Em 2018, todos os estudantes que ingressaram no primeiro ano da licenciatura da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) vão participar num curso de “Primeira ajuda em saúde mental”.

A iniciativa, pouco usual para um programa de acolhimento e integração de novos alunos, justifica-se dada «a evidência científica em termos de prevalência de problemas e perturbações mentais neste grupo», ao mesmo tempo que procura dar resposta às «preocupações das instituições de ensino superior relacionadas com a necessidade de promover a saúde e bem-estar dos estudantes, não descorando os desafios que as mudanças e transições decorrentes do ingresso implicam».

Quem o diz é Luís Loureiro, professor da área científica de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica e dinamizador desta atividade formativa que se realiza já amanhã (19 de setembro), ao longo de todo o dia.



«A deslocalização da área residência, que acontece em grande parte dos casos, implica a separação da família e dos amigos e o distanciamento da rede de suporte familiar e social. Por outro lado, a adaptação a esta nova realidade (casa, cidade, instituição de ensino), que determina o estabelecimento de novas relações e vínculos interpessoais e sociais, com ênfase para a descoberta de novos amigos, dos professores e do ambiente e vivências académicas, são parte de um conjunto substancial de desafios que os jovens enfrentam na transição e ingresso no ensino superior», explica o docente e investigador da ESEnfC, responsável pelo programa de Primeira Ajuda em Saúde Mental em Portugal, em comunicado enviado ao Uniarea.

Luís Loureiro destaca alguns dos problemas de saúde mental mais comuns no período que antecede o ingresso no ensino superior, como depressão, perturbações do comportamento alimentar, comportamentos autolesivos e perturbações obsessivo-compulsivas.

Avaliações e testes, sobrecarga académica, pressão para o sucesso, competição entre os pares, medo de cometer erros (no contexto de ensino clínico, em contacto com as expetativas e com o sofrimento dos utentes dos serviços de saúde) e eventuais dificuldades económicas, são, de acordo com o professor da ESEnfC, outros momentos de elevada pressão.

«Nos estudantes do ensino superior, a maioria dos problemas relatados incluem ansiedade, depressão e perturbações psicóticas, sendo o nível de distress (stresse negativo, que surge quando o organismo não sabe adaptar-se a uma nova situação) bastante elevado. No caso da depressão, as revisões sistemáticas efetuadas, assim como estudos primários, indicam valores de prevalência muito elevados, ao ponto de serem superiores aos da população em geral», sublinha, ainda, Luís Loureiro.

O curso de “Primeira ajuda em saúde mental” procura sensibilizar para a saúde mental, mas também ensinar os estudantes a atuarem de modo adequado em termos do apoio a prestar a alguém que necessite, promovendo e facilitando a procura de ajuda em saúde mental. A redução do estigma e da discriminação sociais associados a estes problemas, muitas vezes responsáveis pelo agravar das situações de saúde, são outros objetivos desta formação.

Cerca de 350 estudantes estão matriculados, até ao momento, na licenciatura em Enfermagem da ESEnfC, cujas vagas disponibilizadas na 1a fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior foram totalmente preenchidas.