uma praxe, mas tenho inveja de quem foi. Tenho inveja das experiências que passaram em grupo, da sua união e cumplicidade e até mesmo do traje (nunca me senti digno de o usar sem ter ido às praxes) que envergam com toda a graça e estilo. Por essa razão, eu tentei sempre arranjar uma “desculpa” para odiar as praxes de maneira a colmatar o meu ciúme.

Procurei por falhas, critiquei certos comportamentos e práticas que achava patéticos, e ridicularizava aqueles que se submetiam a eles, autoconcedendo a mim próprio uma superioridade moral, curando assim a minha “dor de cotovelo”.



Mas, por mais que tentasse abominar a Praxe, eu nunca consegui deixar de sentir uma certa admiração por Ela. Havia algo no seu interior, invisível aos meus olhos cegos de desdém, contra ao qual eu não conseguia lutar. E agora posso dizer que Ela ganhou-me.

Cada vez que um escândalo rebenta nos media envolvendo a Práxis, é criado um confronto entre aqueles que a defendem com unhas e dentes, e aqueles que a atacam sem dó nem piedade. Enquanto isso, eu fico no meio da cacofonia, a perguntar-me qual deles é que tem razão. E afinal, como é que ficamos? As praxes são más ou não?

Ah… não.

As praxes não são más. Más são algumas pessoas que mancham uma tradição secular, que é regida por um código que assegura a integridade física e psicológica dos seus participantes. Nenhum caloiro é obrigado a fazer algo, com o qual não se sente confortável. E eu acredito realmente, que as praxes são uma experiência enriquecedora. Cria laços entre pessoas que se vêm num ambiente completamente novo e até intimidante, mas que conseguem encontrar apoio e confiança entre si.

Alguns podem argumentar que a Praxe põe o caloiro numa posição submissiva, mas não seria a Praxe se fosse de outra forma. E pensando bem, não estamos sempre subjugados por outros nas nossas vidas? (Pais, professores, patrões, etc.)

Lembro-me de ver uma foto partilhada por uma página de humor satírico no Facebook baseada na “vida do universitário”, que pregava o seguinte: “Metade do medo das praxes é criado pela comunicação social e Governo; E metade das amizades universitárias são criadas nas praxes”. Alguns podem concordar com esta afirmação, mas por favor, façamos um exercício de reflexão neste texto. Se “metade do medo das praxes é criado pela comunicação social e Governo”, implicando que é um medo “falso”, sem fundamentos, então e a outra metade? 50% do medo é, na verdade, real? Há pessoas, que temem a tradição que muitos de vocês têm orgulho em pertencer e participar? Sim, provavelmente é verdade.

A Praxe é uma instituição feita por pessoas, e como todas as instituições (Igreja, Governos, etc.), contém no seu seio membros que são um desrespeito para com os seus ideais. Deveremos crucificar toda uma organização, pelos maus atos de uma minoria?

Ah… sim…

É necessário pôr em cheque, um sistema que perpetua a oportunidade para criar abusos. Só assim é que se resolve os problemas, e se acaba com as polémicas e as desconfianças. Há que retirar o vírus antes que infete todo o organismo. A desculpa de “não odeies o jogador, odeia o jogo”, não serve aqui. O jogo tem de mudar. E se não o consegues mudar, muda as regras. Ou então mais ninguém quer jogar.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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