Estará a praxe de plena saúde? Apresentará razões para se assumir como tal? Quais as motivações do Praxista quando enverga a sua capa? Estas serão apenas algumas das questões que se colocam ao mundo da Praxe, apenas algumas de um lote vasto sobre o qual todos os Praxistas deviam refletir.

Praxar passará por muito mais do que uma mera imposição de autoridade desproporcionada, praxar passará por muito mais que uma competição de poder, um concurso de popularidade entre trajados que, não obstante estarem integrados numa hierarquia, sempre deviam ter o traje como ponto de uniformização e igualdade. A praxe sofre neste momento, sofre por refletir a falta de valores, sofre por refletir as relações sociais atuais, sofre por ser progressivamente desvirtuada.



Nesta tradição académica pensemos em passar valores e ultrapassar desvalores, pensemos em valorizar a figura da união e igualdade dos caloiros mais do que a figura única de cada Praxista, pensemos que a razão porque a praxe existe e vai subsistindo é que porque apesar de tudo continua a ser um fenómeno com um poder de integração e criação de laços sem paralelo. No entanto, se o argumento quando as coisas correm menos bem é “a praxe serve para integrar” porque não fazer jus ao argumento e verdadeiramente valorizar o espírito do grupo dos novos estudantes?

Exige-se reflexão, impõe-se introspecção…praxar passa por perceber o que sente cada caloiro, entender o que divide um grupo e compreender como passar a nossa mensagem. É errado pensar num padrão de praxe comum a todos os praxistas, é errado que se imite quem se admira, pois mesmo um grande Praxista terá defeitos. A hierarquia existe e faz parte de uma tradição maior que nós, mas a consciência será basilar em qualquer Praxista e por isso mesmo deve cada um entender que nem todos têm capacidade para exercer praxe e que essa capacidade não pode ser taxativamente associada a cada grau hierárquico, pois entraremos no raciocínio falacioso de que adquirimos talento para praxar a cada ano que passa, o que é manifestamente mentira. Praxar é estabelecer uma relação social, logo, quem não tenha capacidade humana e social não terá capacidade praxística.

A boa praxe sempre será a que honrando a tradição da capa negra, com respeito pela hierarquia e orgulho no traje envergado, consegue alcançar a união e respeito mútuo no grupo de caloiros, sobrepondo a admiração do ato de praxar à ambição de exercer poder. Enquanto a popularidade e o mero poder prevalecerem a praxe sofrerá de um mal…acreditemos que tem cura.

DVRA PRAXIS SED PRAXIS,
BONUX PRAXIS MALUX PRAXIS

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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