É sabido que Madrid é uma cidade que requer um estilo de vida caro. No entanto, quando me inscrevi no programa Erasmus+ e escolhi uma universidade de Madrid (UAM), não imaginei que encontrar casa se iria tornar num grande desafio. Não esperava que fosse tão complicado arranjar um quarto minimamente aceitável, tanto relativamente às condições como a nível económico.

Com o objetivo de encontrar a melhor proposta, comecei a procurar quarto com alguma antecedência, ou seja, uma vez que ia de Erasmus no segundo semestre, comecei a procurar quarto em meados de outubro/novembro. Acontece que, por falta de informação e também de ajuda por parte das faculdades (tanto a de origem como a de acolhimento) não correu da melhor forma. Acabei por alugar um quarto num apartamento que se situava numa zona muito central da cidade e que aparentava ter ótimas condições. Como ainda não me encontrava em Madrid, tratei de tudo com a senhoria por e-mail, a qual me foi recomendada através do Facebook por “alugar apartamentos apenas a alunos de Erasmus”. Foram-me enviadas fotografias do apartamento, bem como fotografias de imensos recibos de pagamentos para o mesmo NIB, de forma a que me fosse dada alguma garantia de que fosse fidedigno. Supostamente, teria de enviar “às cegas” a totalidade da renda de um mês de arrendamento, de forma a garantir a reserva do quarto. Como era demasiado dinheiro que eu estaria a pôr em risco, decidi propor um acordo à senhoria: apenas transferiria 50% da primeira mensalidade e, quando chegasse a Madrid, entregaria os restantes 50%. O acordo foi aceite. Assinei contrato e depois transferi o montante. Seguidamente, enviei um e-mail com o comprovativo de transferência à senhoria, ao qual me foi acusada a chegada.



Mais tarde, houve alterações na data em que eu estava a pensar ir para Madrid, pelo que enviei um e-mail para a senhoria a perguntar se haveria problema de eu chegar umas semanas mais cedo que o previsto. Não recebi uma resposta. Voltei a mandar um e-mail, mostrando-me preocupada com a ausência de resposta, mas, mais uma vez, não obtive resposta. O que eu mais temia estava cada vez mais próximo de se tornar verdade. Fui vítima de uma burla.

Assim, como já faltava pouco tempo para a viagem, acabei por ir para Madrid sem casa. A minha sorte foi ter conhecido duas raparigas portuguesas, que também iam fazer Erasmus em Madrid, que me deixaram ficar em casa delas até que encontrasse um quarto. Durante os dias que estive em casa delas fui visitar várias casas e acabei por arranjar uma bastante barata e com boas condições, embora que um pouco mais afastada do centro da cidade.

Posto isto, queria partilhar algumas dicas para arranjar casa em Erasmus, para que isto não aconteça com mais estudantes. Em primeiro lugar, não confiem no anúncio se este não estiver em sites de confiança (e.g. Uniplaces), porque só desses terão a certeza de que não haverá burla. Mesmo que o anúncio pareça muito credível, desconfiem sempre. No meu caso, o que me levou a acreditar foi o facto de haver um contrato, ou seja, uma prova do que foi acordado, bem como o comprativo da transferência. Mas atenção: se o contrato não for assinado presencialmente, não tem validade. Em segundo lugar, aconselho a que, em vez de alugarem via internet, vão uns dias mais cedo que o previsto para o destino de Erasmus e procurem casa presencialmente. Isto porque, mesmo que alguns sites sejam fiáveis, a maior parte das vezes, as fotografias que eles colocam nos sites não tem nada a ver com a casa em si. Se forem visitar casas presencialmente, podem ter a certeza de que a casa existe mesmo, de como é exatamente, de onde fica localizada (e os transportes que estão disponíveis na área) e de que assinam o contrato presencialmente. Em terceiro lugar, tenham sempre em conta que compensa alugar um quarto com as despesas já incluídas, uma vez que os senhorios abusam sempre no valor que pedem para as despesas (em Madrid costumam pedir cerca de 50€ por pessoa acrescido ao preço da renda).

Espero ter ajudado. Aproveitem o vosso Erasmus ao máximo!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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