Maria (M.): Fala-nos um pouco do teu curso, em que consiste e quais são as suas saídas profissionais.

Ana Rita Carvalho (A.R.C.): Conseguimos encontrar bastantes definições na internet daquilo que é a Terapia Ocupacional (TO), no entanto, penso que nenhuma consegue explicar completamente esta profissão. Um Terapeuta Ocupacional tem como objetivo final fazer com que o seu utente atinja o máximo de autonomia e independência no seu dia a dia. Para isso, um TO avalia o paciente para perceber quais são os obstáculos (físicos, cognitivos, sociais, etc…) que este apresenta ou aqueles que existem no ambiente que o rodeia. Depois disto, começa a sua intervenção que visa eliminar ao máximo esses obstáculos através de atividades baseadas nas ocupações (designa-se por ocupação tudo o que fazemos no dia a dia – comer, vestir, conduzir, brincar, trabalhar, passear o cão, etc…) ou com adaptações no meio ambiente. Trabalhamos tanto com bebés como com idosos, olhando a pessoa sempre como um todo e tendo sempre em conta toda a sua história.

A nível de saídas profissionais, um TO pode trabalhar em hospitais, clínicas de reabilitação, escolas, prisões, lares, centros de dia e muitos outros sítios. As opções são variadas. Somos frequentemente confundidos com fisioterapeutas ou animadores socioculturais, mas eu costumo dizer que para descobrir onde está o TO, basta procurar pela pessoa que trabalha com um sorriso na cara.

André Ruivo (A.R.): A Terapia Ocupacional habilita os utentes para a ocupação de forma a promover a saúde e o bem-estar. Com este objetivo atua, em parceria com pessoas e organizações, na otimização da atividade e da participação, de forma satisfatória e organizada, potenciando a autonomia nas atividades que o utente considera significativas, como, por exemplo, cuidar de si próprio (autocuidados), atividades na comunidade, entre muitas outras.

O terapeuta ocupacional pode trabalhar em entidades públicas e privadas de apoio educativo (escolas e instituições de ensino regular e especial, etc.), de apoio social (idosos, deficientes, minorias étnicas, estabelecimentos prisionais, etc.) e de cuidados de saúde (Hospitais Gerais e Especializados, Centros de Saúde, Companhias de seguros, Clínicas/Centros de Reabilitação, Assistência ao Domicílio, etc.).

Beatriz Raimundo (B. R.): Estou, neste momento, no 4º Ano da Licenciatura em Terapia Ocupacional. Este é um curso centrado no paciente e na crença de que o Ser Humano é um ser ocupacional. Assim, aprendemos a trabalhar com pessoas que não podem participar totalmente nas suas atividades diárias devido a incapacidades físicas, cognitivas ou emocionais, através do desempenho de ocupações significativas, promovendo a saúde e o bem-estar.

Desta forma, podemos vir a trabalhar junto da comunidade, em cuidados continuados, no apoio ao domicílio, em hospitais, em centros de reabilitação ou de saúde, em escolas de ensino regular e especial, instituições para idosos, em estabelecimentos prisionais e no atendimento a toxicodependentes.

Joana Caixeirinho (J. C.): A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que utiliza metodologias e atividades/ocupações específicas de acordo com o significado e necessidades do indivíduo. Por outro lado, o terapeuta pode utilizar produtos de apoio ou adaptações, quando a disfunção ocupacional tem por base a ausência de função e esta não pode ser recuperada. Pode também intervir no ambiente familiar, social ou profissional do indivíduo, ao aconselhar os familiares ou cuidadores, criar oportunidades de envolvimento, adaptar o espaço às necessidades do mesmo  e/ou eliminar as barreiras arquitetónicas.

Resumindo, tem como objetivo principal maximizar o equilíbrio e a adaptação entre o que a pessoa quer e necessita fazer e a sua competência para o realizar, de forma a manter os seus papéis, hábitos e rotinas e, consequentemente, o seu desempenho ocupacional.  Algumas das saídas profissionais são: Unidades de Cuidados Continuados Integrados, Apoio Domiciliário, Estruturas Residenciais para Idosos, Hospitais, Centros de Reabilitação, Centros de Saúde, Escolas de ensino regular e especial, centro de atividades ocupacionais, estabelecimentos prisionais, etc.



 

M.: O que te levou a escolher o teu curso e que factores tiveste em conta? Foi a tua primeira escolha?

A.R.C.: TO foi a minha segunda opção. Durante grande parte do meu secundário,  pensei que o meu futuro passava por ser fisioterapeuta e foi exatamente essa a minha primeira opção. Quando não entrei, admito que fiquei um pouco desanimada mas quis experimentar este curso antes de pedir transferência para qualquer outro lado. E foi a melhor decisão da minha vida. Acabei por me apaixonar por TO e hoje, já finalista, não me consigo imaginar a fazer outro trabalho.

Os fatores principais que tive em conta para decidir os cursos que queria foram a empregabilidade e o gosto pela área. Mas admito que deixei a empregabilidade um pouco de parte. Sempre fui defensora de que ninguém consegue ser muito bom a fazer uma coisa de que não gosta.

A.R.: A maioria dos estudantes que terminam o ensino secundário continuam com dúvidas acerca do curso a escolher. Honestamente, eu não conhecia de todo a profissão, apenas tive conhecimento do curso nos últimos momentos da pré-candidatura ao ensino superior, através do site da Direção-Geral do Ensino Superior. Eu queria, efetivamente, entrar num curso que estivesse ligado à saúde e que, essencialmente, me permitisse ter um impacto positivo na vida das pessoas. Queria ajudar as pessoas a sentirem-se bem. Deste modo, ao dar de caras com o curso, percebi que (e recorrendo ao pensamento de há dois anos), como terapeuta ocupacional iria reabilitar pessoas física e psicologicamente. Sim, este foi o meu pensamento inicial, e as valências que me suscitaram real interesse foram a reabilitação física e a saúde mental.

Em continuidade, o curso existe, atualmente, em quatro escolas superiores: Escola Superior de Saúde de Leiria, Escola Superior de Saúde de Alcoitão, Escola Superior de Saúde do Porto e Escola Superior de Saúde de Beja. Ao escolher o curso tive em conta aspetos financeiros, e decidi colocar como primeira opção Leiria, uma vez que fica perto do local onde vivo, escusando eu de ter custos associados ao alojamento. Outro fator de escolha foram as atividades extracurriculares que me preenchem o tempo e as quais não queria abandonar.

B. R.: Terapia Ocupacional foi a minha primeira escolha. O que me levou a escolher o curso foi uma das disciplinas lecionadas no Curso de Especialização Tecnológica em Psicogerontologia. Um dos fatores importantes para a escolha da Terapia Ocupacional foi este ser um curso bastante prático onde trabalhamos principalmente para o bem-estar das pessoas.

J. C.: Quando concorri ao Ensino Superior, confesso que não sabia o que era a Terapia Ocupacional e foi um amigo Fisioterapeuta que me falou pela primeira vez nesta profissão maravilhosa. Sempre pretendi frequentar um curso relacionado com a saúde, mas sentia-me com muitas dúvidas! Foi a minha segunda opção, mas se fosse hoje teria colocado como primeira.

 

M.: O que é que te surpreendeu pela positiva e pela negativa no curso?

A.R.C.: O facto de eu não saber de todo o que era o curso fez com que as surpresas fossem bastantes frequentes. O facto de o meu curso, na minha, escola ser organizado por um modelo diferente chamado PBL (Problem Based Learning) foi uma das maiores surpresas pois enquanto que os meus amigos que entraram também na faculdade tinham cadeiras específicas com regime semestral ou trimestral, eu senti-me um pouco perdida pois tinha que me adaptar ao ensino superior e a um regime de estudos completamente diferente. Mas ao longo do tempo fui-me adaptando e o PBL acabou por surpreender muito pela positiva.

A.R.: Pela positiva surpreendeu-me o facto de o curso na ESSLei possibilitar a realização de cinco estágios curriculares ao longo dos quatro anos de licenciatura, sendo que me senti bastante impressionado e cada momento foi gratificante, pois, sem dúvida, os estágios são a melhor forma de entender se gosto mesmo do curso e quais as valências que me suscitam mais interesse. Em seguimento, surpreendeu-me a boa relação que existe entre os professores e os alunos. Os professores estão sempre dispostos a ajudarem-nos e promovem um ambiente de confiança connosco. Para além disto, a maior parte dos nossos professores encontram-se no ativo, isto é, a maioria deles são mesmo terapeutas, o que é vantajoso para nós e permite-nos realizar um ligação entre as aulas e a prática da profissão. Como aspeto negativo, menciono a grande carga horária e o horário pós-laboral a que somos sujeitos na maioria das vezes (uma vez que os professores apenas podem dar as aulas após o período de trabalho de cada um, à exceção dos professores efetivos na escola).

B. R.: Algo que é bastante positivo neste curso, é este ser lecionado na maioria por Terapeutas Ocupacionais que têm uma grande experiência profissional, sendo que alguns mantêm em simultâneo a prática clínica. Outros pontos positivos são a existência de laboratórios de reabilitação, dotados de equipamentos e recursos como uma cozinha e casa de banho adaptada, materiais para a conceção de talas, entre outros. Este também é um curso em que se começa a estagiar desde cedo (2ºano), permitindo relacionar os conteúdos teóricos com a prática clínica.

Pela negativa, talvez realce a carga teórica no 1º ano. O 1º ano é o ano da descoberta, muitos dos alunos acabaram de sair do secundário e entram num nível completamente diferente. No entanto, é de referir que essa carga é totalmente necessária para assimilar todos os conteúdos lecionados nos anos seguintes.

J. C.: Surpreendeu-me pela positiva o impacto tão significativo que a nossa atuação pode ter na qualidade de vida de cada pessoa. Pela negativa, o desconhecimento por parte da população em geral e de, muitas vezes, confundirem a nossa profissão com a fisioterapia ou com a animação. Mas, acredito que este tabu está a desaparecer e a Terapia Ocupacional começa a ter o reconhecimento devido.



 

M.: Como tem sido a experiência de estudar nesse curso? O que é que te marcou mais?

A.R.C.: Penso que é quase impossível expressar por palavras como tem sido a experiência de tirar este curso. Mas consigo dizer com toda a certeza que o que mais me tem marcado são, sem dúvida, os estágios. Ou melhor, as pessoas que conheço nos mesmos. Como TO’s, para conseguirmos perceber quais são as necessidades de uma pessoa, precisamos de perceber como era, como é e como quer que seja a sua vida. Para isso precisamos de conhecer completamente a pessoa: o que sente, o que pensa, o que quer… e isso desenvolve em nós um espírito de empatia muito grande. É com essa empatia que olhamos para a história de cada uma das pessoas. É a ouvir cada história de vida, a olhar para cada progresso e a ouvir cada agradecimento que eu acho que se forma o amor pela profissão. E é exatamente isso que me marcou e continua a marcar: as pessoas. Pessoas diferentes que no final precisam todas do mesmo: independência, autonomia e bem-estar. E é para isso que aqui estamos nós.

A.R.: O que me marcou mais foi, sem dúvida, todas as amizades que tenho feito e as vivências que a faculdade me proporcionou. Agora, estou numa turma em que me identifico mais com cada um dos meus colegas, e com os quais passo mais tempo e momentos divertidos e prazerosos.

B. R.: A experiência tem sido bastante boa. Aquilo que me marcou mais foram todas as experiências em regime de estágio, pois é aí que conhecemos as diferentes áreas de atuação e que compreendemos qual é área que queremos seguir profissionalmente. Também trabalhamos em conjunto com diferentes Terapeutas Ocupacionais, o que é uma enorme mais-valia.

J. C.: A experiência foi muito boa. Há sempre aquela ou a outra disciplina com que nos identificamos menos, mas de uma forma geral a experiência foi bastante enriquecedora. Marcou-me imenso e, sei que a todos os meus colegas, termos frequentado a primeira turma de Terapia Ocupacional da Escola Superior de Saúde de Beja. Criámos o logótipo do curso e participámos no processo de acreditação da licenciatura. Considero que o corpo docente é muito forte, mas não posso deixar de referir o nome da professora que mais me marcou, que foi a Professora Cláudia Quaresma, a primeira coordenadora da licenciatura.

 

M.: Como descreverias a tua adaptação ao ensino superior? Quais foram os teus principais desafios?

A.R.C.: Admito que inicialmente não foi nada fácil. Sempre vivi numa cidade pequena onde toda a gente se conhecia e de um momento para o outro fui para uma grande cidade, sem conhecer ninguém, a ir viver com pessoas que nunca tinha visto na vida… foi um momento assustador. Penso que o é para qualquer um na mesma situação. E nos primeiros tempos, só queria que chegasse a sexta-feira para poder ir para casa e comer comida da minha mãe. Mas com o tempo, uma pessoa começa a habituar-se e a perceber que é ali, naquele momento, que temos que crescer. Que temos que começar a enfrentar os nossos problemas sozinhos e a sermos responsáveis pelas nossas próprias escolhas.

A.R.: Considero que a minha adaptação ao ensino superior foi bastante boa. Consegui adaptar-me satisfatoriamente à vida académica, às aulas, aos professores, à cidade e, considero que, a praxe foi um excelente método de inclusão, pois, a partir dela, conheci, inicialmente, os meus colegas de turma e, seguidamente, muitos colegas de escola. Relato que não notei grande dificuldade ao nível do ensino universitário, adaptei-me às novas exigências que foram impostas. Considero que, pessoalmente, cheguei ao ensino superior com boas bases e competências que me providenciaram um bom sucesso escolar. Contudo, não menosprezo o papel importante que os professores tiveram naquela fase nova da minha vida… Todos eles foram, e continuam a ser, incansáveis com toda a turma, ajudam-nos e estabelecem uma boa relação connosco, para além de fornecerem todo o material essencial para a nossa aprendizagem. Os meus principais desafios foram fazer os “cadeirões” do curso, aquelas disciplinas que nos dão dores de cabeça e nos fazem desesperar, tal como a Anatomia, por exemplo, mas com dedicação e empenho tudo se consegue.

B. R.: Penso que a adaptação é sempre um pouco complicada para quem entra pela primeira vez numa licenciatura. O principal desafio será sempre aprender a gerir o tempo, sabendo as nossas prioridades.

J. C.: O facto de ter estado envolvida na praxe, ajudou-me bastante na adaptação ao ensino superior, tanto na socialização como no companheirismo e responsabilidade. Quando saímos da casa dos pais e temos o “mundo” por descobrir é fácil perder o foco, no entanto, consegui sempre com as minhas colegas cumprir todos os objetivos a que nos propusemos.

 

M.: Achas que o teu curso te prepara para o exercício da profissão, isto é, que adquires as principais competências que um profissional dessa área deve ter?

A.R.C.: Sem dúvida. Principalmente porque temos estágios durante os 4 anos e eu considero que se aprende tanto ou mais aí do que propriamente nas aulas.

A.R.: O curso na minha escola, pessoalmente, prepara muitíssimo bem os alunos para a prática profissional futura. Ao longo do curso, temos variadíssimas disciplinas direcionadas para todo o tipo de áreas em que podemos intervir, já para não falar dos cinco estágios curriculares que temos durante os quatro anos de licenciatura, que são deveras enriquecedores. Para além disto, o meu curso apresenta uma vertente muito prática, pelo que as aulas, para além da componente teórica, alegam uma componente prática bastante complexa e esclarecedora das competências necessárias à profissão.

B. R.: Sim, como já referi, é um curso bastante prático. Adquirimos bases que todos os terapeutas devem ter como anatomia e fisiologia, biomecânica, disfunções do desempenho ocupacional, dinâmica ocupacional e metodologias de avaliação e de planeamento de intervenção. Sendo uma das cadeiras mais importante a de Estágio, onde podemos aplicar aquilo que aprendemos tanto nas disciplinas teóricas como práticas

J. C.: Sim, penso que prepara muito bem. Ao longo dos 4 anos temos muitos estágios e o facto dos nossos professores estarem na prática, torna a transmissão de conhecimentos mais enriquecedora.



 

M.: Consideras o teu curso difícil? Porquê?

A.R.C.: Sinceramente, não o considero difícil, mas sim exigente a nível de trabalho, pois o método de estudo não permite que estejamos muito tempo sem nada para fazer. No entanto penso que isso ajuda a sermos mais autónomos.

A.R.: Sinceramente, o meu curso não é difícil, tudo depende da vontade e empenho de cada um. Obviamente, o grau de exigência de uma licenciatura é grande, contudo, temos de ter maturidade suficiente para dedicarmos o tempo necessário à escola. Há tempo para tudo, basta sabermos gerir o nosso tempo da melhor forma e não descurarmos o trabalho.

B. R.: Tem a sua dificuldade, isto porque existem cadeiras muito complexas e que exigem bastante esforço. No entanto, o esforço é sempre recompensado!

J. C.: Considero que é necessário muita pesquisa, trabalho e dedicação. Claro que há sempre aquela unidade curricular que nos assusta mais e que nos deixa em “desespero”, mas tudo se faz 🙂

 

M.: Quais são as tuas expectativas no que toca à entrada no mercado de trabalho? Que perspectivas tens?

A.R.C.: Isso é algo em que penso bastante nos últimos tempos, visto que estou no último ano. Julgo que, no geral, a minha profissão não está mal colocada a nível de empregabilidade, comparando com as outras no geral. No entanto penso que não será fácil. Mas como em tudo, sem trabalho nada se consegue e eu sinto-me pronta para ingressar no mercado de trabalho e exercer aquilo que mais gosto de fazer.

A.R.: As minhas expectativas são boas, até porque ainda não existem muitos profissionais da área no mercado de trabalho. Esta é uma profissão que está em crescente evolução e cuja oferta de trabalho ainda é relativamente satisfatória. Futuramente, vejo-me a trabalhar na área da reabilitação física ou na área da saúde mental e psiquiátrica. Mas o futuro é incerto e pode reservar muitas surpresas.

B. R.: As minhas expetativas são boas, mas existe sempre a preocupação do que fazer quando terminar o curso e se existe a probabilidade de arranjar emprego na área profissional.

A minha perspetiva é exercer a minha atividade profissional num serviço hospitalar, num lar de idosos ou em meio aquático. São as vertentes que mais me chamam à atenção e nas quais eu sinto-me mais capaz para fazer um bom e rigoroso exercício profissional.

J. C.: Quando terminei o curso organizei, de imediato, o CV e a carta de apresentação e comecei a enviar candidaturas espontâneas. Nessa altura, foi fácil conseguir emprego na área e ao que sei a taxa de empregabilidade da minha turma é de 100%.

 

M.: Pensas em continuar a estudar para um mestrados/doutoramentos ou pós-graduações?

A.R.C.: Para já, não. Estou com intenções de tirar formações específicas em certas áreas mas mestrado não. Futuramente, talvez.

A.R.: Sim, penso verdadeiramente em tirar uma pós-graduação ou um mestrado na área da terapia ocupacional.

B. R.: Claro, penso em aprofundar os meus conhecimentos através de um Mestrado na área de Gerontologia, mas é algo para o futuro. De momento, foco-me em acabar a licenciatura e de seguida conseguir um trabalho na área, só depois o Mestrado.

J. C.: Sim, sem dúvida. Na nossa área é muito importante não estagnar.



 

M.: Se soubesses o que sabes hoje, candidatavas-te para o mesmo curso novamente? Porque?

A.R.C.: Não. Se soubesse o que sei hoje, teria posto TO como primeira opção, sem dúvida alguma. Não me imagino a exercer outra profissão.

A.R.: Para ser sincero, se soubesse o que sei hoje, e se fosse possível voltar ao passado, efetivamente tinha-me dedicado muito mais no ensino secundário, de forma a terminar o secundário com uma melhor média e entrar num curso que mais me valoriza pessoalmente (pois, de facto, a média é uma condicionante forte). Contudo, não posso negar que gosto do meu curso, pelo menos, até agora, tenho gostado imenso, e toda a experiência que me proporcionou até ao momento provocou em mim sentimentos positivos. Claro que é normal existirem dúvidas e questões como “E se eu estivesse noutro curso?”. O que profiro é que é impossível gostarmos a 100% do curso, o importante é confiarmos e acreditarmos em nós próprios.

B. R.: Sim, faria a mesma a escolha. Porque é um curso motivante e que me desafia.

J. C.: Colocaria Terapia Ocupacional na 1ª opção, porque considero que é uma profissão muito importante na promoção da qualidade de vida dos indivíduos que apresentam disfunções ocupacionais.

 

M.: Que recomendações deixas aos futuros candidatos ao ensino superior?

A.R.C.: Sejam corajosos para seguirem o que realmente querem. Não deixem que ninguém decida por vocês nem vão para um curso só porque a vossa nota dá para ele. Sejam corajosos para experimentar o curso em que entraram mesmo que não seja a vossa primeira opção. Podem acabar por se surpreenderem como me aconteceu! Estão a entrar na fase da vossa vida em que vão perceber quem realmente são e que pessoas serão. Nós somos o futuro. Não se fiquem pela escola. Não pensem que tirar um curso basta. Envolvam-se em atividades: tunas, voluntariados, projetos, ativismo… envolvam-se no que achem que se devem envolver. No que acreditam.

A.R.: Não se deixem influenciar pelas opiniões dos outros, candidatem-se a um curso de que realmente gostem e no qual se sintam felizes e concretizados. Caso entrem num curso e não tenham a certeza se é o mais indicado para vocês, não se assustem e não desistam logo: é normal haver dúvidas e, certamente, não gostarão de todas as disciplinas que abordarão. Ao longo do tempo perceberão qual o vosso verdadeiro papel no curso.

Entrar na faculdade é uma experiência única e inolvidável. Aproveitem ao máximo tudo o que a vida académica vos proporcionará. Estabeleçam relações interpessoais, aventurem-se deliberadamente, entrem no espírito académico e dediquem-se ao máximo à escola.

B. R.: Aos candidatos, digo para escolherem um curso de que realmente gostem, porque de nada serve estarem num curso cuja taxa de emprego é elevada se depois estão quatro anos infelizes. Pesquisem bastante sobre os diferentes empregos, pensem nos cursos que lhes dão acesso, e tentem imaginar-se  nos mesmos. De nada serve, estarem em algo que não vos realiza e no qual não vão dar 100% de vocês.

Em especial aos candidatos de Terapia Ocupacional, espero que venham empenhados e que acreditem que todas as pessoas são capazes independentemente da sua condição. Olhem o Ser Humano como alguém que se constrói e que se transforma. Pois o Terapeuta Ocupacional, desenvolve estratégias para que cada pessoa possa ser autónoma.

J. C.: Que aproveitem ao máximo, tudo o que a vida académica proporciona. Conseguem, perfeitamente, sair com os amigos, descansar e passar nas frequências. Nem sempre é fácil…nem pensar! Mas organização e trabalho e terminam o curso no tempo estipulado!

 

M.: O que dizem… as tuas notas?

A.R.C.: As minhas notas dizem que eu sou uma pessoa que conseguiu, ao longo destes quase 4 anos de curso, conciliar as festas e os testes. As minha notas relatam a história de uma pessoa que nunca se arrependeu das horas que não estudou, porque no final não são só essas horas que contam. Sobre se serei boa profissional ou não, as minhas notas não dizem nada sobre isso pois não são elas que o definem.

A.R.: As minhas notas refletem a minha dedicação ao curso. Sinto-me contente pelo balanço positivo das minhas notas e por sempre ter passado a tudo. Claro que houve algumas cadeiras em que gostaria de ter alcançado um melhor resultado, mas temos de ter em conta que há condicionantes que não podemos descurar, como, por exemplo, a falta de tempo, ou quando temos muitas avaliações seguidas que não nos permitem dar o melhor de nós a tudo.

No entanto, é bom não esquecer que as notas nem sempre proferem tudo, as competências pessoais e tudo o que vai para além da teoria revela muitas coisas que são realmente importantes.

B. R.: As minhas notas dizem que estou a tentar dar o meu melhor, no entanto creio que as não revelam aquilo que serei enquanto profissional. Existe pessoas que têm notas altas em disciplinas teóricas e que depois, na prática, não conseguem refletir os conhecimentos e vice-versa. Acho que estamos numa época em que a média sim, é importante, mas no final o que conta é a experiência profissional de cada um.

J. C.: Refletem muito trabalho e companheirismo entre colegas, pois sempre tive um grupo de trabalho excecional, o que facilitou muito o meu desempenho ao longo do curso. Sempre tentei fazer o melhor que conseguia. Nem sempre foi fácil, mas com trabalho tudo se consegue. Prova disso foi a notícia que tive recentemente da atribuição de uma bolsa de mérito referente ao ano lectivo de 2013/2014.

 

Ana Rita Carvalho é aluna da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto, André Ruivo da Escola Superior de Saúde da Instituto Politécnico de Leiria e Beatriz Raimundo e Joana Caixeirinho são estudantes da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Beja.