Tudo o que envolve o Ensino está rodeado de uma aura muito espessa de arrogância e ignorância a que gosto de chamar “Já passei por isso“. É o que diz a grande maioria das pessoas que já saíram da Escola  quando  os ousados e nada gratos jovens se atrevem a queixar das suas dificuldades.

Já perdi conta às vezes em que ouvi a frase “Já passei por isso e ainda cá estou, por isso vocês também” quando me queixo de alguma coisa que está errada com o Ensino. E isso, por norma, vem de dois tipos de pessoas: os que acabaram de sair do Ensino Secundário/Básico, odiaram e querem que os mais novos sofram o mesmo porque são pessoas mesquinhas; e os que já saíram da Escola há mais de cinco anos. Hoje vamos falar somente destes últimos, sim? Mas esperem! Isto não era sobre exames? Já lá vamos.

Os cultistas veteranos do “Já Passei” e os Exames Nacionais estão profundamente interligados, porque têm uma coisa em comum: a estagnação. Os Já Passantes Veteranos estagnaram no tempo, ignorando a completa evolução do Ensino desde a última vez que puseram os pés numa sala de aula; e os Exames Nacionais estagnaram no tempo em que o Ensino era dado à martelada. Portanto: estagnação total! E a principal culpa da estagnação do Exames reside, exatamente, nos Já Passantes (Veterados e Júniores), porque estão sempre a dizer que os atuais Estudantes exageram nas suas queixas sobre os Exames.



O que se passa realmente, mas apenas as pessoas que estão dentro do Ensino é que se apercebem realmente, é que os Exames Nacionais há muito que se têm vindo a tornar em objetos de tortura quase medieval para os estudantes dos vários ciclos. Todo o ano letivo ou, no caso do Ensino Secundário, todos os três anos de curso, giram em redor dos Exames. Desde o momento em entramos na escola, em Setembro, até ao momento em que saímos dela, em Junho, a palavra “Exames” é a que mais sonância tem nas nossas vidas. Já não aprendemos porque aprender é bom e importante. Aprendemos porque a matéria vai sair no Exame e nós temos de ter boa nota. E se nós não tivermos boa nota, não entramos na Faculdade. Mas, mais importante que isso, se nós não tivermos boa nota, a nossa escola desce no Ranking! (Sim, isso é a única coisa que importa para as escolas).

Para piorar a situação, decidiram que seria super pedagógico que os alunos tivessem três anos de matéria nos exames. E aí vêm os cultistas do Já Passei dizer “No meu tempo também era e passámos bem!“. Pois, mas no seu tempo o programa era diferente, a carga horária era diferente, os EXAMES eram diferentes, as expectativas eram diferentes, a sociedade era diferente e, sobretudo, os alunos eram outros. Os alunos de agora estão sujeitos a pressões e ansiedades por que os alunos de há cinco anos e mais nunca tiveram de passar.

Portanto, resumindo e concluindo: Não sejas um Já Passante. Porque não fazes ideia daquilo que os estudantes de agora estão passar, porque não estás lá agora. Em vez disso, ajuda-os a tentar mudar o sistema e a torná-lo mais humano.

Colabora!

Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.