O título pode parecer um pouco complexo e confuso, até porque o provérbio diz “à terceira é de vez”. Mas, na verdade, a minha história também não foi muito simples.

Posso dizer que entrei no curso acerca do qual sempre sonhei, mas não na Universidade que pretendia. Lembro-me de pensar em Ciências da Comunicação como “o curso”. Apesar de nutrir um elevado interesse por outras áreas, este era o rumo que eu queria dar à minha vida, o percurso que eu imaginava que contribuiria a cem por cento para a realização do meu grande sonho: ser jornalista.

Ponderei muito e, entendendo que a minha média não seria suficiente para entrar na Universidade que pretendia, candidatei-me a outra como primeira opção. E entrei. Apesar de o plano curricular ser bastante distinto, acreditei que seria feliz. Mas não fui.



E, sinceramente, não quero culpar ninguém. Simplesmente errei em vários pormenores que me fizeram abominar a minha escolha. E aquilo que veio ao meu encontro não foi aquilo que eu esperava. Talvez “abominar” soe como algo drástico e excessivo. Mas, o que é certo, é que este “acidente de percurso” que, no fundo, me fez olhar para tudo através de outra perspectiva, terminou por me enriquecer. Não somente como aluna. Principalmente, como pessoa.

E, deste modo, decidi candidatar-me ao mesmo curso na minha “universidade de eleição” na segunda fase de acesso ao ensino superior. Coloquei Jornalismo e Línguas, Literaturas e Culturas e outros cursos nas outras opções caso não atingisse a tão ambicionada meta.
Vivi alguns dias de terror, devo dizer. A minha mãe dizia que eu tinha cometido um grande erro, enquanto as outras pessoas questionavam-me: “Porque é que saíste do outro curso?”, “Oh Maria, vais mesmo sair deste curso e desta universidade?”. Por vezes, mantinha-me calada. Quando me apetecia, respondia: “Acho que tomei a decisão acertada”. Mas ninguém acreditava em mim.

E, em muitos momentos, eu também não possuía muita confiança nas minhas escolhas. Quando fui colocada na minha segunda opção porque não entrei na primeira devido a uma mísera (não no sentido literal, porque na verdade entendo plenamente a sua relevância por experiência própria) décima, senti que o chão tinha desabado mesmo por baixo dos meus pés. “Porquê?” – esta era a pergunta que surgia vezes a fio no meu pensamento.

Mas aceitei o meu destino e compreendi que, ainda que sempre tivesse sido uma pessoa que concebia o Ensino Superior como um patamar elevado e idílico, que me traria felicidade e realização pessoal, teria que permanecer com os pés assentes na terra e seguir em frente.
E foi isso que aconteceu. Entrei no curso de Jornalismo na ESCS no fim de Setembro. Até agora, posso dizer que ainda tenho algumas dúvidas e duvido da minha vocação para esta profissão com regularidade. Contudo, após todos estes “contratempos”, acredito que, “à segunda” colocação “foi de vez”.

Escrevi este texto para que todas as pessoas que já passaram por esta situação, as que se encontram indecisas acerca do seu futuro e, essencialmente, as que desejam profundamente mudar de vida saibam que, independentemente daquilo que os familiares, amigos, conhecidos, etc. digam, mais vale prestar atenção a todos os conselhos mas ouvir cuidadosamente o seu “apelo interior”, a sua vontade explícita, do que viver angustiado durante três ou mais anos.

E, mesmo que isso envolva alterar o plano A, é óbvio que a nossa sorte e a nossa concretização pessoal podem estar a aguardar-nos nas outras letras do abecedário!

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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