Um novo estudo conduzido por uma equipa de investigadores concluiu que duas pessoas com o mesmo potencial genético podem ter maior ou menor dificuldade em licenciar-se, dependendo dos rendimentos da família.

Jovens menos talentosos com pais ricos acabam as licenciaturas mais depressa do que aqueles mais dotados mas com pais com rendimentos mais baixos, divulga a revista Visão.

Esta é a conclusão de um novo estudo, por investigadores da universidades de Duke e de Massachusetts, e publicado pelo National Bureau of Economic Research, dos EUA, que afirma que os atributos genéticos são distribuídos de forma quase igual entre as crianças de famílias com rendimentos altos e baixos, ao contrário do sucesso, que tem a ver com dinheiro. Para chegar a isto, os economistas utilizaram uma nova medida baseada no genoma.



Os pesquisadores associaram o desempenho escolar com um índice genético (considerando pessoas cujo genoma está marcado no quartil superior desse índice) e descobriram que apenas 24% das pessoas que nascem com pais que têm rendimentos mais baixos no grupo de alto potencial se formam na faculdade. Pelo contrário, 63% das pessoas com atributos genéticos semelhantes e pais mais ricos conseguem licenciar-se.

Outra conclusão do estudo deu conta de que cerca de 27% dos que se apresentam no último nível do índice genético mas nascem com pais ricos acabam os cursos na faculdade, ou seja, estes jovens têm, pelo menos, a mesma probabilidade de se formarem que os alunos com pais menos ricos mas mais dotados geneticamente.

Esta análise baseia-se nas conclusões de um grande estudo publicado em julho por uma equipa de investigadores na revista científica Nature Genetics. A equipa analisou milhões de pares de bases de ADN em mais de um milhão de genomas individuais, com o objetivo de procurar evidências de correlação entre os genes e os anos de escolaridade concluídos. Os resultados foram resumidos numa única pontuação onde se podem prever as conquistas educacionais com base em fatores genéticos.

Esta pontuação foi calculada num grupo com cerca de 20 mil pessoas entrevistadas, nascidas entre 1905 e 1964, que forneceram o seu ADN juntamente com algumas respostas, o que permitiu, posteriormente, aos dois economistas associar os genomas com as conquistas académicas e financeiras individuais dos participantes.