A Finlândia está a preparar a maior reforma na educação de sempre, abandonando o ensino por disciplinas e implementando um ensino por tópicos.

O país é conhecido por ter um dos melhores sistemas de educação do mundo, que ocupa as posições de topo na matemática, nas línguas e na ciência nos prestigiados rankings PISA da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (lista de 2012 aqui). Especialistas e políticos de todo o mundo estudam o seu modelo para perceber os seus segredos e os replicar noutros países.  Apenas países como a Singapura e a China conseguem superar o país nórdico.

Mas a Finlândia não está a descansar nos seus louros. O país está a preparar a maior reforma na educação de sempre, abandonando o ensino por disciplinas e implementando um ensino por tópicos. Algumas disciplinas tradicionais, como Literatura Inglesa e Física, já estão a ser eliminadas das turmas de alunos com 16 anos em escolas da Helsínquia.

Em vez disso, os finlandeses estão a aprender por tópicos, tais como a “União Europeia”, que engloba a aprendizagem de línguas, história, política e geografia. Aqui acabou o esquema atual de aprenderes uma hora de história, seguida de uma hora de química. A ideia é eliminar uma das maiores interrogações dos estudantes: “Porque é que estamos a aprender isto?”. Neste novo modelo, todos os temas discutidos estão ligados à razão que justificam a sua aprendizagem.

“Aquilo de que precisamos agora é de um tipo de educação diferente que prepare as pessoas para o mercado de trabalho”, explicou Pasi Silander, responsável pelo desenvolvimento da cidade de Helsínquia, ao jornal The Independent, referindo que o mundo mudou com os avanços tecnológicos e várias das formas clássicas de ensino deixaram de fazer sentido. “Os jovens já usam computadores bastante avançados. No passado, os bancos tinham muitos funcionários a fazer cálculos, mas agora tudo mudou. Temos, assim, de fazer as mudanças na educação que são necessárias para a indústria e uma sociedade moderna.”

Muitos professores na Finlândia, muitos dos quais têm estado a lecionar disciplinas individuais durante toda a sua carreira, se opõe a estas mudanças. Não é difícil percebermos porquê: o novo sistema é muito mais colaborativo, forçando os professores de diferentes áreas a juntarem-se para definir o currículo. Marjo Kyllonen, responsável pela educação na Helsínquia e o responsável por reformar o sistema educativo da capital, chamou este modelo de “co-teaching” e os profissionais que concordarem com ele vão receber um pequeno bónus salarial.

“Há escolas que estão a ensinar à moda antiga, algo que foi benéfico nos inícios dos anos 1900s, mas as necessidades atuais não são as mesmas e precisamos de algo apto para o século 21”, salientou o responsável ao The Independent.

Este novo modelo está em período experimental na capital, havendo uma proposta para que seja aplicado a todo o país por volta de 2020.

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