É verdade que a entrada no ensino superior se trata de uma obrigação ou de um objetivo de longa data a ser cumprido, como a realização de um sonho.

Os estudantes do secundário debatem-se diariamente com o estudo intensivo e com as médias que, por uma décima, poderão decidir o seu futuro… sendo esta a diferença entre o curso pretendido ou um que se aproxime (muita vezes induzindo-nos em erro).

Num cenário como este, até parece que é muito difícil entrar na faculdade, mas não é.

Diariamente somos bombardeados com a importância de entrar num curso, numa faculdade de renome e deixamo-nos submeter àquele regime, ritmo e competitividade que por muitas vezes nos deixa desmotivados e esgotados. Esquecemo-nos de que a vida não é só o investimento de tempo e paciência para aquele elemento de avaliação em específico, fazendo aos nossos professores parecer que, quando estamos a ter mais dificuldades, somos incompetentes e acabamos por ser bombardeados com discursos, tais como: “No meu tempo…”, “Vocês não sabem nada”, entre outros discursos que, muitas vezes, são apenas uma perda de tempo precioso.

Meus amigos, a culpa é tanto nossa como das faculdades e da informação que nos é disponibilizada diariamente, chegando ao ponto de nos “desinformar”.

O marketing das faculdades relativamente aos cursos disponíveis e restante perfil curricular é magnifico e extremamente apelativo. O que acaba por ser normal no marketing… sendo o objetivo incentivar e convencer os alunos de que esta é a faculdade e de que este é curso!

Certamente que a longo prazo é verdade. MAS, como é o percurso que nos garante uma taxa de empregabilidade superior a 90%? Será que é apenas isto que interessa? E as atividades extracurriculares que nos darão o desenvolvimento das mais variadas softskills que são cada vez mais esquecidas e importantes para a nossa formação pessoal?

O que é que as empresas procuram quando recebem o CV de um candidato acabado de sair do ultimo exame ou apresentação final de tese?

Meus amigos… vou concluir… não se deixem levar pelo julgamento típico de que aquele estudante que passa à primeira será melhor do que aquele que passa à segunda ou à terceira… até pode acabar por passar com melhor nota, ou não… e se não passou à primeira, das duas uma: ou aprendeu a lição ou então terá investido o seu tempo na formação de outras competências…

O período da faculdade é um dos mais importantes das nossas vidas pois é quando crescemos e aproximamo-nos da realidade existente no nosso país relativamente às mais diversas áreas. Não digo para sermos mestres em todas as áreas porque podemos acabar incompetentes na maior parte delas, mas sermos mestres de nós próprios, saber dar o devido reconhecimento a tudo e todos nas mais diversas áreas e competências, creio que seja o caminho certo para um futuro mais próximo do que cada um idealiza!

Um bem haja e obrigado!

  • DataLegacy

    Os sistemas de doutrinação actuais são simples, a informação está lá ou não está, não existe subjectividade, e é mais fácil de quantificar e avaliar para quem está do outro lado.

    Quem está do outro lado não que saber pois lecciona a mesma cadeira por semestre durante anos e já o faz de olhos fechados. É fácil e está batido.

    A informação é apenas algo circunstancial útil, a universidade não está programada para quem tem uma mentalidade mais empreendedora para desenvolvimento e educação mais autónomas, visão para a modificação/inovação como propósito. São valores contraditórios e conflituosos.

    Porque para se fazer algo propositado e intencional não se pode dispersar tanto. Tem de ser mais focado num problema tangível, e não em pseudo-problemas prefabricados apenas para a indução de 1 combinação de procedimentos.

    Eu também sofro disto porque estou num curso (Tecnologias de Informação) em é suposto ter-se uma mentalidade mais inovadora, mais alternativa e criativa. Não?

    O conhecimento empírico é em grande parte uma questão de motivação e acesso à informação.

    Para 1 que cria e desenvolve outros 100 copiam o procedimento.
    O problema é o desequilibro nestes números.

    As pessoas são o produto da forma como o sistema as modelou a experiência destas em grande parte.

    Vivemos numa era de viragens rápidas que necessitam pessoas mais proactivas e autonomas para o desenvolvimento de soluções que vão além dos padrões existenciais. Numa era de oportunidades inexploradas, em que só não vê quem tem palas de burro e que vive carneirinho que emula absolutamente tudo e desconhece interiormente os propósitos e motivações das coisas serem como são, porque antes de ter sido feito não existia.