Coimbra é, e sempre será conhecida, pela cidade que liga pessoas para sempre. Ninguém quer verdadeiramente abandonar Coimbra e o que passamos nesta cidade são memórias de uma vida. Temos a sensação de compreender esta cidade, e fomos aprendendo a conhecê-la, desde os recantos secretos da Alta à Portagem numa tarde de pôr-do- sol. E devemos muito ao Mondego, que nos uniu às pessoas que nos escolheram e que, eventualmente, abriram Coimbra aos nossos olhos.

Ser padrinho ou madrinha é, afinal, uma dose de responsabilidade infinita, que vai durar muito mais que três anos de curso. Os meus quatro afilhados, coitados deles, irão ter em mim a melhor pessoa para lhes mostrar esta cidade, para os fazer valer compreender os valores da praxe, para os levar a conhecer um lado de si próprio que nem eles conheciam. Não passa só pelos apontamentos. Ser padrinho é abrir o peito e gritar bem alto pelo curso, com todas as forças e mais algumas, e esperar que os afilhados percebam o sentimento, a alegria e a vontade de pertencer a Coimbra, de pertencer à família que escolheram no inicio do seu primeiro ano.

Um dos meus padrinhos disse-me, um dia, “obrigado por sentires esta cidade da maneira que só tu sentes”. Se eu a sinto foi porque me ensinaram, porque me mostraram, mesmo sem saberem, o quão bom é estudar em Coimbra e em Letras, o quão gratificante é poder sentir o passar do tempo com a mesma saudade desde o início. O meu dever é transmitir aos meus afilhados os valores que me deram, “amizade, companheirismo, respeito, solidariedade, união.” E fazê-los ver, por fim, o sentido que faz o primeiro cortejo, qualquer uma Balada e serenata, o primeiro trajar, no melhor ano de caloiro que poderão ter. Porque vê-los trajar é uma sensação fraternal, porque cresceram em nós.

A todos os que me acolheram, e a todos os que vou acolhendo.