Em maio de 1987, em Estocolmo, estudantes de Física e de Matemática decidiram que a cada seis meses, devia existir uma semana de convívio entre alunos europeus. Volvidos 31 anos, as competições em sistema piramidal, que unem vencedores nacionais e regionais, são a imagem de marca do BEST.

O Uniarea esteve à conversa com Sofia Soto Almeida, Coordenadora de Marketing e Relações Públicas da EBEC 2018, para elucidar-te acerca deste projeto que prima pela tentativa de compreensão das culturas europeias e, claro, pelo desenvolvimento de capacidades para trabalhar numa base internacional.

 

Uniarea (U): Tem-se ouvido falar do BEST no âmbito do Prémio Carlos Magno, no entanto, em que consiste este projeto?

Sofia Soto Almeida (SSA): O Board of European Students of Technology, BEST, é uma organização de estudantes europeus, não governamental, apolítica, sem fins lucrativos formada em 1989 com o objetivo de proporcionar oportunidades de comunicação e intercâmbio entre estudantes, empresas e universidades de toda a europa. O BEST encontra-se hoje presente em 32 países, contando com 95 grupos locais, contribuindo para uma rede estudantil inovadora que assenta a sua atividade e os seus serviços na educação complementar, no envolvimento educacional e no apoio à carreira.

 

U: No site do BEST, podemos ler que uma das vossas metas é a promoção da aproximação dos parceiros do triângulo “estudantes-empresas-universidades”. De que modo isso é realizado em território nacional?

SSA: Em Portugal contamos com cinco grupos locais presentes nas mais prestigiadas universidades de Almada, Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto. Estes cinco grupos locais formam uma comunidade para o desenvolvimento das competências dos estudantes nacionais de engenharia.

 

U: Como descreverias a EBEC, uma das maiores competições de engenharia e organizada pelo BEST, em poucas palavras?

SSA: A EBEC, European BEST Engineering Competition, é destinada a estudantes de tecnologia e organizada por todos os grupos locais do BEST. É anual e constituída por três fases: a local (organizada nas várias universidades), a nacional (onde os vencedores de cada fase local competem entre si) e a internacional.

 

U: O que podes acrescentar acerca daquele que começou por ser um espelho das Competições de Engenharia Canadianas, coordenadas pela Canadian Federation of Engineering Students, mas hoje já se autoproclamou?

SSA: O projeto EBEC tem como principal objetivo proporcionar aos alunos uma oportunidade de aplicarem os conhecimentos técnicos que vão adquirindo ao longo do seu percurso académico em situações reais do contexto empresarial. Este tipo de experiência promove simultaneamente o trabalho de equipa, o espírito de entreajuda, iniciativa e criatividade. Por sua vez, proporciona ainda o intercâmbio intercultural e o alargamento da rede de contatos, o que poderá ser uma grande oportunidade no futuro do jovem profissional.

Este ano, na sua 12ª edição, não existindo a fase final, criou-se o EBEC Challenge, onde representamos a ronda nacional de Portugal e competiremos com as restantes equipas vencedoras das rondas locais. O EBEC Challenge realizar-se-á na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, em Almada, com datas ainda por definir.

 

O Uniarea explica

O que é o Prémio Carlos Magno para a Juventude?

É um concurso que se baseia na criação de projetos inovadores acerca dos seguintes temas: desenvolvimento e integração da EU e questões relacionadas com a identidade europeia. Foi criado pelo Parlamento Europeu em parceria com a Fundação do Prémio Internacional Carlos Magno.

 

O que é que o EBEC Challenge tem a ver com este prémio?

Como se pode ler no Eurocid, os princípios essenciais do prémio são “destacar projetos que promovam o entendimento a nível europeu e internacional, fomentem o desenvolvimento de um sentido partilhado da identidade e da integração europeias e sirvam de modelo aos jovens que vivem numa dimensão europeia” e sendo que o EBEC Challenge junta estudantes de engenharia de todos os países, promovendo o seu conhecimento e partilha de experiências, é um ótimo concorrente. Foi isso que o levou a ser o vencedor da 1ª fase em Portugal na edição de 2016 deste prémio com a final do EBEC em 2015, tendo sido qualificado como concorrente à 2ª fase. Na altura a equipa responsável pela organização era o núcleo do BEST no Porto. O primeiro prémio acabou por ser atribuído ao projeto italiano de apoio à integração de refugiados InteGREAT. O segundo prémio foi atribuído a um jogo de mesa grego “Procurando Carlos Magno” e o terceiro ao projeto britânico “Conselho Europeu da Juventude”, uma conferência internacional sobre assuntos europeus.

 

Ainda posso concorrer?

Sim, encontram-se abertas as inscrições para a edição de 2018. Desde que tenhas entre 16 e 30 anos, sejas cidadão ou residente de um dos 28 estados-membros e tenhas uma ideia. As candidaturas terminam dia 19 de Fevereiro. Podes consultar o formulário aqui.