Ao dar-se início, ou melhor, quase a dar-se o fim da 1ª Fase das Provas de Ingresso ao Ensino Superior deste ano, volto a ler centenas de publicações inflamatórias sobre os Exames Nacionais, volto a ver toda uma comunidade de estudantes do Ensino Secundário revoltados com o sistema, a vociferar a todos que os queiram ouvir de como “Isto não está certo!” e “Porquê haverem exames ao fim de 3 anos de escolaridade?”. A questionarem-se do sentido disto tudo. Bem, todo o debate tem duas versões e, como nunca li um texto a favor deste mecanismo do Ministério de Educação, decidi escrevê-lo eu.

O que muitas vezes falhamos em compreender nesses momentos de revolta, é o que significam estes Exames no contexto da nossa própria educação. De que forma conseguimos correlacionar este contratempo que nos apresentam com o que iremos enfrentar no mercado de trabalho? Com o que iremos enfrentar na faculdade? Vejam, é muito fácil barafustar sobre a avaliação contínua ao longo dos 3 anos de Ensino Secundário ser menosprezada por um simples exame que, ao mesmo tempo, poderá valer de tudo entre 30 a 50% da candidatura ao Ensino Superior. O que é difícil, para as nossas ainda jovens cabeças é perceber que é apenas o início de uma vida que não facilita.



Uma escola, a meu ver, é um micro-clima da realidade profissional. Uma espécie de treino, se assim o quiserem chamar. Aqui aprendemos, não só conceitos teóricos que avançaram a nossa formação académica, como aprendemos, ou devíamos aprender, certas coisas sobre a vida que nos aguarda. E todas as engrenagens, todas as peças desta máquina são concebidas com esse mesmo intuito.

Os Exames Nacionais são a mágoa de muitos. Não vos consigo dizer a quantidade de amigos que vejo a batalharem e fracassarem, ou a terem uma performance abaixo das suas expectativas no que toca a estes exames. Esses, acima de tudo, são os mais revoltados com este sistema, os que advogam mudanças imediatas e urgentes ao modelo. Mas a vida, ela própria, é infinitas vezes mais implacável que um simples Exame Nacional. Queria eu ter chegado à faculdade e o meu maior problema ser equiparado a estudar para o exame de Matemática A, ou qualquer outro. Aliás, preferia eu voltar atrás no tempo e estudar para esse exame, ao invés de me preparar para o exame final de Análise Matemática II.

Ninguém nos facilita nada na vida profissional. Já sentimos um gosto disso no Ensino Superior, e não me iludo em pensar que daqui para a frente será mais fácil. A vida resume-se a certos momentos-chave, momentos em que todo o nosso esforço passado pode, e será, equivalente a nada se errarmos. Os Exames Nacionais são o mesmo.
Claro que um sistema apenas é perfeito em teoria. Ao factorizar a realidade, há sempre aspetos que não se traduzem na perfeição. E estes Exames Nacionais não são exceção. Mas um conselho a todos os meus colegas pelo país foram, estejam a acabar agora o Ensino Secundário, a meio do vosso caminho ou a amaldiçoar a sorte porque o exame não correu bem: Não apontem o dedo ao sistema, apontem a vocês próprios. Sejam auto-críticos. Não quero de nenhuma forma ser condescendente e tal como vocês, eu também já estive no vosso lugar. Mas todos temos que crescer e isto, meus amigos, é o Ministério da Educação a zelar pelo nosso. Talvez não perfeitamente, definitivamente com espaço para melhorias, mas acima de tudo, a trazer um mal que vem por bem.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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