O ingresso no ensino superior constitui, hodiernamente, um objetivo pretensamente fundamental para a definição estatutária de qualquer carreira mesteiral e académica, sem embargo das incontáveis valências que uma formação pluridisciplinar possa proporcionar, mormente no tocante à controversa especialização e contextura de nichos de estudos, a que só um carpo de discentes de ciências, tomadas por rigorosas, pode, em meu entender, aceder. Sem embargo, revela-se particularmente unânime que, no escopo das investigações filosóficas, literárias e sociais, a própria progressão tenha convergido em arbítrios discricionários de alguns beneficiados, ociosos e burgueses, que, quais príncipes, com beneplácito das forças políticas, se assenhoram de todas as possibilidades de singrar nas humanidades.

Atendendo a estas palavras preliminares, antes de escolher um curso de línguas e humanidades, contemporizei ao influxo dos ditames que soem amiúde soar, quando um adolescente almeja consagrar-se às letras, tendo como abonado o desemprego e desprestígio de uma classe que jaz na sombra das matemáticas. Na época, desfechara o ensino básico com uma boa classificação nas disciplinas rigorosas, correspondendo a minha pontuação a uma média de quatro valores, numa escala numérica de zero a cinco. Com efeito, elegi como primordial hipótese o curso de ciências socioeconómicas que, contraditando os meus interesses, em todo o caso, se me afigurara um bom avindor de empenhos.

Entrementes, esse remoto estio, que o antecedera, fora entrecortado pelos pristinos assomos de uma depressão, para cujo ímpeto suicidário se me prescreveram antipsicóticos, que, asinha, se repercutiram na minha pauta. Incapaz, porém, de me supor em tal conjectânea, pus, inconsequentemente, cobro à terapêutica, transferindo-me, outrossim, no fim do primeiro período, para o almejado curso de línguas e humanidades. Por consequência, fui impelido a mudar de escola, a fim de que não tivesse de ficar recluso um ano, de sorte que tal demudança se me antolhou severamente angustiante, pois que não lograra encontrar colegas que comungassem dos meus interesses. Nesse sentido, se, por um lado, tomara por invulgarmente difícil a disciplina de Matemática A, por outro, mais intrincada foi a de História A, dado que as minhas faculdades intelectuais se me tolheram inexoravelmente, o que me frustrou sobremaneira.

Afortunadamente, nos dois anos subsequentes, consegui guarecer, granjeando uma média final correspondente a dezassete valores, bem como resultados satisfatórios nos exames nacionais, sendo que fui o melhor discente da minha escola, tanto em história, como em português. Em contrapartida, a minha patologia recrudescera, pejando-se a debilidade de dolorosas insónias que, por seu turno, me conduziram a um esgotamento depressivo, de que me encontro ainda em moroso convalescer. Sem embargo, considero-me visceralmente prosternado, quase sobremaneira destroçado, pela minha desdita, de que não hei de lograr triunfo, seja na universidade ou no puro ato de existir.

Neste sentido, mais uma vez, irei enfrentar uma deslocação de cidade, pervagando de Faro para Coimbra, de que escuto invariavelmente cobras e lagartos, receando que se concretizem, numa tentativa malograda de me emancipar. De facto, ao rememorar-me de que, daqui a muito poucas semanas, terei de debelar esta nova experiência, acomete-me o anseio inusitado de me suicidar, porquanto não nutro qualquer expetativa quanto ao futuro, quer como académico, quer como escritor – pretensão, aliás, desmedida, para um peito tão exíguo, dado que enverar pela carreira de investigador, conforme mencionei na isagoge, está reservado a meia dúzia de apaniguados nepotistas, por assim dizer, in petore.

Em suma, pretendi, com a sucinta explicitação deste meu percurso singelo, salientar as minhas particulares apreensões quanto ao ensino universitário que, longe de se reportarem às da maioria, de qualquer forma, abarcam a minha visiva antecedente ao porvir, abordando um dos temas por que procurarei propugnar no meio académico, a saber, a possibilidade de definir, para percursos distintos, a credibilidade e segurança que de que o integral empenhamento carece, independentemente do âmbito a que se arrogue.

  • Joana Sofia

    não sei se ria ou se chore com este artigo lmao