Nunca gostei de despedidas e nem sei bem o que elas significam. Já me aconteceram algumas. Que doeram e que deixaram saudades. Como aquelas que irei sentir por ti. Também vão doer. Gostava de nunca ter de me despedir. Mas estou na reta final e por mais que a tua beleza seja motivo para ficar, está na altura de me deixares partir.

Não te estou já a dizer adeus. Mas quero pedir-te desculpa por não teres sido a minha primeira opção. Na verdade não conhecia o que escondias. Mas descobri-te os segredos e logo percebi que não havia mais nenhum lugar no mundo onde eu pudesse estar. Fizeste-me ser tua como se aqui tivesse nascido. Fizeste destes três anos os melhores anos da minha vida. E por mais agradecimentos que te faça, nenhum deles é suficiente para te agradecer tudo o que fizeste por mim.

Foste a minha segunda mãe. Protegeste-me sempre em que as noites de festa me levavam de madrugada a casa. Deste-me sempre os melhores conselhos mesmo quando haviam pedaços de mim espalhados pelas tuas ruas. E não te falo das vezes em que me deliciei com a tua “Saudade” a vender-me bolos.



Foste a minha segunda casa. E o teu bom dia característico nas “Portas do Sol” sempre me fez ver o quão bonita és. E o quanto te abres para nós. Desconhecidos. Estudantes que chegam sem saber muito bem para o que vieram. Assustados por não te conhecerem e por não saberem o que tens para oferecer.

E ofereceste-me tanto. As pessoas. Principalmente. Conheci tantas. E tão poucas as que levo comigo a partir daqui. Mas deste-me as melhores. E estou-te eternamente grata por essa ser apenas mais uma das maravilhas que me deste.

Que nos deste. Que nos dás. A nós. Que chegamos aqui a saber que a nossa vida de estudante chegou ao fim. E que o “vou só à segunda parte da aula” está cada vez mais longe. Que os jantares com bebida à descrição não vão ser tão frequentes. Que as horas infindáveis na tua biblioteca estão acabar. Que o sobe e desce das tuas ruas são caminhos diários que iremos deixar de percorrer. Que as tuas serenatas à janela são melodias que iremos deixar de ouvir.

Vais deixar-me saudade. Mas bem sabes que todos aqueles que por aqui passam…Aqui regressam. Voltam para os teus braços como se deles nunca tivessem saído. Tens sempre a porta aberta para nós. Mesmo para aqueles que não se despediram de ti. Mesmo para aqueles que te querem ver o mais rápido possível pelas costas. Perdoa-os. Não sabem que lhes deste os melhores anos de vida. E vão ter saudades.

E vão-se arrepender que tudo isto tenha passado tão depressa. Eu já me arrependi. E quem me dera estar a conhecer-te só agora e saber o que tinhas para me dar. E deste-me tanto. E continuarás a dar a todos aqueles que te chegam pela primeira vez. Porque és única, Cidade Neve. E só quem te vive de verdade é que se apaixona como eu me apaixonei por ti.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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