O Verão está a chegar ao fim, o Continente já lançou a campanha do “Regresso às Aulas”, estamos em Setembro. Todos os anos nesta altura sente-se no ar um misto de emoções em revolução incoerente: Excitação, nervosismo, desolação e um universal “só mais um mesinho por favor”. Mas para uma pequena percentagem de estudantes, começaram as noites de pouco sono e muitas dúvidas. Futuro caloiro, estás prestes a entrar no avião.

Ora, antes de mais, quero-te dar os parabéns, o teu esforço até hoje foi recompensado. Superaste montanhas, caíste, levantaste-te e hoje estás mais forte que nunca, prestes a poder-te chamar “estudante universitário”, a fazer parte desta família. A perceber as piadas académicas das páginas do Instagram. Mas estou-me a dispersar…



Hoje escrevo não só para todos os caloiros prestes a entrar na faculdade, mas especialmente para os que estão prestes a entrar no avião. Seja para ir viver para uma Autónoma, ou para milhas dela, um dos principais desafios da tua vida começa agora. No futuro próximo, a expressão “cair de paraquedas” vai estar presente na tua mente a toda a hora. Por isso, o melhor é começar a fazer a verificação de segurança agora.

Viver longe dos pais, seja na residência universitária, num apartamento ou num simples quarto é, acima de tudo, uma missão diária. Tudo o que até agora viste os teus pais a fazer por casa, e que tu também fizeste, em escala reduzida, compete agora a ti. Limpar, lavar roupa, passar a ferro, cozinhar, lavar a louça, levar o lixo, fazer a ocasional reparação doméstica, está tudo nas tuas mãos. Por isso, se ainda não o começaste a fazer, aproveita os dias que tens para entrar nesta parte da vida doméstica. Passa a ferro as camisas do teu pai, vai tu lá fora levar o lixo, faz o almoço, o que custa mais é aquecer o motor, e se o aqueceres agora, vai ser muito mais fácil depois. Muito em breve vais estar no ponto de ir a correr para o estendal assim que ameaça vir chuva.

Agora, para a parte difícil… Gerir dinheiro. Isto é algo que todos nós temos que aprender a fazer, mas ti vai ser especialmente duro, não que os teus colegas não sofram do mesmo, a diferença é que enquanto pensam todos em que noites ir para a farra e quanto gastar, vais-te lembrar que também tens uma dispensa a abastecer para os próximos meses. E, acredita, se achas hoje que sabes o quanto o dinheiro voa, espera até veres quanto gastas numa ida ao supermercado em relação ao que trazes. Vão haver umas noites piores que outras, claro. O fim do mês será sempre aquela marca para suspirar “Sobrevivi.”. Nessas alturas, não te esqueças que nunca estás verdadeiramente sozinho. Pede conselhos aos teus pais, ouve bem o que eles dizem, fala com os teus amigos, discute a situação, não tenhas vergonha do que estás a passar porque, mais tarde ou mais cedo, todos o passaremos. E a enfrentar dificuldade juntos, vão todos sair mais fortes.

Hás de reparar que mal toquei no assunto “faculdade” até agora. Isto porque, para todos será diferente e de certeza que já leste e ouviste MUITOS testemunhos de pessoal a falar de todos os aspetos do Ensino Superior e, verdade seja dita, também não quero desmistificar este encanto. É a melhor e a pior altura da tua vida, apenas te posso recomendar em seres sempre aberto, não te acanhes de nada, não tenhas medo de cometer erros e DIVERTE-TE.

Por fim, um último conselho de mais um estudante em “Erasmus Nacional”: Sejam os caminhos de ferro de Paço d’Arcos ou a beleza natural das Sete Cidades, vais ver muitas coisas que nunca viste na vida. Este desafio acima de tudo, vai-te fazer crescer. Abraça-o, absorve o que puderes. E boa sorte, estou a levantar um copo por ti.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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