O ensino superior começa daqui a pouco mais de um mês e é normal que comeces a pensar nos custos que estes 3 a 6 anos podem trazer. Já te tínhamos falado dos apoios disponíveis para os estudantes do ensino superior, mas agora queremos falar do resto: propinas, alojamento, alimentação e transportes. Com base numa recolha efetuada pelo Observador,  falamos-te aqui das despesas a ter em conta de norte a sul do país.

 

Propinas e taxas de inscrição

As propinas serão uma das tuas grandes despesas, com um valor que é fixado todos os anos no início do ano letivo pelas universidades e politécnicos. Fica aqui uma lista das propinas praticadas, sendo que nas instituições em que não encontramos o valor para este ano letivo consta o preço no ano letivo anterior:

A grande maioria das universidades e politécnicos vão manter o valor das propinas, relativamente a 2016/2017. Os Institutos Politécnicos do Cávado e do Ave (IPCA) e de Coimbra são as instituições que registam o maior aumento (50 euros) enquanto o politécnico da Guarda ainda está a decidir se irá manter a propina nos 950 euros.

A propina anual do IPCA passará a custar 830 euros, em vez de 780. Um aumento de 6% que, de acordo com o Gabinete da Presidência, “irá reverter na sua totalidade para uma melhoria nas infraestruturas no Campus do IPCA, de forma a oferecer melhores condições aos estudantes e a toda a comunidade académica”.

No caso do Instituto Politécnico de Coimbra, houve um aumento de 50 euros — de 1000 para 1050 euros e de 950 para 1000 euros –, à exceção da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, cuja propina aumentou 25 euros (1025 para 1050 euros).

A Universidade dos Açores também aumentou o custo dos seus cursos mais baratos. Em 2017/2018, passarão a custar 995 em vez de 990 euros.

No caso das universidades, é o Algarve que tem a propina mais barata (969,83 euros), seguindo-se alguns cursos da Universidade dos Açores (995 euros) e a Universidade do Porto (999 euros). Esta universidade e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo mantêm o mesmo preço (999 euros anuais) há pelo menos sete anos.

Relativamente aos politécnicos, os mais baratos são os Institutos Politécnicos de Beja e Bragança (780 euros e 785 euros). De qualquer forma, e de um modo geral, as propinas dos politécnicos são mais baixas. Na maioria dos estabelecimentos, a prestação anual situa-se abaixo do limiar dos mil euros, à exceção dos institutos politécnicos de Lisboa, Leiria e Coimbra — o politécnico da capital é o único que cobra a propina máxima (1.063,47 euros).

Muitas vezes, contudo, à propina, acresce o valor da inscrição e/ou seguro — valor que varia consoante as universidades e politécnicos.

Nos anos 1990, tirar um curso superior em Portugal custava cerca de 200 euros por ano, um valor muito diferente do atual. Desde então, os valores não pararam de subir. Em 2003, as licenciaturas atingiram os 800 e 900 euros e, em 2012, ultrapassaram a barreira dos mil euros em muitas instituições. Ao valor das propinas, acresce a taxa de inscrição, os seguros ou outros emolumentos fixados por cada instituição.

Um estudo do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, que inquiriu 1087 estudantes do ensino público e privado, concluiu que tirar um curso superior é hoje mais barato do que há cinco anos. Estudar no ensino superior custa, em média, 6445 euros por ano — valor relativo ao ano letivo 2015/2016 –, menos 179 euros ( 2,7%) do que em 2010/2011.

Segundo o Público, que cita o estudo publicado no passado mês de maio, esta redução está ligada essencialmente à diminuição de 217 euros anuais nos custos da educação, isto é, nas despesas com propinas, taxas, livros, equipamentos e material, chegando atualmente aos 1718 euros. Esta redução, contudo, fez-se sentir essencialmente nas instituições privadas, já que nas universidades e politécnicos públicos o valor aumentou ligeiramente.

Os custos da educação para um aluno de uma universidade pública situavam-se nos 1283 euros anuais, em 2015/2016, e 1263 euros em 2010/2011 (mais 20 euros por ano). Já um estudante de um politécnico público, em 2015/2016, gastava 1219 euros por ano e 1214 euros em 2010/2011 (mais cinco euros por ano).

 

Alojamento: Residências vs. quartos alugados

Os alunos deslocados podem ficar alojados em residências universitárias que possuem um baixo custo. Todas as instituições de ensino superior as possuem, excepto o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, em Barcelos, o que poderá mudar em breve. Listamos em baixo o número de residências e camas que cada instituição de ensino possui, bem como o preço por mês praticado para bolseiros e não bolseiros:

Nos últimos anos, várias instituições do ensino superior têm feito um esforço para melhorar as condições de alojamento dos seus alunos. Entre 1998 e 2013, o número de camas disponíveis aumentou 48%, tendo sido registado um crescimento mais acentuado nos institutos e escolas politécnicas não integradas (88%), como refere Pedro Barrias no livro 40 Anos de Políticas de Ciência e Ensino Superior.

As residências universitárias, geridas pelos Serviços de Ação Social de cada instituição de ensino, foram pensadas para os estudantes bolseiros, com menores possibilidades financeiras. Por isso, estes têm sempre acesso prioritário ao alojamento, pagando uma mensalidade inferior à dos estudantes não bolseiros. Apenas as residências do ISCTE não pertencem aos seus Serviços de Ação Social da universidade, apesar de serem geridas pelo instituto universitário.

Há que ressalvar, porém, a situação da residência no Instituto Politécnico do Cávado e Vale do Ave. Este politécnico não tinha residências universitárias até ao ano letivo 2016/2017, altura em que adaptou um edifício antigo no centro de Barcelos para receber os estudantes universitários. Uma vez que o espaço se encontra em obras, as 23 camas desta residência poderão não estar disponíveis. Só em setembro se terá uma resposta concreta, já que tudo está dependente do decorrer das obras.

Até ao ano letivo 2016/2017, valor mínimo estabelecido para os alunos com bolsa era de 73,36 euros mensais, 15% do salário mínimo nacional, mas o esquema para 2017/2018 será diferente.

A Assembleia da República aprovou uma lei, onde estabelece o Indexante de Apoio Social (IAS) — 421,32 euros — como fórmula de referência para os preços do alojamentos e da alimentação para 2017/2018. O valor para os estudantes bolseiros passa assim a ser de 73,73 euros para o complemento de alojamento (17,5% do IAS) e 2,65 euros para a refeição (0,63% do IAS). Esta alteração ainda não foi publicada em Diário da República e entra em vigor no dia 1 de setembro.

Algumas universidades e politécnicos já atualizaram os seus preços para os da legislação que vai ser publicada, mas há outros que ainda não definiram a nova tabela de preços das residências e refeições para 2017/2018. Podem ainda não saber se os valores atualmente em vigor — os do ano passado — vão ou não ser atualizados até ao início do ano letivo. É o caso da Universidade do Minho e de Aveiro e dos Institutos Politécnicos de Viana do Castelo, de Bragança, da Guarda, de Coimbra, Lisboa e de Setúbal.

Tendo isto em conta, é possível que haja uma alteração dos preços para o alojamento e da refeição até ao início do próximo ano letivo nas instituições que ainda não adotaram os preços da nova legislação.

Ainda assim, as universidades e politécnicos não são obrigados a alterar os preços das residências e das refeições para os alunos bolseiros de acordo com o previsto na legislação. A Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico de Portalegre, por exemplo, adiantaram ao Observador que não vão alterar os preços mesmo tendo em conta a legislação que entra em vigor em setembro.

A Universidade de Coimbra e os politécnicos de Viseu e Tomar, por sua vez, referiram que não têm nenhuma indicação de que haverá uma atualização dos preços enquanto a Universidade do Porto disse não estar autorizada a divulgar a tabela de preços.

É importante lembrar que o preço do alojamento está sempre dependente do tipo de quarto (partilhado ou não).

Os estudantes bolseiros que transitam para o segundo ou terceiro ano de faculdade têm sempre prioridade no acesso às residências universitárias. Apesar disso, é sempre guardada uma cota para os novos alunos, de modo a dar resposta a todos.

Para além das residências universitárias, os estudantes deslocados têm sempre a hipótese de alugar um quarto perto da faculdade. Como procurar uma casa pode ser uma verdadeira dor de cabeça: para ajudar, as associações de estudantes e os Serviços de Ação Social costumam ter à disposição dos alunos uma espécie de “base de dados” com algumas propostas de aluguer. Para mais informações, contacte a universidade ou politécnico a que se pretende candidatar.

Para além das residências universitárias, podes optar por alugar um quarto perto da faculdade. Os preços variam muito, dependendo da zona do país, como podes ver neste levantamento:

wdt_ID Distrito Preço p/mês
1 Braga cerca de 100 a 400 €
2 Vila Real cerca de 100 a 250 €
3 Porto cerca de 145 a 400 €
4 Aveiro cerca de 200 a 300 €
21 Setúbal cerca de 150 a 300 €
6 Coimbra cerca de 120 a 450 €
7 Lisboa cerca de 150 a 470 €
8 Évora cerca de 140 a 250 €
9 Faro cerca de 150 a 350 €
10 Madeira cerca de 155 a 200 €
wdt_ID Distrito Preço p/mês

De um modo geral, o alojamento na zona do litoral é muito mais caro do que no interior do país. Alugar um quarto em Lisboa ou em Coimbra (entre 200 a 350 euros), sai muito mais caro do que alugar um quarto na Covilhã ou em Braga (entre 120 a 150 euros), por exemplo.

Como procurar uma casa pode ser uma verdadeira dor de cabeça, as associações de estudantes e os Serviços de Ação Social costumam ter à tua disposição algumas propostas de aluguer. Para mais informações, contacta a universidade ou politécnico a que te estas a candidatar.

 

Alimentação: Cantinas e refeitórios

No que diz respeito à alimentação, a maioria das faculdades dá como referência um valor entre os 100 e os 250 euros mensais. Mas claro que tudo dependerá do estilo de vida que tiveres. Para te ajudar a poupar todas as instituições de ensino superior têm à tua disposição cantinas e refeitórios, que servem diariamente milhares de refeições a preços reduzidos.

Tal como já foi referido, a legislação que entrará em vigor no próximo mês de setembro prevê um custo de 2,65 euros (0,63% do IAS) — antes era de 2,50 euros — para uma refeição completa, composta normalmente por pão, sopa, prato principal, salada e fruta ou sobremesa. Ainda assim, muitas instituições optam por ter preços mais baixos.

De ressalvar ainda que, por vezes, o preço da refeição está dependente da compra ou não antecipada de senha. Noutros casos, a compra de packs de senhas também pode significar uma redução no custo total.

Para mais informações sobre as cantinas ou refeitórios (horários, preços e ementas), consulte o site dos Serviços de Ação Social da instituição a que pensa candidatar-se.

 

Outras despesas

O estudo da Universidade de Lisboa adianta ainda que, ao contrário do que aconteceu com os custos da educação, os custos de vida (as despesas com a habitação, transportes, despesas de saúde e alimentação) registaram um aumento de 0,8% entre 2010/2011 e 2015/2016, fixando-se agora nos 4727 euros anuais.

No caso das universidades públicas, contudo, o custo de vida para um estudante diminuiu 386 euros: em 2015/016 era de 4293 euros por ano e em 2010/2011 era 4679 euros. No caso dos politécnicos públicos, um estudante passou a gastar mais 449 euros: gastava 4505 euros por ano em 2010/2011 e, em 2015/2016, 4954 euros por ano.

As restantes despesas variam muito conforme o curso que irás frequentar. Sugerimos que acompanhes o tópico de discussão acerca deste tema no nosso fórum: Orçamento mensal. Poderás perceber que outras despesas nos estão aqui a escapar e que se apliquem ao teu curso, bem como colocar as tuas próprias questões.

  • Nádia Augusto

    Os alunos que trabalham também têm direito a bolsa de estudo?

  • lorZ

    Muitos parabéns por esta publicação, é verdadeiro serviço público.

    Que tal fazerem uma publicação sobre os bancos que já disponibilizam empréstimos para que possamos tirar um curso universitário? Sei que ainda não é uma forma muito popular de pagar os estudos cá em Portugal, mas nos Estados Unidos e no Reino Unido muita gente recorre a este método e penso que o mesmo vai acontecer em Portugal, mais cedo ou mais tarde.

    • Olá @lorZZ:disqus
      Obrigado pela sugestão. Vamos registar essa como uma ideia para um próximo artigo deste tema. 🙂

  • Carolina Alves

    Fui colocada num curso na 1a fase se me matricular neste curso mas se concorrer à 2a fase e ficar colocada perco o direito à bolsa?

    • Olá @disqus_CgqqrDWXpl:disqus
      Não, a candidatura é transferida para o novo curso. Se tiveres outras dúvidas sugerimos que coloques no nosso fórum:http://uniarea.com/forum/