FMUL Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

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#1

Mensagem do diretor da FMUL, Prof. Doutor Fauto Pinto:
A Faculdade de Medicina é uma instituição de ensino superior integrada na Universidade de Lisboa.
A sua origem remonta à Real Escola de Cirurgia criada em 1825 no Hospital de S. José, posteriormente designada em 1836 por Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e, finalmente, em 1911 como Faculdade de Medicina de Lisboa, por decreto do Governo da República.
Localizada inicialmente no edifício do Campo de Sant’Ana, no qual existiam os Institutos das Ciências Básicas, incluía as Clínicas Universitárias no Hospital Escolar de Santa Marta e uma rede de instituições hospitalares e de investigação que participavam no ensino médico.
Em 1956 a Faculdade de Medicina foi transferida para o edifício do Hospital de Santa Maria, o qual foi integrado na rede hospitalar do Ministério da Saúde.
As suas instalações foram recentemente ampliadas com o edifício Egas Moniz, inaugurado em 2004, que alberga os Institutos de Ciências Básicas e o Instituto de Medicina Molecular e a Faculdade estabeleceu protocolos de cooperação com vários Hospitais e Centros de Saúde para o ensino pré-graduado.
Foi autorizada recentemente a construção de um novo edifício destinado ao ensino e investigação – Edifício Reynaldo dos Santos – no âmbito do Contrato Programa para o desenvolvimento da Faculdade de Medicina, completando-se com a sua construção, a renovação das instalações da FMUL.
A Missão fundamental da Faculdade de Medicina é o ensino das ciências médicas a nível pré-graduado (Curso de Mestrado Integrado de Medicina) e os seus objetivos foram claramente enunciados: “Formar Médicos, com sólida formação científica, capazes de autoaprendizagem e capacidade para lifelong learning, com competências em Comunicação com os doentes, interpares e com a Sociedade, habilitados a trabalhar em equipas profissionais multidisciplinares, atentos aos desafios de Saúde contemporâneos e à Ética na Medicina e Ciências da Vida, aptos para integração útil e criativa nos Sistemas de Saúde em vigor na Sociedade e capazes de uma escolha informada da sua carreira profissional”. Participa também na organização Licenciatura de Ciências da Saúde da UL que é uma parceria com outras Faculdades da Universidade de Lisboa.
Em cooperação com o Instituto de Medicina Molecular e com o Hospital de Santa Maria, a Faculdade integra o Centro Académico de Medicina de Lisboa, o qual representa um conceito inovador da organização dos centros de ensino, investigação e prática médica diferenciada. Os seus objetivos são o incremento da atividade científica e o desenvolvimento da investigação de translação entre as Ciências Biomédicas e a Medicina Clínica, a diferenciação tecnológica e inovação nos serviços clínicos e o desenvolvimento dos programas de Formação Pós-Graduada, de Mestrado e Doutoramento para médicos e outros profissionais de Saúde.
A Faculdade de Medicina de Lisboa estabeleceu uma bem sucedida parceria com o Instituto Superior Técnico para o Curso de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica.
Simultaneamente, decorre um ambicioso programa de renovação institucional, pedagógica e administrativa, foram reforçadas as ligações científicas com as instituições académicas e de investigação biomédica mais prestigiadas internacionalmente, estimulada uma política de acolhimento e apoio aos seus estudantes com programas diversificados e “student–centred” de ensino baseado na investigação e estímulo à investigação científica, de modo a proporcionar uma visão alargada e objetiva dos grandes desafios da Medicina e da Saúde no século XXI.
A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa é uma Escola Superior que mergulha as suas raízes científicas na ação dos pioneiros da Medicina Científica em Portugal, na contribuição de Egas Moniz e de outros que fundaram a Escola Portuguesa de Angiografia e introduziram inovações terapêuticas e cirúrgicas no âmbito das doenças vasculares, período que correspondeu ao apogeu da contribuição científica da Medicina Portuguesa e constitui para todos uma fonte de inspiração.
Assim, honrando o Passado a Escola Médica tem como objetivo contribuir para o progresso das Ciências Médicas, promover inovação e para o desenvolvimento duma Medicina científica mais humana e centrada na Pessoa Doente.

A Localização - Google Maps

A FMUL situa-se na Cidade Universitária de Lisboa, no interior dos muros do Hospital de Santa Maria (HSM), o maior hospital de Portugal (o S. João tem a mesma planta, mas nós temos mais espaços em redor xD). Fica perto de Entrecampos e do Campo Grande, também relativamente próximo de outras faculdades da Universidade de Lisboa (ULisboa). É aí que vão passar grande parte dos próximos 5/6 anos caso optem por ficar em Santa Maria. Podem fazer alguns estágios fora do Santa Maria e a partir do 4º ano as aulas práticas são também lecionadas noutros hospitais da grande Lisboa à vossa escolha com o qual a FML tenha parceria.
Locais de diversão nocturna, infelizmente ao pé não há. Há alguns cafés e restaurantes que fecham pela meia noite, uma o mais tardar. Mas há várias autocarros nocturnos e metro que vos leva a qualquer lado :) No interior da faculdade também há cafés e uma espanada aberta 24h por dia (ver mais à frente).

A acessibilidade - transportes:
A FMUL tem uma excelente acessibilidade do ponto de vista de transportes. A maior parte dos estudantes vive até razoavelmente longe da faculdade e a duração da viagem local de residência <-> faculdade é relativamente reduzida dada a enorme densidade de autocarros e a proximidade de estações de Metro:
  • Metro - linha amarela, estação da Cidade Universitária (a uma estação de distância do Campo Grande e de Entrecampos)
  • Autocarros da Carris:
    • 701 - Campo Grande (Metro) <-> Campo Ourique (Prazeres)
    • 731 - Av. José Malhoa <-> Moscavide Centro
    • 735 - Cais Sodré <-> Hosp. Sta. Maria
    • 738 - Qta. Barros <-> Alto Sto. Amaro
    • 755 - Poço Bispo <-> Sete Rios
    • 764 - Cid. Universitária <-> Damaia Cima
    • 768 - Cid. Universitária <-> Qta. Alcoutins
  • Autocarros da TST (existe uma quantidade apreciável de alunos que vivem na margem sul):
    • 176 - Almada (Pça S. J. Batista) <-> Lisboa (Cid Univers)
(Nota: apenas se indicaram os transportes com paragem direta no hospital; não se incluíram os transportes com paragem noutras partes da Cidade Universitária)

Os edifícios:
  • Edifício central - Hospital Santa Maria:


  • Edifício Egas Moniz:


  • Edifício Reynaldo dos Santos (novo edifício atrás do Edifício Egas Moniz) cuja construção já está concluída e que brevemente será inaugurado.

Orientação espacial dos edifícios:
1531439089924.png
 
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LordKelvin

O Santo
Especialista
Medicina & Saúde
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20 Julho 2015
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Curso
Medicina
Instituição
FMUL
#2
As Infraestruturas

Os espaços de aula:
Os alunos do 1º e 2º ano têm aulas quase exclusivamente no Edifício Egas Moniz. As aulas teóricas são praticamente todas no Grande Auditório João Lobo Antunes:


As de Anatomia ocorrem frequentemente no Anfiteatro António Serrano (sendo por isso conhecido como o anfiteatro de Anatomia):


No edifício Egas Moniz, existem também os auditórios 52, 57 e 58:

As aulas práticas e teórico-práticas ocorrem em salas de aula e em laboratórios, cuja localização depende da área disciplinar.
Os exames e as aulas nos anos mais avançados ocorrem em auditórios dispersos um pouco por todo o edifício central da faculdade. Podem consultar as informações e as imagens das infraestruturas de ensino aqui (para mais informações sobre algum auditório em específico, basta clicar no nome dos mesmos).

Os espaços de estudo:
As instalações da faculdade e da Associação de Estudantes (AEFML) albergam variados espaços de estudo:
  • Aberta 21h/dia
    [*]
  • Capacidade superior a 100 lugares e aberta 24h/dia.
    (Fotografia da autoria da @LFTBAS)
  • Aberta 24h/dia
    (Fotografias da autoria da @LFTBAS)
  • (Fotografia da autoria da @LFTBAS)

Os espaços de alimentação:
A FML está no meio da Cidade Universitária. Partilha as cantinas da UL, sendo que as mais próximas são:
  • Cantina de Ciências (FCUL)
Se não pretendes gastar muito tempo em viagens da faculdade à Cantina Velha (todo o tempo é precioso), tens várias opções dentro do próprio hospital, ainda que sejam ligeiramente mais caras:
  • Há desconto para sócios da AEFML
  • Colado à sala de estudo do piso 3; há desconto para sócios da AEFML
  • Refeitório do Hospital Santa Maria
  • Refeitório do iMM
Existem também vários microondas, onde se pode aquecer comida trazida de casa.
 
Última edição:

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#3

Organização geral do Curso
O curso divide-se em 3 grandes etapas:

  • 1º, 2º e 3º ano: são anos básicos. Sobretudo no 1º e no 2º ano privilegia-se a ciência, o que é o "Normal". No 3º ano é consolidada a Patologia, a Semiologia etc para se iniciarem os anos clínicos
  • 4º e 5º ano: são anos clínicos. Existem poucas aulas teóricas e as aulas práticas são passadas com um tutor que pode ser um médico especialista ou interno e que vos leva para as enfermarias para vos ensinar.
  • 6º ano: é um ano profissionalizante. Quer isto dizer que é um ano completo em estágio em que se passam por várias especialidades de Medicina nos Hospitais (e se estuda para a Prova Nacional de (avaliação e) Seriação).
O 3º e o 5º ano são anos finais de ciclo, são anos barreira. Quer dizer que só se transita para o 4º e o 6º ano com todas as disciplinas para trás concluídas (há épocas especiais para isso).

A grande característica do nosso plano de estudos é o facto de estar organizado por módulos.
Isto significa que as várias cadeiras dentro de um mesmo módulo estão agregadas em torno de um programa mais ou menos comum: o módulo II.II (1º ano, 2º semestre), por exemplo, engloba Anatomia, Histologia e Fisiologia, sendo que os vários sistemas de órgãos são dados de forma mais ou menos síncrona nas várias áreas disciplinares. Verás coração do ponto de vista microscópico (Histologia), macroscópico (Anatomia) e funcional (Fisiologia). Imagina que o módulo é um puzzle e que as cadeiras que o constituem são peças do mesmo.
Como vantagens, tens o facto de permitir um ensino mais integrado e que estabelece pontes entre conceitos de áreas que não são estanques e que estão intrinsecamente relacionadas (se estudares a anatomia do sistema digestivo em conjunto com a sua fisiologia e histologia, verás que estas áreas imiscuem-se umas nas outras e que a tua compreensão global do tema é elevada).
Como desvantagem, assinalo o facto de, se reprovares em algum elemento de avaliação do módulo em causa, ficares com os créditos totais desse módulo em atraso. Por exemplo, se reprovares na Gincana (II.I ou II.II) ou no exame teórico nas duas fases, tens de repetir no ano seguinte o elemento a que reprovaste e só depois recebes todos os créditos do módulo.

Durante o semestre, temos:
  • Aulas teóricas (T) - duração de 50 minutos cada uma; não são de presença obrigatória (há algumas exceções);
  • Aulas práticas (P) - duração de 2 horas, com caráter obrigatório. Estão vocacionadas para a aplicação prática dos conteúdos lecionados nas aulas teóricas ou presentes na bibliografia;
  • Aulas teórico-práticas (TP) - duração de 2 horas, com caráter obrigatório. Correspondem muitas vezes a aulas onde se corrigem fichas (na maioria dos casos, pretende-se que as fichas sejam realizadas em casa e corrigidas nas aulas).
Como funciona então a avaliação?
Na maioria dos módulos, existe:
- Avaliação das diversas componentes práticas e teórico-práticas: cada disciplinas dentro do módulo tem uma nota, que pode ser derivada da participação da aula, mini-testes, apresentações, teste prático, oral, relatórios, etc.
- Avaliação da componente teórica: exame, que vale a grande percentagem de cada módulo


Para obter aprovação em cada módulo, é necessário que a avaliação de cada componente prática seja positiva (nota superior ou igual a 9,5 valores) e que o exame também seja positivo (nota superior ou igual a 9,5 valores). Caso chumbemos a uma dessas partes, só é necessário repetir essa parte em específico (por exemplo se tive 8 no exame, mas passei a tudo na prática, só preciso repetir o exame; se chumbei na oral de Anatomia, mas passei nas restantes práticas e no exame, só repito a oral).

Cada módulo corresponde a um determinado número de créditos e a nota de cada módulo ponderada pelos ECTS que dá a média final de ano e de curso.

Horários
As aulas teóricas são à mesma hora para toda a gente; as práticas e teórico-práticas são lecionadas por turma (sendo que cada uma contém um número variável de alunos, mas habitualmente não passa dos 12). Podes consultar os horários do 1º ano do ano letivo passado aqui. Não te assustes, não tens todas as aulas em simultâneo. As aulas práticas e teórico-práticas, por exemplo, alternam e há cadeiras que têm apenas duas ou três aulas (teórico-)práticas (como SBV e Biologia do Desenvolvimento, respetivamente). Encontrarás a calendarização particular de cada cadeira no moodle.
No 1º ano, os horários são atribuídos aleatoriamente, a menos que se tenha algum tipo de estatuto. Daí para a frente, podem organizar-se com outros colegas, ou não, e escolherem um horário.
 
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19 Junho 2015
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#4
Plano de Estudos
Podem consultar aqui o plano de estudos integral aqui.
Vou descrever um pouco as disciplinas que já tive, se tiverem curiosidade depois posso dizer o que sei das restantes :)
De modo a tornar a descrição o mais sistematizada possível, omitiram-se vários aspetos. Se tiveres alguma questão mais particular, sente-te à vontade para a colocar!


1º ano, 1º semestre

Módulo I.I. - Biologia Molecular, Celular e do Desenvolvimento Humano e Genética (5 ECTS)
É uma disciplina um pouco morosa que alguns acham fascinante. Suponho que seja um pouco a continuação da Biologia do secundário (não, não é obrigatório que tenham tido Biologia de 12º para passar/ter boas notas, mas pode dar uma ajuda; eu não tive, mas mesmo assim fiz com relativa segurança). Nas aulas teóricas aborda-se o DNA, a estrutura celular, princípios de imunologia, a replicação celular, síndromes que afectem os sistemas a nível celular, técnicas citológicas e microscópicos. Depois há aulas práticas, laboratoriais, em que se aplicam essas mesma técnicas (do que me lembro, eletroforese, ELISA, FISH...). Há também aulas teórico-práticas em que se resolvem exercícios sobre as aulas teóricas.

Método de Avaliação:
  • Exame teórico (90%) – tem duração de 2 horas e inclui perguntas de escolha múltipla, verdadeiro/falso, de resposta curta e de resposta de desenvolvimento. Incide sobre matéria teórica e teórico-prática.
  • Avaliação contínua (10%) – resulta da qualidade da participação do aluno nas aulas teórico-práticas e práticas. Vai de uma escala de 0 a 20.

Módulo II.I. - Sistemas Orgânicos e Funcionais (13 ECTS)
Constituído por três cadeiras:

  • Anatomia
  • Bioquímica
  • Fisiologia

Anatomia
O CADEIRÃO! Primeira aula teórica de anatomia é para rir. Primeira aula prática é para chorar (é muito giro ver as caras dos caloiros de pânico na primeira aula) xD
Vá, após a parte de assustar. Anatomia na FML é difícil. Antigamente, tínhamos de estudar por aqueles tratados de 1900 e troca o passo em francês e com não sei quantas folhas que se chamam Rouvières, mas recentemente o regente da cadeira, seguindo um pouco a tendência nas outras faculdades de Medicina, adotou a Terminologia Anatomica, sendo que atualmente a bibliografia passa pelo Netter, Gray's, pelo Pina e pelas edições mais recentes do Rouvière.
Neste semestre vão aprender a Osteologia (ossos), Miologia (músculos), Artrologia (articulações), Sistema Circulatório Apendicular (vasos dos membros) e Sistema Nervoso Periférico. É pouco! Na NOVA Medical School ainda dão mais que isso neste semestre :p
Existem aulas teóricas em que os professores disparam a matéria e aulas práticas. Nestas aulas práticas os alunos apresentam os temas dados nas teóricas e tiram-se dúvidas (em algumas turmas, havia testes, mas o regente, para promover a equidade, proibiu-os). No instituto há armários e armários com ossos humanos por onde se pode (e deve!) estudar. Há modelos cadavéricos em formol para músculos e articulações.
Têm ainda a excelente oportunidade de assistir a três disseções cadavéricas por semestre, onde poderão rever matéria e consolidar conhecimentos (e onde poderão constatar que, na realidade, as artérias não são vermelhas, as veias não são azuis, os nervos não são de amarelo vivo e os linfáticos não são verdes... :p). As disseções ocorrem no
Teatro Anatómico.
O segredo aqui é começar a estudar cedo, ver muitas imagens e não duvidar que é possível passar xD


A avaliação prática é através de uma gincana:
Descrição da Gincana por LFTBAS e LordKelvin

A Gincana é o nosso exame oral de Anatomia do 1º ano (temos Gincana nos 2 semestres). Basicamente, esse exame compreende 4 "estações" (1º semestre: 1) angiologia, 2) ossos e articulações, 3) músculos e 4) neuroanatomia; 2º semestre: 1) sistema cardiovascular, 2) sistemas respiratório, endócrino e nervoso autónomo, 3) sistema digestivo e peritoneu 4) sistema urogenital). Em cada "estação", passas por uma sala em que és avaliado por um(a) assistente durante cerca de 4 a 5 minutos (à partida, és avaliado por 4 assistentes). Normalmente, os assistentes começam por fazer perguntas relativamente simples e, depois, o grau de exigência vai subindo. No 1º semestre, para passarmos nesse exame, não podíamos ter menos de 8 em nenhuma "estação", sendo que o pior cenário que podia acontecer (para passarmos) era tirar 8, 8, 12, 12 (ou seja, quem tinha 8, 8, 11, 11 ou 8, 8, 8, 17, por exemplo, reprovava). Tendo em conta que chumbaram mais de 200 pessoas no 1º semestre (se não estou em erro), os critérios de avaliação foram alterados no 2º semestre (o que interessava era acabar com uma média de 10, o que fez com que mais gente conseguisse passar). Para este tipo de exame, é muito importante ter a matéria na ponta da língua por causa do tempo e é, igualmente, importante saber um pouco de tudo. O "saber um pouco de tudo" está a negrito porque muitos reprovaram na 1ª Gincana por terem ignorado determinadas matérias. Não convém fazer isso, já que não há tempo suficiente para serem feitas muitas questões.
A Gincana acaba por ter os mesmos propósitos que a antiga Oral, mas é consideravelmente mais justa do que esta última. Se anteriormente eras avaliado por apenas um assistente (e eras simplesmente sujeito aos seus critérios), na Gincana passas por quatro, o que acaba por tornar a classificação um pouco mais afastada de eventuais subjetividades e níveis de exigência desajustados (para cima ou para baixo). O modelo de Gincana prevê também uma taxa de reprovação mais reduzida (ainda que, como efeito colateral, as notas mais elevadas também sejam mais difíceis de atingir). A Gincana de 1º semestre registou muitas reprovações (mais do que as previstas, como referiu o regente de Anatomia), mas os níveis de exigência foram revistos para a Gincana de 2º semestre e a taxa de reprovação ficou substancialmente mais baixa (estamos no bom caminho, portanto).
Alguns podem argumentar que a exaustão da anatomia da FML é bárbara, no entanto não se esqueçam que se souberem 90% de uma matéria, ao fim de 10 anos só sabes 9% (valores fictícios). Se se partem de 40% fica a começar apertado, na minha opinião.
Para mim os 4 semestres de anatomia da FML são uma mais valia, sendo que é um pilar base da Medicina a meu ver.


Bioquímica
A bioquímica é uma disciplina em que se estudam e classificam biomoléculas e ciclos do metabolismo. É uma disciplina bastante fácil comparada com os terrores de Bioquímica de outras faculdades. O raciocínio é privilegiado em relação ao marranço e as aulas são bem dadas. Há aulas teóricas, aulas práticas, laboratoriais em que se seguem vários protocolos e se fazem experiências e um póster e aulas teórico-práticas onde se resolvem fichas de problemas com discussão geral em espaço de aula.


Fisiologia
Esta cadeira não tem aulas práticas e vale pouco no exame do módulo, sendo por vezes esquecida durante o semestre e sobrando bastante pouco tempo para a estudar como deve de ser. No entanto, no semestre seguinte a matéria dada neste semestre é retomada nas aulas práticas, logo não fica esquecida.
É feita uma introdução ao funcionamento neuronal (revêm-se conceitos como o de
potencial de repouso e potencial de acção, a condução Nervosa, a placa neuro-muscular e a excitabilidade e contratilidade dos músculos estriado, liso e cardíaco, a transmissão Sináptica e estuda-se brevemente o funcionamento do Sistema Nervoso Autonómo e do Sangue/Hemostase).

Neste módulo também encaixava até recentemente a Histologia, mas agora passou integralmente para o 2º semestre.

Método de Avaliação:
  • Exame teórico (50%) – costumava conter 100 perguntas de escolha múltipla, mas no ano passado foram reduzidas para 50 (sendo que cada pergunta tinha 5 opções de resposta e valia 0,4 valores). A ponderação de cada área dentro do exame era a seguinte:
    • Anatomia (20 perguntas) – 40%
    • Bioquímica (25 perguntas) – 50%
    • Fisiologia (5 perguntas) – 10%
  • Avaliação prática final de Anatomia (25%):
    • Avaliação contínua (20%) - com base nas apresentações orais e na participação/postura em aula.
    • Gincana (80%) - já descrita.
  • Avaliação prática final de Bioquímica (12,5%)
  • Avaliação teórico-prática final de Bioquímica (12,5%)

Módulo III.I. - Medicina Clínica: O Médico, a Pessoa e o Doente (5 ECTS)
É uma cadeira que aborda a vertente humanitária da Medicina. Apesar de ser uma cadeira um pouco ridicularizada (talvez porque são lecionados vários conceitos de cultura geral), considero que seja bastante importante para a formação médica, visto que será a primeira vez que terás a possibilidade de contactar com doentes e ouvir as suas histórias. Vários professores são convidados a palestrar em algumas aulas teóricas, bem como doentes que dão o seu testemunho sobre os temas em discussão (por exemplo, vários indivíduos que já estiveram internados em cuidados intensivos foram convidados a falar no âmbito da abordagem que um médico deve ter em cuidados intensivos).
Esta disciplina é o cúmulo da organização (sem ironias). Relativamente às aulas teóricas, algumas são obrigatórias e outras, por terem avaliação contínua, apelam à tua presença (existe uma particularidade: todos os alunos são divididos aleatoriamente em grupos e ficam responsáveis por selecionar uma pergunta ou um comentário para uma das aulas, diferente de grupo para grupo; nessa aula, a presença de todos os indivíduos do grupo é exigida). Não existem aulas práticas, mas os grupos formados visitam duas instituições relacionadas com Medicina, onde poderão identificar situações de exclusão e de necessidade. Com base na instituição da primeira visita, terás que realizar uma entrevista a um doente da instituição, a um seu familiar ou a um técnico. Após a entrevista, terás que escrever um relatório, que será posteriormente lido e avaliado pelos docentes. Dá uma trabalheira, mas é uma experiência única!

Método de Avaliação:
  • Relatório da entrevista (40%) – relatório realizado com base na entrevista que realizares. Deves integrar no relatório os conceitos apresentados nas aulas teóricas e mostrar como no decorrer da entrevista treinaste as tuas perícias de comunicação. É um relatório individual.
  • Seminário de partilha de experiências (20%) – na última aula do módulo, terás que apresentar com os teus colegas de grupo um PowerPoint sobre as vossas vivências numa das visitas.
  • Avaliação contínua (ponderação de x%, sendo x% um número entre 0% e 15%) – é uma avaliação facultativa; se fores às aulas teóricas, tens a hipótese de responder no final de cada uma a uma questão relaciona com a aula (muitas vezes, a resposta está chapada num dos slides apresentados, daí que seja conveniente tirar muitos apontamentos). Cada pergunta vale 0,5 valores. Se errares alguma, não perdes cotação (simplesmente, o exame passa a valer mais).
  • Exame (ponderação de 40-x%, sendo x% a ponderação da avaliação contínua) – é habitualmente composto por cinco perguntas que exigem resposta curta ou resposta por tópicos (do género “Defina sentimento” ou “Indique, de acordo com o autor x, as dimensões da sexualidade humana”).

Tronco Comum I (5,5 ECTS)
Integra duas áreas disciplinares:

  • TCIa) Ética e Ciências Sociais (70%);
  • TCIb) Suporte Básico de Vida (30%).
Ia) - Ética e Ciências Sociais
É uma disciplina com apenas aulas teóricas. O método de avaliação é por exame escrito. Expõem-se alguns princípios e dilemas éticos na medicina.
Método de Avaliação: exame escrito - costuma conter cinco perguntas de desenvolvimento (para serem respondidas em 50 minutos); são perguntas diretas e relacionadas com a matéria presente nos PowerPoints das aulas.


Ib) - Suporte Básico de Vida
É uma pequena disciplina em que se aborda o que fazer caso uma pessoa caia inanimada na rua em paragem cardio-respiratória. São uma aula teórica e 2 aulas práticas, com modelos em que praticamos as manobras.
Método de Avaliação: é um pequeno exame prático em que respondemos oralmente a 3 perguntas do avaliador e realizamos as manobras de suporte básico de vida.
 
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1º ano, 2º semestre

Módulo I.II. - Biologia Molecular, Celular e do Desenvolvimento Humano e Genética (5 ECTS)
Corresponde a duas áreas disciplinares:

  • Biologia do Desenvolvimento;
  • Genética.

Biologia do Desenvolvimento
Em Biologia do Desenvolvimento, estuda-se o desenvolvimento intra- e extrauterino do embrião/feto/recém-nascido. Tem três aulas teórico-práticas, mas não há avaliação, sendo que nestas os docentes repetem um pouco algumas matérias importantes das teóricas.


Genética
Em Genética, relembram-se as características dos cromossomas, a hereditariedade, etc. Depois abordam-se algumas das principais doenças genéticas, as suas causas, tipos de mutações, etc. Nas teórico-práticas pegamos em casos clínicos e o professor descreve-os. Nas últimas aulas, fazemos uma pequena apresentação sobre um síndrome genético (sendo que os temas das apresentações são avaliados em exame).

Método de Avaliação:
  • Exame com perguntas de BD e Genética (80%) - 60 perguntas de escolha múltipla de BD + 40 de Genética;
  • Avaliação das práticas de genética (20%) - apresentação.

Módulo II.II. - Sistemas Orgânicos e Funcionais (12 ECTS)
Se no semestre anterior parecia não haver qualquer interligação entre os conteúdos, neste há bastante. O conceito do "módulo" passa a fazer muito mais sentido. É constituído por três cadeiras:
  • Anatomia
  • Histologia
  • Fisiologia

Anatomia
Exactamente o mesmo esquema do semestre passado. Nesse semestre dão-se os órgãos e o Sistema Vascular do Tronco, Cabeça e Pescoço. Mesmo esquema de avaliação.

Histologia
É uma disciplina que incide o seu estudo sobre os tecidos e as suas organizações celulares. Neste semestre, estudam-se epitélios de revestimento e glandulares, tecido conjuntivo, tecido muscular, tecido nervoso, sistema cardiovascular, sangue e hematopoiese, órgãos linfoides, sistema respiratório e sistema digestivo. Continua no 1º semestre do 2º ano.
Existem aulas teóricas e práticas, sendo que nestas últimas se observam os tecidos ao microscópio. A avaliação prática de Histologia está assente fundamentalmente em dois testes com 10 perguntas de "assinale as alíneas verdadeiras" e 10 perguntas de resposta curta para identificação de tecidos, estruturas ou tipos celulares (o teste é cronometrado e projetado, sendo as respostas escritas numa folha). No final, conforme a participação do aluno (porque os testes nem sempre avaliam adequadamente os conhecimentos dos alunos), a média dos testes pode sofrer modulação entre -2 e 2 valores.


Fisiologia
Segue um pouco o esquema do semestre passado, sendo que passa a ganhar muito mais importância. Temos aulas teóricas e aulas práticas em que realizamos vários testes e contactamos pela primeira vez mais à séria com a componente clínica (analisam-se ECGs, treina-se a auscultação, etc.). A componente prática é avaliada através de um teste final com 20 perguntas.

Método de Avaliação:
  • Exame teórico com 100 perguntas de escolha múltipla de Anatomia, Histologia e Fisiologia (50%)
  • Avaliação prática de Fisiologia (16,(6)%) - teste prático
  • Avaliação prática de Anatomia (16,(6)%) - Gincana (já descrita)
  • Avaliação prática de Histologia (16,(6)%) - testes e participação na aula

Módulo III.II. - Medicina Clínica: O Médico, a Pessoa e o Doente (13 ECTS)
Este módulo é constituído por quatro cadeiras:
  • Medicina Preventiva
  • Bioestatística
  • Estágio de Cuidados de Enfermagem
  • Prática de Saúde na Comunidade I

Medicina Preventiva
Uma disciplina interessante até, em que se abordam os principais flagelos da saúde, basicamente é uma espécie de introdução à Saúde Pública. Há aulas teóricas e nas aulas teórico-práticas discutimos os vários temas. O método de avaliação foi reformulado em 2018, contando atualmente com um ensaio de reflexão sobre uma notícia, um relatório sobre um programa de rastreio e a apresentação do relatório nas últimas aulas.

Bioestatística
É estatística, mas aplicada à Medicina. Fala-se primeiramente da análise exploratória de dados (representação gráfica, medidas de localização, dispersão e correlação), aborda-se o conceito de risco e estudam-se variáveis aleatórias e a distribuição de probabilidades. De seguida, estuda-se o Teorema do Limite Central e alguns testes estatísticos (como o teste t de Student). Por fim, aborda-se a inferência estatística (intervalos de confiança, ANOVA, etc.).
Nas aulas práticas, trabalha-se com o SPSS. É útil na interpretação e realização de artigos, mas a sua utilização não é diretamente avaliada em testes ou exames. A avaliação prática baseia-se exclusivamente na média de dois testes realizados no moodle e fora do horário de aulas.


Método de avaliação:
  • Exame teórico com perguntas de Medicina Preventiva e Bioestatística (85%) - contém 50 perguntas de Medicina Preventiva (cada uma valendo 0,2 valores) e 25 perguntas de Bioestatística (cada uma valendo 0,4 valores).
  • Nota prática de Bioestatística (7,5%) - dois testes feitos no moodle, 30 perguntas de V/F com uma duração máxima de 10 minutos.
  • Nota prática de Medicina Preventiva (7,5%) - ensaio de reflexão sobre uma notícia, um relatório sobre um programa de rastreio e a apresentação do relatório nas últimas aulas, cada um valendo 1/3 da nota prática.

Estágio de Cuidados de Enfermagem
É um estágio de 2 semanas nalguns dos hospitais da grande Lisboa com quem a FML tem pareceria:
  • Hospital Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte)
  • Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar Lisboa Norte)
  • Hospital Beatriz Ângelo (Loures)
  • Hospital José Almeida (Cascais)
  • Hospital Fernando da Fonseca (Amadora)
  • Hospital Garcia da Orta (Almada)
  • Hospital dos Lusíadas.
Vais para as enfermarias e é um estágio observacional em que segues um enfermeiro durante 4h por dia. Podes ajudar nalguma das actividades que eles exercem (dar banhos, distribuir fármacos, refeições, retirar pontos, fazer pensos, medir glicose, dar insulina, tirar sangue), assistir às reuniões clínicas que eles têm... basicamente ser uma sombra do enfermeiro e se mostrares interesse ajudar nas suas actividades.
Método de avaliação: aprovado/não aprovado, apenas ter aprovação da enfermeira-chefe e número mínimo de horas realizadas


Prática de Saúde na Comunidade I
É também um estágio de 2 semanas num centro de saúde no final do 1º ano. Vejam mais à frente o resumo do estágio no 2º ano, 2º semestre. Aqui só posso acrescentar que apesar de todas as explicações do tutor e de ter visto e feito muita coisa, não compreendia bem o porquê e apenas seguia o que me era dito. É um estágio bastante precoce, mas que dá uma excelente motivação e um cheirinho do que é ser médico :) Se algum caso me despertasse interesse ia depois pesquisar e agora, passado um ano quando abordo uma matéria referente aos casos que vi lembro-me e percebo melhor.
Método de avaliação: aprovado/não aprovado, apenas fazer um relatório de 2 páginas e ter aprovação do tutor e número mínimo de horas realizadas
 
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lckk

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#6
2º ano, 1º semestre

Módulo II.III. - Sistemas Orgânicos e Funcionais (16 ECTS)
É uma continuação do módulo II.I e II.II. Contém as seguintes cadeiras:
  • Anatomia Clínica
  • Histologia
  • Farmacologia
  • Bioquímica
  • Fisiologia
O conceito de módulo neste semestre vai fazer ainda mais sentido do que no 2º semestre do 1º ano.

Anatomia Clínica
O conceito de módulo neste semestre vai fazer ainda mais sentido do que no 2º semestre do 1º ano.
Nesta disciplina, revêm-se conceitos de Anatomia do 1º ano, mas sem tanto pormenor e com maior enfoque para aquela matéria que tem repercussão do ponto de vista clínico. A matéria é também reorganizada de uma maneira diferente: enquanto que no 1º ano se lecionava por sistemas de órgãos (isto é, víamos primeiro todos os órgãos constituintes do sistema respiratório e só depois passávamos ao digestivo), no 2º estudam-se as estruturas por região. Por exemplo, em vez de descrevermos o trajecto de uma artéria e as suas eventuais relações, pegamos num corte e identificam-se todas as estruturas visíveis nesse corte. Ou seja, sistematizam-se as relações entre estruturas e por camadas. É uma forma de ver a Anatomia (a chamada Anatomia Topográfica) que acaba por ser muito mais relevante do ponto de vista clínico. Também é feita uma iniciação à Imagiologia.
Temos aulas teóricas e cinco aulas práticas (1. Cabeça e Pescoço; 2. Tórax; 3. Abdómen e Pelve; 4. Membro Superior; 5. Membro Inferior e Imagiologia), em que os alunos resolvem e apresentam casos clínicos de uma ficha. As aulas teóricas são avaliadas com base num exame teórico restrito à cadeira e as práticas com base na avaliação contínua e no OSCE.
A bibliografia é única e exclusivamente o Moore. Serve para o exame teórico e para as aulas práticas.
Para além disso, temos centenas de peças cadavéricas em formol e modelos em plástico para identificarmos estruturas e através das quais podemos estudar e ver nas aulas práticas.

Histologia
É a continuação da Histologia do semestre passado. Dão-se agora os últimos sistemas: pele, urinário, reprodutores e endócrino. O esquema de aulas teóricas e práticas é o mesmo.

Farmacologia
Têm aulas teórico-práticas e aulas teóricas. Nas teóricas, é feita uma introdução à farmacologia (o que é um fármaco, definição de farmacocinética, farmacodinâmica, receptores, etc.) e começam-se a dar os primeiros grupos de fármacos (é dado particular enfoque neste semestre à farmacologia do Sistema Nervoso Autónomo, ao controlo farmacológico da dor inflamatória e aos antibacterianos). Nas teórico-práticas, dividimo-nos em grupos de 3/4 e respondemos às perguntas de problemas, que têm como base uma história clínica e que culmina com a selecção de um determinado fármaco para o caso apresentado. Supostamente, as apresentações deveriam ser curtas e sintéticas, algo que atualmente não acontece. Assim sendo, é possível que este modelo de aulas teórico-práticas seja repensado para os próximos anos.

Bioquímica
Corresponde a uma continuação da Bioquímica do 1º semestre do 1º ano, mas está muito mais vocacionada para o sistema endócrino. Não conseguirás colocar uma divisória entre Bioquímica e Fisiologia (há até quem chame "Bioquímica Fisiológica" ao conjunto formado por estas duas cadeiras). Há aulas teóricas e teórico-práticas. As teórico-práticas são apenas quatro e nelas resolvemos fichas sobre cada tema da aula.

Fisiologia
Muito direcionada para a fisiologia do sistema endócrino (efeitos sistémicos das hormonas). Apenas existem aulas teóricas.


Método de avaliação do módulo:
  • Exame teórico (40%) - 80 perguntas de escolha múltipla, sendo 20 de Fisiologia, 20 de Bioquímica, 20 de Farmacologia e 20 de Histologia
  • Avaliação de Anatomia Clínica (20%) - Classificação resultante das seguintes parcelas:
    • Avaliação teórica (50%): Exame escrito - 40 perguntas de escolha múltipla
    • Avaliação prática (50%) - resulta da média dos seguintes elementos:
      • OSCE (50%) - uma espécie de gincana. Os alunos passam por quatro estações (1. Cabeça e Pescoço; 2. Tórax; 3. Abdómen e Pelve; 4. Membro Superior; 5. Membro Inferior), sendo que em cada uma têm: Identificação imagiológica de duas estruturas anatómicas (método imagiológico aleatório); Caso clínico teórico (CCT) – resposta simples com base num caso caso clínico descrito no enunciado. Caso clínico aplicado (CCA) – resposta simples com base num enunciado auxiliado por modelo/peça anatómica, ou exame de imagem.
      • Avaliação contínua (50%) - inclui a classificação de dois testes (na 2ª e 5ª aulas), de semelhante grau de dificuldade para todas as turmas, e a classificação das apresentações e participação.
  • Avaliação teórico-prática de Farmacologia (13,4%) - Avaliação contínua, que depende da classificação das apresentações e da participação, sendo que alguns assistentes fazem mini-testes.
  • Avaliação prática de Histologia (13,3%) - Dois testes com 10 perguntas de V/F e 10 perguntas de identificação de tecido/estrutura ± [0,2] valores, com base na prestação em aula (mesmo esquema do 2º semestre do 1º ano).
  • Avaliação teórico-prática de Bioquímica (13,3%) - Avaliação contínua, com base em mini-testes (no final de cada aula) e participação

Tronco Comum II (13 ECTS)
Constituído pelas seguintes cadeiras:
  • Tronco Comum IIa) (82%):
    • Microbiologia
    • Imunologia
    • Infecciologia
  • Tronco Comum IIb) (18%) - Introdução à Medicina da Mulher

Microbiologia
É uma cadeira interessante, mas bastante trabalhosa. Estudam-se bactérias, vírus, fungos, parasitas e protozoários, com enfoque sobre os organismos patogénicos. É a primeira cadeira que permite um contacto mais direto com a doença, sendo que se estuda a sintomatologia, o diagnóstico e o tratamento de doenças cujo agente etiológico é microbiológico.
Existem aulas teóricas e práticas, sendo que as práticas são laboratoriais e têm a duração de 4 horas semanais - há duas aulas de 2h por semana, em dias consecutivos, de modo que se possa semear bactérias num dia e no dia seguinte observar o resultado. As aulas práticas seguem um bocado aquela que é a rotina de um microbiologista: semeamos e incubamos bactérias (o meio de cultura muitas vezes permite fazer o diagnóstico do agente etiológico), fazemos coloração Gram (repetirás tantas vezes o protocolo, que se tornará praticamente automático), discutimos casos clínicos e provas laboratoriais, etc.
Relativamente à lecionação: nas aulas teóricas, é feito um apanhado geral dos principais agentes por espécie/família; nas aulas práticas, estudam-se os agentes por doença. Exemplificando: há aulas teóricas sobre o Neisseria meningitidis, o Streptococcus pneumoniae ou o Haemophilus influenza, sendo que a matéria das mesmas será revista nas aulas práticas sobre meningite (a doença provocada por estes agentes). Permite, assim, que possamos ter uma dupla panorâmica da mesma matéria (por agente etiológico e por doença).

Imunologia
Em BMC, no 1º semestre do 1º ano, é dado um cheirinho sobre Imunologia, que serve de ponto de partida para o que é dado neste semestre. Começa-se por estudar a imunidade inata e a inflamação (complemento, fagócitos, células NK, células dendríticas, pattern recognition receptors), passando de seguida para a imunidade adaptativa (BCRs, TCRs, MHC e apresentação de antigénios, ativação e diferenciação de células T, imunidade celular e humoral, tolerância e memória imunitária) e o modo de funcionamento das vacinas. Também se estabelece uma ponte entre a Imunologia e a Imunopatologia (imunodeficiências primárias e secundárias, infeção por VIH).
Existem aulas teóricas e aulas teórico-práticas, sendo que nestas os alunos formam grupos e fazem uma breve apresentação sobre vertentes dos conteúdos programáticos não muito abordadas nas aulas. Existe também um teste teórico-prático final.

Infecciologia
Quase confundível com Microbiologia. Dá uma abordagem mais geral sobre as doenças infecciosas, o seu quadro clínico e a sua epidemiologia (sendo, assim, complementar com a Microbiologia, que se foca mais na classificação e descrição dos agentes etiológicos). Apenas possui aulas teóricas.

Método de avaliação de Tronco Comum IIa):
  • Exame teórico (76%) - 100 perguntas de escolha múltipla, sendo 60 de Microbiologia, 20 de Infecciologia e 20 de Imunologia
  • Avaliação prática de Microbiologia (18%) - método de avaliação é variável; alguns assistentes fazem mini-testes ao longo das aulas, outros pedem aos alunos para fazerem apresentações, mas todos contam com a participação e prestação nas aulas
  • Avaliação teórico-prática de Imunologia (6%) - resulta da média aritmética de dois elementos:
    • Apresentação (50%);
    • Teste teórico-prático final (50%) - 40 perguntas de escolha múltipla sobre conteúdos das aulas teóricas.
Introdução à Medicina da Mulher
É uma cadeira com poucas aulas (mas que se concentram mais no final do semestre). São dadas algumas bases de Ginecologia e Obstetrícia, nomeadamente o ciclo reprodutor da mulher, sistema genital, gravidez e parto, métodos contracetivos, ISTs e algumas patologias próprias. Não possui aulas práticas. Apesar de haver aulas teórico-práticas, na verdade não o são (são aulas teóricas com registo de presença).
Método de Avaliação: exame teórico - 20 perguntas de escolha múltipla
 
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LordKelvin

O Santo
Especialista
Medicina & Saúde
Matrícula
20 Julho 2015
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Curso
Medicina
Instituição
FMUL
#7
2º ano, 2º semestre

Módulo III.III. - Medicina Clínica: O Médico, a Pessoa e o Doente - Prática de Saúde na Comunidade II
«É mais um estágio no Centro de Saúde (em qualquer ponto do país) e tutor à vossa escolha. É no início do 2º semestre, logo a seguir à semana das optativas. São 2 semanas, em que repetem um pouco o que fizeram no ano passado. Ponto positivo? Já percebem bastante mais do que está a ser abordado - percebem melhor a maioria das patologias crónicas mais comuns - diabetes, obesidade, colesterol porque aprofundaram a Fisiologia e a Bioquímica (quando se aborda o normal nestas disciplinas, não é possível falar também de Patologia), tem algumas bases de Patologia e Imagiologia por causa da Anatomia Clínica, já tiveram Microbiologia e já percebem alguma coisa do que o médico está a prescrever porque tiveram uma parte da Farmacologia.
Gostei bastante destes dois estágios pois treinei alguns gestos técnicos (auscultação, medição da pressão arterial com estetoscópio, palpação abdominal, percurssões, otoscopias etc...) vi e tentei interpretar RX's, TC'S, RM's, ECG's, Ecografias. Tive bastante sorte em ambos os tutores que escolhi, que sempre foram impecáveis e tiveram a paciência para entre as consultas para me explicarem alguma coisa que achassem pertinente ou eu perguntasse.
Para além disso tive um dos primeiros contactos com um ambiente de consultório e um pouco com a Medicina digamos Humana e não apenas um caso clínico sem rosto.
Método de avaliação: aprovado/não aprovado, apenas fazer um relatório de 2 páginas e ter aprovação do tutor e número mínimo de horas realizadas»

Da autoria da @lckk


Tronco Comum III (15,5 ECTS)
Constituído por dois submódulos:
  • Tronco Comum IIIa) (74%) - módulo das "neurocenas"; constituído por:
    • Neuroanatomia
    • Neurofisiologia
    • Neurofarmacologia
    • Psicologia
  • Tronco Comum IIIb) (26%) - Introdução à Medicina da Criança
Neuroanatomia
Nesta cadeira, são lecionados o Sistema Nervoso Central (encéfalo e medula) e faz-se uma breve revisão do Sistema Nervoso Periférico. As aulas teóricas existem nos mesmos moldes de Anatomia e as aulas práticas também (os alunos apresentam os temas mais relevantes da matéria).
A avaliação prática final tem em conta a avaliação contínua (apresentações) e a oral, realizada no final das aulas e antes dos exames.

Neurofisiologia
Se já no semestre anterior o propósito do módulo se evidenciou, neste é impossível não notar a interligação dos conteúdos programáticos de cada cadeira. Se na neuroanatomia nos focamos na organização espacial dos neurónios nas vias ascendentes e descendentes, na neurofisiologia falamos das mesmas vias, mas de um ponto de vista mais funcional. Escusado será dizer que a combinação do estudo destas duas cadeiras (pode até ser feito em simultâneo) permite uma compreensão mais holística do tema.
Há aulas teóricas e práticas, nas quais podemos colocar o que aprendemos em neuroanatomia e neurofisiologia em prática (nomeadamente através de testes clínicos que são utilizados na consulta de neurologia). A avaliação prática final consiste num teste.

Neurofarmacologia
O modelo de aulas é igual ao de Farmacologia do 1º semestre do 2º ano. Nas aulas teóricas, revêem-se conceitos relacionados com a polaridade de membrana e potenciais, neurotransmissão e neuromodulação e faz-se uma introdução às principais classes de fármacos que intervêm sobre o SNC (antiepiléticos, drogas de abuso, antidepressivos, ansiolíticos e hipnoindutores, antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores do humor, antinocicetivos, anestésicos e fármacos para doenças neurodegenerativas). Nas aulas teórico-práticas, os alunos apresentam as respostas a casos clínicos.

Psicologia
Se a neuroanatomia, neurofisiologia e neurofarmacologia se focam no particular/molecular, a psicologia incide sobre a forma como os diversos processos mentais se agrupam de modo a provocar um determinado comportamento/outcome. A psicologia foca-se, portanto, mais no macroscópico.
Consiste em aulas teóricas e práticas. Estas são no total seis, sendo as primeiras quatro destinadas à discussão de grandes temas (Ansiedade, Personalidade, Adição e Depressão), sendo que muitos assistentes trazem, para exemplificar distúrbios, doentes das suas consultas. É uma experiência muito enriquecedora. As últimas duas aulas estão destinadas à apresentação de trabalhos.

Há que destacar aqui a enorme coesão entre os conteúdos programáticos deste módulo. A maioria das aulas teóricas de Neuroanatomia são dadas em conjunto com Neurofisiologia (são seminários interdisciplinares). Por exemplo, a respeito da visão, o docente de Neuroanatomia apresenta os vários constituintes do olho e da via óptica e, logo de seguida, o de Neurofisiologia, com base no que tinha sido apresentado, explica o funcionamento do olho, a transmissão da informação pela via óptica e os reflexos ópticos.

Método de avaliação de Tronco Comum IIIa):
  • Exame teórico (55%) - 80 perguntas de escolha múltipla, sendo 20 de Neuroanatomia, 20 de Neurofisiologia, 20 de Neurofarmacologia e 20 de Psicologia. Tem a duração de 2h (mais 30 minutos de tolerância).
  • Apresentação de um poster no congresso de Neurociências (5%) - os alunos são convidados a formar grupos (3 a 5 membros) e a apresentar um póster sobre um tema de relevância que inclua conceitos de pelo menos duas áreas disciplinares. Se um aluno decidir não participar, não reprova por isso (é uma atividade facultativa), simplesmente não recebe nenhum ponto destes 5 pontos percentuais (habitualmente as notas são muito boas).
  • Avaliação prática (40%):
    • Avaliação prática de Neuroanatomia (25%):
      • Oral - realizada com o assistente das aulas práticas; a duração e exigência são variáveis de assistente para assistente
      • Avaliação contínua - com base nas apresentações, participação e eventualmente mini-testes
    • Avaliação prática de Neurofisiologia (25%) - teste prático final com 20 perguntas de escolha múltipla
    • Avaliação teórico-prática de Neurofarmacologia (25%) - com base nas apresentações, participação e eventualmente mini-testes
    • Avaliação prática de Psicologia (25%) - com base na apresentação

Introdução à Medicina da Criança
É uma disciplina bastante fácil e com muito boas notas. Como o nome indica, introduzem-se as particularidades da criança em relação ao adulto. Por exemplo, as diferenças da fisiologia da respiração, do crescimento, do aparelho cardiovascular, a importância do exercício físico, prevenção de acidentes, a farmacodinâmica particular das crianças, o plano nacional de vacinação, o modelo de touchpoints, o boletim nacional de saúde infantil, a saúde ambiental infantil, os programas de protecção em vigor para as crianças, etc.
Há aulas teóricas, aulas teóricas gravadas no moodle, seminários e aulas teórico-práticas, nas quais os alunos de cada turma preparam um trabalho de campo, do qual sairá uma apresentação no seminário (com duração de 10 minutos) e um relatório, ambos influentes na avaliação prática.
Método de avaliação:

  • Exame teórico (50%) - contém 40 perguntas sobre conteúdos das aulas teóricas, das aulas vídeogravadas e dos seminários
  • Avaliação prática (50%) - dependente da apresentação do trabalho de campo no seminário e do relatório descritivo do mesmo

Módulo IV.I. - Introdução à Patologia dos Sistemas Orgânicos (7,5 ECTS)
1531586003596.png
Apresenta duas componentes: Biopatologia e Imunopatologia. Corresponde à primeira cadeira com conteúdos vocacionados diretamente para a patologia.
A Biopatologia é a componente principal deste módulo, havendo aulas teóricas sobre quatro blocos principais: 1) adaptação e morte celular, 2) inflamação, 3) alterações metabólicas, alterações hemodinâmicas e pigmentos e 4) neoplasias. As aulas práticas e teórico-práticas versam também sobre os mesmos temas, sendo que para cada bloco existe uma aula prática e uma teórico-prática (em semanas consecutivas). Em cada aula, existe uma ficha com casos clínicos que deve ser previamente resolvida e em aula discutida. Nas aulas práticas, observa-se macroscópica e microscopicamente lâminas de biópsia e de peças cadavéricas retiradas de cirurgias. Nas teórico-práticas, apenas observamos os espécimes ao microscópio.
Fora do horário das aulas teóricas, práticas e teórico-práticas, existem ainda dois a quatro seminários (depende das turmas) nos quais os alunos de cada turma prática, previamente divididos em dois grupos, apresentam um determinado tema à outra turma prática do mesmo assistente. Além disso, há ainda um Journal Club, que consiste na apresentação de um artigo definido pela regente por parte de um dos quatro grupos previamente definidos da turma prática, sendo o grupo a apresentar sorteado (ou seja, todos os grupos têm que se preparar para apresentar, mas só um o chega a fazer efetivamente). No final do semestre, realiza-se um teste prático. O aluno só é admitido a exame se tiver uma classificação positiva na avaliação prática (superior ou igual a 7,5 valores visto que esta está cotada para 15 valores).
A Imunopatologia, por outro lado, apenas é lecionada nas aulas teóricas (estudam-se as hipersensibilidades e alergias, a autoimunidade, os transplantes e a evolução da Imunoterapia). É, como tal, apenas avaliada em exame teórico.
Método de avaliação:

  • Avaliação prática (cotada de 0 a 15) - só nos chega a classificação final de 0 a 15, mas todos os elementos referidos anteriormente contam:
    • Avaliação contínua (de 0 a 7) - participação em aula, eventual(ais) (mini-)teste(s), apresentação e participação nos seminários, apresentação do Journal Club;
    • Teste prático final (0 a 8) - contém 15 perguntas com várias alíneas de resposta curta onde são avaliados conteúdos das aulas teóricas, práticas, teórico-práticas e da bibliografia.
  • Exame teórico (cotado de 0 a 5) - neste exame, não há reprovação (mesmo que o aluno tenha 0, se a classificação prática for superior ou igual a 9,5, está aprovado à cadeira). Contém 15 perguntas de escolha múltipla, sendo 5 delas de Imunopatologia (cada uma valendo 0,6 valores) e 10 delas de Biopatologia (cada uma valendo 0,2 valores). Tem a duração de 30 minutos.
Só há aprovação à cadeira se a classificação prática + teórica for superior ou igual a 9,5.
 
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lckk

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#8
4º ano:
É dividido o ano em 2 rotações: metade começa em Medicina, metade começa em Cirurgia.

Rotação de Medicina: Medicina + Pediatria
Medicina contém: Medicina Interna, Cardiologia, Pneumologia, Terapêutica, Oncologia, Dermatologia e Medicina Laboratorial
De manhã tens aulas práticas, à tarde, tens geralmente, 2h de seminários (teóricas obrigatórias).
Medicina Interna (HSM, Pulido Valente, Amadora ou Almada), Cardiologia e Pneumologia (HSM ou Pulido Valente) tens práticas de manhã (4h): tens um tutor, e cada tutor atribuí algo a fazer nesse dia - colher uma história, e discuti-la; treinar o exame objectivo; ver exames complementares de diagnóstico, discuti-los e elaborar planos de tratamento, fazer uma apresentação, discutir algum tema, algum caso na enfermaria, aprender a fazer pequenos procedimentos etc...
Nota: as práticas destas 3 disciplinas dependem muito de tutor para tutor, e do que cada um quer dedicar a estas; para além do tempo de aulas, é comum pedir para ir fazer bancos com os assistentes.
Há uma manhã reservada para Dermato e para Medicina Laboratorial: teórica de dermato de manhã, TP ou prática depois; a TP é basicamente outra teórica, a prática, consiste em assistir a consultas ou ir à enfermaria
Terapêutica, é uma TP (uma espécie de teórica obrigatória): à tarde, 1h e tal a falar sobre cada grupo de fármacos e como os usar.

Avaliação da Medicina toda: exame teórico + oral

Pediatria (HSM ou Lusíadas): aulas na sexta, semelhante às práticas de Medicina, mas numa enfermaria de Pediatria (ou Urgência, ou Neonatologia, ou Consulta...)
Avaliação de Pediatria: exame teórico + aulas práticas + trabalho de campo + oral

Rotação de Cirurgia:
Mesmo esquema: teóricas de tarde, práticas de manhã
Cirurgia Geral: 2 aulas e meia por semana de cirurgia geral (no HSM, no S. José/Curry ou em Almada): no bloco, nas urgências, na consulta ou na enfermaria a acompanhar o tutor
Cirurgia Plástica: aulas teóricas + 1 aula prática (na CUF, HBA ou no HSM - consiste em ir a assistir a consultas, ou ir ao bloco; os profs dão oportunidade em voltar lá se estiverem interessados)
Cirurgia Vascular: aulas teóricas + 2 TPs (teóricas obrigatórias)
Avaliação das 3 ciurgias: exame teórico + exame escrito prático + avaliação das práticas

Oftalmo: aulas teóricas + aulas práticas (assistir a consultas, treino de técnicas básicas e assistir aos exames todos xpto)
Avaliação: exame teórico + exame prático com imagens + avaliação das práticas

Neuro: aulas teóricas + aulas práticas (assistir a consultas, na enfermaria colher histórias clínicas e treinar o exame neurológico; podem pedir para ir a um banco de Neuro)
Avaliação: exame teórico + OSCE + práticas
Psiquiatria: aulas no HSM ou no Júlio de Matos, geralmente, falar com um doente sobre a sua história e delinear qual o Diagnóstico que proporiamos.
 
Gostos: Blasty

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#9
Investigação

Ao contrário do que por vezes se diz, a FMUL é uma faculdade que prima pela inovação, estando acoplada ao Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), um dos centros de investigação mais reputados do país. É no seio deste instituto que se realizam várias das investigações que são noticiadas nos órgãos de comunicação social e sobre as quais certamente já ouviste falar (a título de exemplo, nomeio as mais recentes: Esta vacina curou o cancro em 97% dos ratos. O que vai acontecer nos humanos?; Cientistas descobrem mecanismo nas células que gera músculo saudável; Descoberto mecanismo envolvido na perda de memória pelo envelhecimento; Medicina regenerativa. Portugueses descobrem molécula que faz as células andar para trás no tempo). Se tiveres interesse, podes consultar aqui todos os laboratórios do iMM e os projetos de investigação em curso.

A conexão entre a FMUL e o iMM é bastante forte. Existe um órgão, o GAPIC (Gabinete de Apoio à Investigação Científica, Tecnológica e Inovação) que tem como função promover e incentivar actividades de investigação científica e inovação tecnológica junto dos alunos da FMUL, dando-lhes assim a possibilidade de desenvolver competências de investigação laboratorial na área de preferência dos alunos.

Existem ainda estágios de investigação associados ao iMM para as ciências mais puras, digamos, relacionadas com a Imunologia, a Biologia Celular a Bioquímica, etc. Embora não seja a vertente preferida da maioria dos alunos há a oportunidade de integrar numa equipa de investigação, quer através de falar com um professor investigador quer através da inscrição num estágio que chegue por mail, poster etc.
Existem também vários estágios de investigação clínica relacionados com as áreas disciplinares que frequentaram. Inscrevi-me este ano num, se for aceite depois posso partilhar a experiência.
Para quem esteja interessado na de investigação, a FMUL é uma excelente escolha.


Experiência do @LordKelvin:
«No final do 1º ano, inscrevi-me num estágio de iniciação laboratorial de BMC e, apesar de me ter ocupado duas semanas das minhas férias, não as trocaria por um mês na praia. Foi uma honra para mim ter contactado diretamente com a Prof.ª Carmo e com a sua equipa de investigadores. Tive oportunidade de pôr em prática protocolos experimentais de técnicas que referíamos nas aulas e que sempre me suscitavam enorme interesse, mas que, por falta de tempo, não as podíamos realizar no âmbito das aulas práticas. No estágio, acompanhei a Prof.ª Leonor Saúde, que contribuiu enormemente para a minha paixão por Embriologia. Se não me tivesse inscrito neste estágio, muito provavelmente nunca despertaria para as maravilhas da embriologia experimental.
Este estágio permitia também que os aficionados da investigação se vinculassem a uma equipa e iniciassem imediatamente a sua carreira laboratorial. Conheço colegas que estão neste momento a estudar e a realizar investigação nos tempos livres.»
Estágios
A FMUL oferece a possibilidade de se realizar três tipos de estágios:
Estes estágios são creditados.

Alojamento
Para alojamento e para ir a pé para a universidade, tem para cima a Quinta de Barros e o Bairro de Santos para baixo, bem como toda a região de Entrecampos e Campo Grande. Há também residências universitárias da UL, umas mais perto, outras mais longe. Há também algumas privadas (a da Católica, Domus, Pio XII...)
Um pouco mais longe, recomendo ao longo da linha amarela do metro ou perto de uma paragem com autocarro directo para o Hospital (ver post #1).


Equivalências
Os cursos com mais equivalências são os de Dentária (sobretudo) e Ciências Farmacêuticas. Um ano nestes cursos nunca permite contudo a passagem para o 2º ano, mas permite um 1º ano bastante mais folgado e avançar algumas disciplinas de 2º ano. Não há geralmente vagas para mudança de curso ou transferência.

Os alunos a quem tenha sido concedida equivalência a parte do módulo só fazem as práticas dessa parte do módulo e as perguntas correspondentes a essa parte do exame teórico. A nota final vai ser uma média ponderada entre a nota que obtiveram na FML e a nota das disciplinas que vos deram equivalência à outra parte do módulo.
 
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LordKelvin

O Santo
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Medicina & Saúde
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Curso
Medicina
Instituição
FMUL
#10
Atividades
1531590953228.png
Por menos interessado que estejas na vida académica, haverá sempre este workshop ou aquele evento que atrairá a tua atenção. Temos a sorte de contar com a Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML), conhecida por ser das mais proativas. Todos os dias spammam o correio com actividades que estão a desenvolver, workshops relacionados com medicina ou não que abriram vagas, diversos eventos...
A AEFML foi fundada a 30 de Setembro de 1914 (fazendo este ano uns soberbos 104 anos), sendo uma das mais antigas associações estudantis de Portugal. É uma associação sem fins lucrativos que tem por objectivo a defesa dos interesses dos estudantes da FMUL na vida escolar e na sociedade em geral. Estatutariamente, todos os estudantes inscritos na FMUL têm o direito de participação democrática na vida associativa, designadamente o de elegerem e serem eleitos para cargos associativos (sendo as eleições anuais).
Como já disse, a abrangência dos projetos da AEFML é extensíssima. É tão extensa, que não tenho paciência nem tempo para os descrever todos aqui :p. Os seus departamentos são os seguintes (se tiveres interesse sobre algum ponto em particular, clica na respetiva hiperligação):
Grandes eventos:
  • Noite da Medicina - Falar da FMUL sem referir a Noite da Medicina seria um crime. Um dos melhores eventos que vocês terão o prazer de assistir enquanto caloiros e de assistir/participar nos anos seguintes. É um evento que tem vindo a ser realizado no Coliseu e mais recentemente no Campo Pequeno em que os professores, familiares dos alunos e alunos são convidados. Neste são apresentados sketches que satirizam a universidade, peças musicais, dança, teatro. O evento ocorre habitualmente nos primeiros dias de novembro. Divirtam-se no youtube a pesquisar pela Noite da Medicina da FML. Deixo alguns exemplos!


  • Olimpíadas da Medicina - são também um ícone da FMUL. É como uma viagem de finalistas.
1531591173968.png
«Ocorrem no 2º semestre, os melhores alunos são selecionados para representarem a sua Faculdade sobre conhecimentos teóricos de Medicina. E é isto que podem dizer aos vossos pais! :p Na realidade?... vão ouvir falar tanto disto durante o 1º ano que vão contar os dias para as Olimpíadas.»
@lckk
  • AIMS Meeting - é a maior conferência médica europeia organizada por alunos de Medicina. Todos os anos, durante três dias, médicos, cientistas e estudantes reúnem-se e debatem alguns dos assuntos mais relevantes da nossa era. Além de teres a possibilidade de assistir a palestras lecionadas por alguns dos mais reputados profissionais de cada campo médico, poderás ainda envolver-te e atividades (como competições de investigação, clínicas e científicas), bem como programas culturais (principalmente para os estudantes que não são de Portugal).
  • Sarau Cultural - mais explícito o nome não podia ser. É um sarau estupendo onde assistimos a dança, canto e representação num evento organizado por e para alunos de Medicina. É como uma Noite da Medicina, mas no 2º semestre (e aposta muito mais na vertente cultural). É realizado na Aula Magna da ULisboa.
  • Magusto - evento recreativo que tem lugar em novembro, aquando da celebração do dia de São Martinho.
  • Hospital dos Pequeninos - pretende-se, através de um jogo de representação, reduzir a ansiedade que as crianças sentem quando confrontadas com um profissional de saúde. Por outro lado, pretende-se que os futuros profissionais de saúde utilizem os seus conhecimentos para ajudar as crianças a perderem o medo da “bata branca”, de uma maneira lúdico-didática adaptada à sua idade.
Outros projetos e eventos:
Contudo, nem todas as atividades extracurriculares dentro da FMUL estão vinculadas à AE:

Tradição e Ambiente Académicos
FML Lifestyle

Descrição por @lckk:
«Se repararem, embora a designação seja FMUL, Faculdade de Medicina de Lisboa, a grande parte dos estudantes de lá identifica-a como FML. Porquê? Primeiro, porque só havia uma faculdade de medicina em Lisboa (e sejamos honestos, continua a haver só uma de jeito :p - pequena picardaria com Santana: reconheço o grande mérito de ambas). Em segundo lugar... pesquisem no google FML e vejam o primeiro resultado. Está tudo dito!

Como qualquer faculdade de medicina, e a FML não escapa, a exigência é máxima. A responsabilidade que teremos no futuro é máxima. Os professores esperam brilhantismo, inteligência, esforço, dedicação e mérito. Para isso, adivinhem? Bastante horas de estudo, bastante atenção nas aulas e preparação destas. É claro que durante o semestre podemos por isto um pouco de lado, afinal também não podemos dar em doidos antes de sermos médicos :p Já durante a época de exames, para as pessoas normais, aí sim, só se vê livros à frente. No entanto, qualquer que seja o desfecho de qualquer exame... Bairro!

E agora chega um dos pontos fundamentais.
Eu quando estava a escolher a faculdade disseram-me: "na FML é tudo marrões de nariz empinado com a mania e que se lixam aos outros, é tudo pessoal competitivo".
Marrões? Sim, uma grande parte. Assim o curso o exige
Competitividade?
Piada :p
O curso de Medicina é difícil por si só, ninguém está lá para dificultar alguém.

- Vejamos, os professores por norma não escrevem sebentas. E seria realmente complicado ler a bibliografia recomendada para todas as disciplinas, ir a todas as aulas teóricas...
Resultado, há inúmeras sebentas, desgravadas das aulas teóricas, resumos de livros feitos pelos alunos e partilhados na reprografia e Cloud's.

- Há sempre alunos nas bibliotecas/salas de estudo a estudarem juntos e que tiram dúvidas entre eles. Até agora nunca ninguém mais velho ou do meio ano recusou responder-me a alguma coisa.

- A uma grande parte das disciplinas há Monitores, que são alunos mais velhos que dão em conjunto com o Assistente as aulas práticas, tiram dúvidas, explicam melhor uma matéria, dão aulas extra etc...

- Há um sistema bem organizado de Mentores em que os Mentores são alunos do 2º ou de 3º ano que acompanham o percurso desde o início dos alunos de 1º ano (durante a matrícula podem inscrever-se neste projecto). Eles recomendam materiais de estudo, emprestam-nos, dão dicas, apresentam a faculdade, a cidade... Basicamente dá jeito, porque conhecem logo uma pessoa que vos orienta.

- Há também Praxe, em que pode escolher Madrinha/Padrinho, mas que vou dedicar um ponto a esta.»
Iniciativas de apoio aos alunos de 1º ano
A AEFML e a FMUL têm apostado nos últimos anos na criação de iniciativas de apoio aos alunos recém-chegados à faculdade. Não é difícil imaginar o que os alunos sentem quando transitam do ensino secundário para o ensino superior, as suas apreensões e ansiedades. É um mundo totalmente novo, estranho, assustadoramente aberto (e, por vezes, chega a parecer um pouco agreste). Considero que, e na falta de metáfora melhor, nos sentimos a cair de supetão sem para-quedas. Ora, várias iniciativas funcionam como esse para-querdas que evita o embate:
  • Mentoring - na semana das matrículas, serás convidado, na banca da AEFML, a proceder ao registo no Mentoring. É muito simples: preenches um questionário com os teus gostos e características e ser-te-á atribuído imediatamente o mentor que apresenta maior compatibilidade com os dados que introduziste. O mentor é responsável por te acompanhar ao longo do teu percurso académico (com maior enfoque no 1º ano, que é um ano de adaptação), dando conselhos sobre o melhor material de estudo ou esclarecendo qualquer dúvida que te possa surgir. O Mentoring surgiu há relativamente pouco tempo e está a ser um sucesso tremendo (de tal modo que a FMUL e a AEFML estabeleceram uma parceria na realização deste projeto).
  • Solvin'it - há sempre aquelas matérias que provocam o terror nos alunos, pela sua complexidade ou pelo facto de não terem sido suficientemente abordadas nas aulas. O Solvin'it consiste num conjunto de sessões que são lecionadas por alunos mais velhos.
  • Estágios de Iniciação Pedagógica - já descritos. Os alunos de anos seguintes que ficaram aprovados com distinção a determinadas cadeiras podem candidatar-se aos estágios de iniciação pedagógica, passando a ser monitores. A sua função é acompanhar os alunos subsequentes, prestando-lhes conselhos e auxiliando-os no decorrer das as aulas (e mesmo fora delas).
  • Espaço S - Tendo em consideração que os primeiros momentos na faculdade podem ser muito stressantes, bem como o período de avaliações, numa iniciativa conjunta da AEFML com a FMUL e com o apoio do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Santa Maria, foi criado o Espaço S com o objetivo de prestar apoio psicológico ao Aluno FMUL e intervir na promoção da Saúde Mental na faculdade. Trata-se de um Espaço onde poderás trabalhar, lidar, reflectir sobre os assuntos que para ti são essenciais para o teu bem-estar. Onde poderás compreender-te e compreenderes os teus problemas. Um espaço onde poderás ser tu, sem barreiras, onde o que tu achas ser importante é o que realmente é importante. Conta com um Psicólogo Clínico exclusivo, sem ligação de docência à FMUL. Pretende-se desta forma que o espaço seja um local independente e com autonomia que permita salvaguardar a confidencialidade de todos os que pretenderem ser recebidos.

Praxe
Comentário da @LFTBAS:
Segundo o Código de Praxe da nossa faculdade, a praxe corresponde "ao conjunto de usos, costumes e normas que governam as relações entre os estudantes do Ensino Superior", sendo que se aplica "a qualquer estudante do Ensino Superior que, voluntariamente, se vincule à mesma". Compreende diversas atividades que são realizadas ao longo do ano letivo, tendo como objetivo principal, na minha opinião, integrar os novos alunos da faculdade. No início do ano letivo, há atividades, como, por exemplo, os Jogos Tradicionais e o Torneio Olímpico do Caloiro. Não sei em que é que consiste a 1ª atividade, mas a 2ª inclui vários jogos desportivos entre os caloiros e os "doutores". Em outubro, temos mais algumas atividades. Depois, existem as quintas "negras". Basicamente, ao longo do ano letivo, os caloiros e os "doutores" reúnem-se uma vez por semana para discutirem sobre um determinado tema. Em fevereiro, há mais 1/2 atividades para além das quintas "negras" e, depois, temos o batismo em março - o(a) caloiro(a) pode ser batizado(a) pelo(a) seu/sua padrinho/madrinha ou, então, pela CP (Comissão de Praxe). A seguir ao batismo, há mais 2/3 quintas "negras" e depois vem a semana da queima das fitas em maio (não é só para a praxe). Essa semana termina com a serenata monumental, que é quando os caloiros deixam de ser caloiros (am I right?). Além disso tudo, aprende-se imensas músicas - algumas delas são agradáveis e representam o nosso curso, mas depois há outras que têm com cada palavra... :tearsofjoy:
A praxe da FMUL é considerada bastante soft. Como já referi algures, ninguém é sujado nem humilhado e não há bebedeiras às quintas "negras" (aparentemente, elas existem noutras faculdades). O ambiente costuma ser fixe (principalmente no 2º semestre, que é quando as pessoas já se conhecem melhor).

Existe um passaporte onde são registadas as presenças dos caloiros nas atividades (quando vais a uma quinta "negra", por exemplo, no fim, pedes a um(a) "doutor(a)" para te dar uma assinatura). Antes do batismo, tens de entregar o passaporte à CP para verem o que fizeste ao longo do ano.

Os caloiros que vão à praxe devem vestir sempre essa t-shirt. Mas vais precisar dela mesmo que não vás à praxe (para a Noite da Medicina).

Não sei se expliquei bem, mas é isso o que acontece, muito resumidamente. Pode ser que alguém te consiga explicar mais alguma coisinha (eu fui praxada poucas vezes).

Ah, se não quiseres ir à praxe, estás à vontade. É frequente haver pessoas que não se identificam com a praxe (se bem que algumas delas depois acabam por ir no 2º ano xD).
 
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LordKelvin

O Santo
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Medicina & Saúde
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Curso
Medicina
Instituição
FMUL
#11
Gostavas de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino?
A Direção da FMUL sempre esteve muito recetiva à participação de alunos na gestão do ensino da faculdade. Existem vários órgãos (compostos por alunos) que, direta ou indiretamente, modulam o plano de ação do Diretor, dos institutos e respetivos secretariados e mesmo dos docentes:
  • Discentes do Conselho Pedagógico (CP) - o Conselho Pedagógico é um órgão constituído por 6 docentes e 6 discentes (na verdade, existem 6 efetivos e 6 suplentes). Apresenta variadas funções, como pronunciar-se sobre as orientações pedagógicas e os métodos de ensino e de avaliação, promover a realização de inquéritos regulares ao desempenho pedagógico da instituição e docentes e a sua análise e divulgação (IAE, já falaremos sobre ele); apreciar as denúncias relativas a questões pedagógicas e propor as correções necessárias; pronunciar-se sobre a criação de ciclos de estudos e respetivos planos de estudo; elaborar o calendário letivo e os mapas de exames. O CP é também responsável pela redação e retificação de um documento de tamanha importância, o Regulamento Pedagógico (RP). A importância advém do facto de no Ensino Superior (contrariamente ao Ensino Secundário) a direção conceder uma liberdade quase ilimitada aos institutos e às regências, o que, como imaginas, costuma péssimo resultado. O RP estipula, assim, as principais diretrizes a que todos os institutos e regências têm que se sujeitar. Sempre que há incumprimento do RP, o CP é chamado a agir.
  • Discentes do Conselho de Escola - o Conselho de Escola é um órgão de governo com funções deliberativas e de supervisão, representando os docentes e investigadores, estudantes e pessoal não docente e não investigador da FMUL. Contém 15 elementos, dos quais 3 são estudantes eleitos. Tem várias funções, entre as quais eleger o Diretor da FMUL, bem como suspendê-lo e destitui-lo, apreciar os atos do Diretor da FMUL e do Conselho de Gestão, aprovar alterações aos Estatutos da FMUL e apreciar e discutir os problemas fundamentais de funcionamento da FMUL.
  • AEFML - a AE, como já foi dito anteriormente, estabelece uma excelente relação com a direção da FMUL.
  • Comissões de Curso (CC) - são órgãos existentes em cada ano, sendo responsáveis por servir de ponte entre institutos/regências e alunos, facilitando a veiculação de dúvidas, comunicados e esclarecimentos. A Comissão de Curso no 1º ano é formada com base em voluntários e daí para a frente é eleita todos os anos. As CCs por si só não têm muito poder, mas integram aquela que é a chamada "cadeia de resolução de problemas" (comunicam com a AEFML e o CP, informando se tudo está a correr em conformidade com o RP).
No final de cada semestre, há a preocupação de sondar a opinião dos alunos a respeito do funcionamento das unidades curriculares. Para isso, criou-se um inquérito, o Inquérito de Avaliação do Ensino (IAE), no qual se pretende que os alunos avaliem em escalas de 0 a 9 vários parâmetros (equidade e adequação dos critérios de avaliação aos objetivos da cadeira, adequação da bibliografia e dos PowerPoints das aulas, etc.), havendo igualmente um campo para apresentação livre de críticas, sugestões de mudança e elogios. O inquérito é totalmente anónimo, portanto podemos criticar aquele professor pouco pedagógico sem qualquer receio de represálias... :p
A implementação do IAE veio permitir a identificação de problemas de várias áreas disciplinares, tendo vários sido resolvidos com sucesso.

Como vês, enquanto aluno, terás múltiplas vias de te fazer ouvir, tanto através do teu voto como através da tua candidatura a estes órgãos.
 
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lckk

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#12
Uma opinião pessoal.
Não me arrependo nada da minha escolha e tenho bastante orgulho em frequentar a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Até agora tive os melhores anos da minha vida e acredito que se entrarem cá irão sentir o mesmo.
 
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#14
Plano de Estudos
Podem consultar aqui o plano de estudos integral: http://www.medicina.ulisboa.pt/wp-content/uploads/GuiaEstudante_2014-15.pdf
Vou descrever um pouco as disciplinas que já tive, se tiverem curiosidade depois posso dizer o que sei das restantes :)


1º ano, 1º semestre

Módulo I.I. - Biologia Molecular, Celular e do Desenvolvimento Humano e Genética
É uma disciplina um pouco morosa que alguns acham fascinante. Suponho que seja um pouco a continuação da Biologia do secundário (não, não é obrigatório que tenham tido Biologia de 12º para passar/ter boas notas, mas pode dar uma ajuda; eu não tive, mas mesmo assim fiz com relativa segurança). Nas aulas teóricas aborda-se o DNA, a estrutura celular, princípios de imunologia, a replicação celular, síndromes que afectem os sistemas a nível celular, técnicas citológicas e microscópicos. Depois há aulas práticas, laboratoriais, em que se aplicam essas mesma técnicas (do que me lembro, electroforese, ELISA, FISH...). Há também aulas teórico-práticas em que se resolvem exercícios sobre as aulas teóricas e se faz uma apresentação pontualmente.

Método de Avaliação: exame teórico (escrito!) + avaliação das práticas e teórico-práticas (participação, sobretudo)


Módulo II.I. - Sistemas Orgânicos e Funcionais
Anatomia
O CADEIRÃO!. Primeira aula teórica de anatomia é para rir. Primeira aula prática é para chorar (é muito giro ver as caras dos caloiros de pânico na primeira aula) xD
Vá, após a parte de assustar. Anatomia na FML é difícil. A avaliação prática é por oral. Estudamos por aqueles tratados de 1900 e troca o passo em francês e com não sei quantas folhas que se chamam Rouvières (ou dizem que estudamos... alguém já traduziu aquilo.. move it move it :p)
Neste semestre vão aprender a Osteologia (ossos), Miologia (músculos), Artrologia (articulações), Sistema Circulatório Apendicular (vasos dos membros) e Sistema Nervoso Periférico. É pouco! Na NOVA Medical School ainda dão mais que isso neste semestre :p
Existem aulas teóricas em que os professores disparam a matéria e aulas práticas. Nestas aulas práticas os alunos apresentam os temas dados nas teóricas, algumas turmas fazem mini-testes e tiram-se dúvidas. No instituto há armários e armários com ossos humanos por onde se pode estudar. Há modelos cadavéricos em formol para músculos e articulações. Este ano passado, com o novo Teatro Anatómico (vejam as imagens http://news.fm.ul.pt/Content.aspx?tabid=103&mid=795&cid=2725, tivemos em muitos anos as primeiras disseções cadavéricas para alunos).

O segredo aqui é começar a estudar cedo, ver muitas imagens e não duvidar que é possível passar xD
Alguns podem argumentar que a exaustão da anatomia da FML é bárbara, no entanto não se esqueçam que se souberem 90% de uma matéria, ao fim de 10 anos só sabes 9% (valores fictícios). Se se partem de 40% fica a começar apertado, na minha opinião.
Para mim os 4 semestres de anatomia da FML são uma mais valia, sendo que é um, se não, o, pilar base da Medicina a meu ver.

Bioquímica
A bioquímica é uma disciplina em que se estuda e classificam proteínas, hidratos de carbono, lípidos e se estudam os ciclos do metabolismo. É uma disciplina bastante fácil comparada com os terrores de Bioquímica de outras faculdades. O raciocínio é privilegiado em relação ao marranço e as aulas são bem dadas. Há aulas teóricas, aulas práticas, laboratoriais em que se seguem vários protocolos e se fazem experiências e 1 relatório e aulas teórico-práticas onde se resolve uma ficha de problemas.

Histologia
Fisiologia

Estas duas últimas não têm aulas práticas e valem pouco no exame do módulo e por vezes são esquecidas durante o semestre sobrando bastante pouco tempo para as estudar como deve de ser. No entanto, no semestre seguinte a matéria dada neste semestre é retomada nas aulas práticas, logo não fica esquecida.

Método de Avaliação: exame + nota das aulas práticas (oral de anatomia + nota prática de bioquímica (testes, participação) + nota teórico prática de bioquímica (relatório, trabalho, participação)


Módulo III.I. - Medicina Clínica: O Médico, a Pessoa e o Doente
Esta disciplina é o cúmulo da organização (sem ironias). É preciso ir à aula teórica x e y, são feitos grupos por local de residência e esses grupos depois fazem visitas a instituições relacionadas com a Medicina, depois é eleito um porta-voz, tem de ser fazer um questionário sobre a visita, uma entrevista... uma trabalheira! O exame também é escrito, não há aulas práticas.


Tronco Comum I
- I a) - Ética e Ciências Sociais

É uma disciplina com apenas aulas teóricas. O método de avaliação é por exame escrito. Expõem-se alguns princípios e dilemas éticos na medicina.
- I b) - Suporte Básico de Vida
É uma pequena disciplina em que se aborda o que fazer caso uma pessoa caia inanimada na rua em paragem cardio-respiratória. São uma aula teórica e 2 aulas práticas, com modelos em que praticamos as manobras.
Método de Avaliação: é um pequeno exame prático em que respondemos oralmente a 3 perguntas do avaliador e realizamos as manobras de suporte básico de vida.

Os vários módulos são dados em simultâneo?
 

lckk

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#15
Os vários módulos são dados em simultâneo?
No geral sim. O que acontece frequentemente é as aulas das disciplinas do mesmo módulo começarem e acabarem a diferentes datas, bem como as aulas de alguns módulos podem acabar/começar mais cedo.
Mas a época de exames são 2 semanas no fim de cada semestre e aí há exame a cada módulo :)

Vão ter um horário, mas não quer dizer que todas as semanas têm essas aulas.. Há aulas de semana a semana, 15 em 15 dias, que só há em partes do semestre etc.
 
Gostos: Med2015
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#16
No geral sim. O que acontece frequentemente é as aulas das disciplinas do mesmo módulo começarem e acabarem a diferentes datas, bem como as aulas de alguns módulos podem acabar/começar mais cedo.
Mas a época de exames são 2 semanas no fim de cada semestre e aí há exame a cada módulo :)

Vão ter um horário, mas não quer dizer que todas as semanas têm essas aulas.. Há aulas de semana a semana, 15 em 15 dias, que só há em partes do semestre etc.

Está bem, obrigada :)
 
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#17
Olá! No caso de ter média para entrar na beira interior e não na FML (faculdade que pretendo), gostaria de saber se no 2º ano ao pedir transferência para a FML tenho equivalência às cadeias existentes na FML, de modo a não ser necessário repetir o primeiro ano (como acontece com muito alunos quando mudam de faculdade, no mesmo curso)
 
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#18
Adorei o tópico :blush:
Ajudou-me principalmente a entender melhor que cadeiras existem, visto que no site só falam dos módulos...

Já agora, para o pessoal que considerar importante, já saiu o calendário para o ano letivo 2015/2016: http://www.medicina.ulisboa.pt/wp-content/uploads/Despacho-26-2015.pdf

Futuros caloiros/colegas, as aulas começam dia 14 de Setembro!
 

lckk

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#19
Adorei o tópico :blush:
Ajudou-me principalmente a entender melhor que cadeiras existem, visto que no site só falam dos módulos...

Já agora, para o pessoal que considerar importante, já saiu o calendário para o ano letivo 2015/2016: http://www.medicina.ulisboa.pt/wp-content/uploads/Despacho-26-2015.pdf

Futuros caloiros/colegas, as aulas começam dia 14 de Setembro!
Sim, acaba por ser difícil descortinar as cadeiras por trás de cada módulo sem "inside information" lol

Não, as aulas começam para a outra semana, o pelo menos tem sido assim há alguns anos. Essa primeira semana é uma Semana de Introdução Manhosa sem avaliação que conta 1.5 ECTS, mas é fixe para conhecer os colegas e as instalações. ^^
 
Gostos: Hart
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#20
Sim, acaba por ser difícil descortinar as cadeiras por trás de cada módulo sem "inside information" lol

Não, as aulas começam para a outra semana, o pelo menos tem sido assim há alguns anos. Essa primeira semana é uma Semana de Introdução Manhosa sem avaliação que conta 1.5 ECTS, mas é fixe para conhecer os colegas e as instalações. ^^
Também já me tinham contado acerca dessa semana :yum:
Mas suponho que o pessoal novo queira comparecer, afinal é um ambiente completamente novo...