Uma das coisas mais típicas desta época do ano são os inúmeros “memes” nas redes sociais a comparar o facto de o semestre ir a meio com a maior quantidade de “memes” existentes, tudo misturado e simulando aquilo que digitalmente pode ser considerado como um suspiro de dor face ao facto de o semestre ir a meio e em alguns casos as frequências estarem à porta.

Até aqui não há problema, até porque as frequências são sempre na mesma época todos os anos, mas os hábitos também costumam ser e o conhecimento geral das matérias e o estudo costuma ser tão presente como D. Sebastião.

Mas o que fazer quando tudo parece perdido, quando as disciplinas estão em guerra armada com os estudantes que se esqueceram de trazer as espadas para dominar os campos de batalha das pautas?

Existem alguns truques que podem dar imenso jeito na hora de estudar, escolher o que estudar e quanto ou quando estudar.

 

1 – Percebe que tipo de disciplina é

Esta dica parece estúpida, uma disciplina é aquilo que o nome diz que é e faz parte do curso porque está lá. Mas não é tão linear quanto parece.

Existem vários tipos de unidades curriculares, algumas são bases para outras em semestres seguintes (ou no mesmo semestre) e outras são disciplinas “isoladas” que servem para dotar os estudantes de capacidades que são tidas como necessárias mas que no seu todo não se interligam a outras.

Descobrir quais são os tipos de disciplina e que outras disciplinas podemos já saber que sejam da mesma área científica pode ajudar a motivar a iniciar a estudar.

 

2 – Percebe se são unidades curriculares “em bloco” ou “por partes”

“Ahn?” perguntam vocês. A explicação é simples: Há inúmeras unidades curriculares que toda a matéria se interliga entre si e segue sequencialmente até ao fim do semestre, ou seja na última frequência terás de dedicar novamente tempo de estudo de toda a matéria do semestre, ainda que não seja tudo avaliado. Existem ainda outras disciplinas que a matéria se divide por partes distintas e sem ligação intrínseca entre si, sendo uma disciplina que engloba vários conteúdos multidisciplinares.

Face a esta distinção torna-se muito mais fácil a escolha de tipos de avaliação, já que quando se tem demasiados exames em pouco tempo e não se consegue estudar para tudo simultaneamente e torna-se necessário fazer escolhas lógicas e inteligentes para que não se leve com a máxima “Quem muitos burros toca, algum fica para trás”.

É também importante consultar colegas que já tenham realizado a disciplina para explicarem que tipo de disciplina é e quais as principais dificuldades que encontraram.

 

3 – Procura o material auxiliar correto

Conheces alguém que tem resumos? Ótimo! É importante ver diferentes pontos de vista dos conteúdos ou ter os exercícios e notas das aulas.

O professor cedeu material auxiliar e preferes em formato impresso? Vai imprimir! A calculadora pode falhar as pilhas? Procura umas pilhas na casa, há sempre pilhas perdidas pela casa.

Tal como um padeiro precisa da farinha correta para fazer pão, não se pode descorar a importância do material certo para estudar para a disciplina, especialmente em disciplinas em que os exercícios se tornam a parte mais importante e precisas de corrigir os mesmos à medida que vais estudando (aprendendo com os erros e verificando nos exercícios já resolvidos, complementando com as notas das aulas).

 

4 – Desconstrói a disciplina:

A verdade é que as disciplinas são constituídas por uma panóplia de conteúdos que e interligam (ou não como supracitado) e que tudo junto dá origem à disciplina, disciplina essa que por norma tem uma ficha de caracterização, explicando os conteúdos a lecionar, bibliografia, etc.

A desconstrução da disciplina por partes permite dividir o estudo, mapear mentalmente a matéria de forma lógica e ainda permite que se perceba onde há ou não mais dificuldades ao longo do estudo, tudo porque simplesmente se dividiu os conteúdos num belo (ou rabiscado) índice dos mesmos que pouco mais de 2 minutos demora a fazer.

No caso de disciplinas que requerem bastante prática, realiza exercícios à medida que vais terminando conteúdos, assim consegues estar mais ciente dos mesmos e tornas o estudo mais interativo e fácil de captar.

 

5 – Dedica as horas corretas

Os ECTS são um número com uma sigla estranha que poucos se importam exceto para o cálculo da média de curso, mas a verdade é que são calculados com base no número de horas de trabalho dentro e fora de aula/contacto com o docente que se assumem necessárias para um bom aproveitamento na disciplina, sendo que cada ECTS tem um valor médio de 30h, ou seja, uma disciplina com 8 ECTS tende a ser mais difícil que uma com 6 ECTS. Estes cálculos rudimentares de cabeça podem ser uteis para, num período de tempo tão limitado como o das frequências intermédias, em que cada hora é uma pérola, que se dedique o número de horas correto para o estudo (não sendo necessariamente o número total de horas, já que 30H é quase uma semana completa de um trabalho a tempo inteiro).

Se anotares as horas que estudaste consegues ter também uma referência do tempo que necessitas para conseguir a nota que eventualmente conseguires e assim avaliares o teu estudo.

 

6 – Escolhe o espaço corretamente

Espaço, uma palavra que dá sempre tema para as mais variadas questões científicas, dando também para o assunto do estudo.

Procura um local que te permita estudar concentrado, seja um local público caso prefiras um barulho de fundo, ou um local isolado caso prefiras um local calmo, mas procura sempre o local ideal para ti.

Usares auscultadores e música pode ajudar-te em espaços públicos, como bibliotecas públicas, onde o barulho de fundo pode ser desconcertante, mas tem cuidado para não fazeres dos ouvidos um festival de Verão pois haverá certamente pessoas à tua volta nestes locais que podem preferir silêncio ou um barulho de fundo que não música.

 

7 – Lê, resume, mapeia.

Intercala a leitura com a escrita, com a tua letra e organização espacial da folha, usando para isso a forma que mais te convier e mais fácil te seja (lembra-te, tens pouco tempo para estudar para as frequências).

Um dos truques mais recomendados pelos especialistas é também a utilização de mapas mentais, esquemas visuais para assim fazer uso das múltiplas capacidades de memória como a memória visual.

Se tiveres as correções dos exercícios e notas das aulas deves fazer uso delas também, a prática deve ser lida antes de…

 

8 – …Praticar!

Lembra-te do seguinte: Estás na universidade de forma a aprenderes algo que irás praticar e exercer nos próximos anos de vida (ou assim o é esperado), pelo que se torna insubstituível a prática, quer seja pela interpretação da teoria aprendida, quer seja pela resolução de exercícios, quer seja pela utilização da matéria nos casos mais banais do dia-a-dia.

Vale também lembrar que és sempre avaliado de forma prática, ou seja, até em conteúdos extremamente teóricos irás ser avaliado pela prática em explicar os conteúdos, logo será aqui que vais ter de usar o truque: “Tens tempo para aprender a teoria e fazer todos os exercícios?” ou “Tens tempo para fazer todos os exercícios e aprender a teoria à medida que vais fazendo os exercícios?” (esta última forma de aprender é usada em alguns métodos de estudo lecionados no mundo).

As decisões em relação à forma como tens de exercitar o conhecimento ficam da tua imaginação, mas a necessidade de exercitar é mesmo real.

 

9 – Alimenta-te corretamente

Certamente não leste este texto para aprenderes a alimentares-te, mas é do senso comum e do consenso dos especialistas que uma boa alimentação é a chave para uma vida melhor e mais longa, e neste caso em específico a última coisa que queres é ficar doente antes do exame e após o estudo, por isso alimenta-te de forma saudável e evita as tão afamadas pizzas “low-cost”, comidas rápidas e prefere refeições mais leves e frescas que não te criem uma sensação de barriga muito cheia, pode ser desconfortante e pode mesmo afetar o estudo. Alimentos ricos em vitaminas, minerais e todos os nutrientes são essenciais, não “fast-food” que apenas faz desaparecer o apetite.

Para te manteres desperto durante longas jornadas de estudo, come uma fruta como uma maçã, é um “snack” leve e barato.

 

10 – Bebe água

Se leste o último ponto e achaste que alimentar-te afinal é efetivamente importante, não duvides da água. Dado o facto de estares a ter um esforço mental acrescido, torna-se necessário evitar a sensação de fadiga pela desidratação, já que com um aumento de atividade durante o estudo o cérebro precisa de manter-se a funcionar tal como um automóvel precisa de combustível para andar.

Evita abusar do café e bebidas energéticas, ao contrário do que o senso comum diz acerca da cafeína, ela não desperta mas sim diminui a sensação de cansaço, pelo que beber litros de café para te manter acordado pode não ser a melhor opção.

 

11 – Descansa

Tal como os músculos após um dia duro no ginásio precisam de descanso, o nosso músculo mais complexo, o cérebro, precisa de descanso.

As 7 a 8 horas de sono são as mais recomendadas, mas manter um balanço entre as horas que tencionas estudar e as horas de sono nestas opções é a decisão mais sensata.

Lembra-te sempre que horas a fio de estudo também não são saudáveis e produtivas, descansa pequenas pausas regularmente num sitio confortável e aproveita o tempo para mapeares mentalmente a matéria que estudaste, vai parecer que estás a olhar para o ar mas na verdade estás também a estudar.

 

Vale lembrar que o mais importante de tudo é mentalizares-te que estudar para as frequências é efetivamente necessário e haverá certamente outras oportunidades para todo o tipo de atividades extracurriculares e de boémia que tenhas de colocar em prol do teu estudo e disciplina concluída com sucesso.

Bom estudo.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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