Uma sigla que para muitos pode passar despercebida e que, por outros, pode ser associada ao Parlamento Europeu, designa aquela que se define como “uma organização independente, apartidária e sem fins lucrativos gerida por jovens voluntários”. O Uniarea conversou com José Eduardo Feio, Presidente da Associação Portuguesa do Parlamento Europeu dos Jovens.

O nosso objetivo? Mostrar-te os motivos pelos quais vale a pena conhecer esta associação que tem vinte e oito anos de história em território português! Aguçámos a tua curiosidade? Ora conhece quem representa a defesa do interesse dos jovens pela discussão política e social e pelo processo democrático de decisão.

 

Uniarea (U): A APPEJ foi vencedora da 1ª fase do Prémio Carlos Magno para a Juventude duas vezes: em 2017, com o Braga 2016: Euro-Ibero-American Youth Forum e em 2015, com o Braga 2014: Re:Generation. Em que consistiam esses projetos?

José Eduardo Feio (JEF): Os projetos que ganharam o prémio consistiram em sessões do Parlamento Europeu dos Jovens. Estes são eventos em que jovens de toda a Europa – e no caso do nosso evento em 2016, da América do Sul também – se juntam para debater temas pertinentes para o futuro. Os vários jovens são depois alocados em diferentes comissões, à semelhança do que acontece no Parlamento Europeu, sendo que no final do evento existe um momento de debate, a Assembleia Geral, onde se discutem as diferentes soluções encontradas para os problemas.

Os projetos foram organizados com voluntários de toda a Europa, sob a coordenação da nossa Associação. O evento, em 2014, consistiu numa seleção nacional que juntou jovens do ensino secundário de todo o país durante 4 dias para debater alguns dos temas mais pertinentes a nível europeu. Já o evento de 2016 foi um dos eventos de maior dimensão que alguma vez foram organizados por nós. Contou com mais de uma centena de jovens universitários provenientes de vários países da Europa e da América do Sul que, durante 10 dias se debruçaram sobre vários problemas globais.

As propostas aprovadas em Assembleia Geral foram enviadas para os vários chefes de estado para que estiveram presentes na Cimeira Ibero-Americana, durante os dias 28 e 29 de outubro desse ano, na Colômbia.

 

U: A distinção dos vossos projetos não é uma surpresa, até porque o Prémio Europeu Carlos Magno para a Juventude é atribuído precisamente a projetos que fomentam o entendimento europeu e internacional. No entanto, consideras que existe uma chave para o vosso sucesso? Se sim, qual é?

JEF: A chave do nosso sucesso é certamente a dedicação dos nossos voluntários. A APPEJ continua a contar com um grupo cada vez maior de voluntários que se dedicam incansavelmente à nossa causa: a promoção de uma sociedade civil ativa, crítica e consciente.

Para além disto, tivemos imensos apoios institucionais. Nada disto teria sido possível sem a ajuda do Instituto Português do Desporto e da Juventude, sem o apoio da Câmara Municipal de Braga – município onde estes dois eventos se realizaram – e parceiros como a Orbitur.

 

U: Que impacto teve esta vitória no vosso desenvolvimento?

JEF: Estes eventos permitiram-nos aumentar de escala, atrair mais associados – a nossa associação conta agora com mais de 100 jovens ativos, mais escolas, o que nos permite estar presentes em mais zonas do país – contamos agora com eventos de seleção regional no norte, centro e sul de Portugal.

 

U: No site da APPEJ, pode ler-se “A nossa missão é inspirar e capacitar os jovens europeus para que se tornem cidadãos recetivos, tolerantes e ativos”. Assim sendo, ainda continuam a desenvolver projetos de dimensão europeia?

JEF: A nossa associação existe em Portugal há mais de 20 anos. Desde o início que estamos dedicados à promoção de valores europeus e empenhados na promoção do desenvolvimento de capacidades críticas e conhecimentos sobre a Europa e a sociedade a que pertencem perante os jovens portugueses.

Todos os anos realizamos sessões de seleção nacional – estamos a planear a próxima que acontecerá em Cascais (Capital Europeia da Juventude 2018) no mês de abril.

Para além disto, estamos também a desenvolver o projeto Understanding Europe – em coordenação com a fundação Schwarzkopf. Este projeto consiste na criação de um grupo de trainers/formadores portugueses que terão o objetivo de ir a escolas secundárias dar cursos intensivos de 4h sobre o funcionamento das várias instituições da União Europeia. Iniciámos estes cursos neste ano letivo, tendo já realizado vários com bastante sucesso, em vários pontos do país.

Estamos agora a planear uma abertura deste projeto a todos os alunos universitários portugueses que estejam interessados em ser trainers e ajudar a formar uma geração de jovens mais conhecedora do projeto europeu, por isso estejam atentos!

 

O Uniarea explica

O que é o Prémio Carlos Magno para a Juventude?

É um concurso que se baseia na criação de projetos inovadores acerca dos seguintes temas: desenvolvimento e integração da EU e questões relacionadas com a identidade europeia. Foi criado pelo Parlamento Europeu em parceria com a Fundação do Prémio Internacional Carlos Magno.

 

 O que é que a APPEJ tem a ver com este prémio?

Em três décadas de existência, a APPEJ sempre se assumiu como uma organização pan-europeia, que pretende estimular a educação cívica dos jovens. Mais especificamente, iniciativas como a Understanding Europe são essenciais para a promoção da história da União Europeia, bem como para o ensino do funcionamento das instituições e daquilo que é uma cidadania ativa.

 

Ainda posso concorrer?

Sim, encontram-se abertas as inscrições para a edição de 2018, tendo sido prolongadas até 19 de Fevereiro. Desde que tenhas entre 16 e 30 anos, sejas cidadão ou residente de um dos 28 estados-membros e tenhas uma ideia. Podes consultar o formulário aqui.