Medicina no privado

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Medicina
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#21
Diria que estás a misturar exercer a profissão de médico com o fazer o fazer o curso de medicina. Para muitos serão a mesma coisa, mas não tem necessariamente de ser (e para alguns não o é).
Falaste que o curso de Medicina era diferente e respondi-te dessa maneira. Ser médico é diferente efectivamente mas acho que o tópico da discussão nao é esse.

Eu estou a par de tudo o que referes aí, o que não é muito difícil considerando a população de estudantes de medicina que frequenta este fórum. Mas tu estás a assumir que a definição de vagas é feita conforme as saídas profissionais, ou neste caso em particular, a capacidade de formação para o prosseguimento da profissão. Ora que eu saiba isso nunca foi critério para definir vagas em Portugal, veja-se as vagas dos cursos de ensino por exemplo. Se formos a considerar formar alunos em medicina que não terão acesso à especialidade ou ficarão numa situação de desemprego "desperdiçar dinheiro público", deveríamos começar a analisar o investimento feito em formação de milhares de jovens que têm taxas de desemprego elevadas.
Há quem defenda que as vagas deviam ser reduzidas em cursos que têm taxas de empregabilidade excessivamente baixas mas acho que essa discussão não importa. De qualquer das formas, repara que enquanto noutros cursos quando tu acabas o curso estás habilitado a exercer aquela profissão, em Medicina isso nã ocorre! Ao fim de 6 anos, se eu não tiver vaga, legalmente estou ao mesmo nível que estava antes de entrar em Medicina. Não posso exercer NADA na minha área de formação. Ora pegando no exemplo na área da saúde como os Médicos Veterinários ou os Médicos dentistas - estes ao fim dos 5 anos podem exercer onde quiserem: podem criar a sua própria clínica ou trabalhar por conta de outrém. Mais uma vez, eu não o posso!

Pegando noutros exemplos de outras áreas isso também ocorre. Infelizmente que há muita gente que tem que trabalhar em áreas fora da sua formação académica. Mas tendo em conta que Medicina é dos cursos que mais custa ao estado em termos monetários e ainda por cima não me dá a liberdade que os outros cursos me dão acho que é legítimo pedirmos redução de vagas. Além disso, a redução de vagas serve ainda dois propósitos extremamente importantes!
a) As faculdades de medicina estão a abarrotar! Há alunos a mais o que compromete a formação de todos! Pior formação -> maior probabilidade de se cometer erros -> piores cuidados de saúde na população
b) Semelhante ao ponto A mas serve para chamar a atenção que estamos a treinar as nossas skills na nossa população. Inevitavelmente, e por muito bem intencionados e mesmo sob tutela, podemos cometer maldades. Seja por aumento do risco de infecção, seja por treino de procedimentos que podem não correr bem à 1 vez e que são dolorosos, etc etc.

A parte da emigração dos médicos não vou comentar, dado que acho que isso não está ligado à formação mas às condições de trabalho.
Errado. A parte da emigração tb tem muito a ver com a condições de trabalho. Lá fora valoriza-se muito mais que cá no nosso rectângulo. Além disso, não nos podemos esquecer que geralmente são os melhores alunos que vão emigrar e não os piores ;). Mais uma vez quem fica prejudicada somos todos nós!

Se a especialidade for uma responsabilidade do estado sem espaço para a entrada de privados não vejo porque é que as privadas, caso tivessem o curso de medicina, se teriam de preocupar com isso.
Fiquei extremamente confuso com esta parte.
Portanto, concordas que os privados possam fazer umas belas massas à conta disto com o estado a pagar à grande?!


Os alunos, tal como os que fazem atualmente o curso em Espanha, República Checa, etc., saberiam como o sistema funciona e teriam de se precaver em conformidade para entrarem no concurso. Não é muito diferente do que já acontece agora, a diferença é que estamos a dar esses milhares de euros a instituições estrangeiras.
O darmos milhares de euros a instituição estrangeiras tem mais a ver com problemas políticos de gestão de território, das políticas de saúde do que propriamente com abrir vagas para o privado. A tua sugestão é criar MAIS um problema e não uma solução.



Além de que sendo um pouco provocador, e indo mais longe, porque é que não poderíamos ter cá uma escola como as que existe na República Checa focada em alunos estrangeiros? O número de alunos do Brasil que me enviam emails a pedir informações para estudar cá medicina daria para encher todos os anos uma turma cá numa privada, que poderiam depois seguir a sua carreira no país de origem.
Portanto achas bem que venha cá uma população estrangeira treinar na nossa população portuguesa para depois irem para o país de origem, já com alguma formação? Eu não vejo vantagem mesmo que pagassem muito. Já para não falar que um hospital privado não tem as valências que um hospital público tem e muito menos o público alvo (o que condiciona a formação médica). É que não nos podemos esquecer que o nosso sistema de saúde é, apesar de tudo, bastante bom e relativamente universal. Noutros países não o é e em Portugal, as privadas servem um público alvo completamente diferente e muito skewed em termos de patologias. Não se iria conseguir ter uma formação adequada só com base em hospitais privados e não faz sentido as instituições privadas poderem usar hospitais públicos a seu bel prazer.
Além disso, será que os Brasileiros que pedem para estudar cá querem fazê-lo apenas com o intuito de se formarem cá e depois voltarem ao brasil ou será que preferem ficar em Portugal? ;)
 
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#22
Se Portugal fosse um País normal não haveria excesso de candidatos a médicos.

Haveriam provas de aptidão a sério, não é como aquela palhaçada do Algarve do ano de voluntariado. Nunca vi tamanha aberração

Muito dos que estão a estudar para ser médicos deveriam ser proibidos, é mesmo a palavra, proibidos de se aproximar de um doente. Falo por experiência própria das pessoas que já apanhei à minha frente.

Capacidade para decorar imensa coisa têm, isso não é ser médico, isso é uma fantochada. Sensibilidade para cuidarem de alguém, tende para 0
 

Rafael.

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#23
Se Portugal fosse um País normal não haveria excesso de candidatos a médicos.

Haveriam provas de aptidão a sério, não é como aquela palhaçada do Algarve do ano de voluntariado. Nunca vi tamanha aberração

Muito dos que estão a estudar para ser médicos deveriam ser proibidos, é mesmo a palavra, proibidos de se aproximar de um doente. Falo por experiência própria das pessoas que já apanhei à minha frente.

Capacidade para decorar imensa coisa têm, isso não é ser médico, isso é uma fantochada. Sensibilidade para cuidarem de alguém, tende para 0
Apesar de não estar na área, concordo. Criar instituições privadas com o curso de medicina seria facilitar a entrada de pessoal que só vai para o curso com as promessas de emprego sem mínimo interesse pela área que vai afetar como trata os pacientes.

Basta ver o exemplo de medicina veterinária com as privadas : no momento temos 5.5 médicos veterinários por cada 10.000 habitantes. Salvo erro, estamos em 2° ou 3° lugar com maior número de veterinários por cada 10.000 habitantes na europa e esta formação excessiva de médicos veterinários levou à crise na medicina veterinária que se instalou e não parece vir a melhorar ... A quantidade de pessoal que entrou em medicina veterinária só porque lhe soa bem, sem qualquer gosto à área.

Creio que o mesmo aconteceria em Medicina. Faz-me lembrar uma conversa que ouvi de uma mae para um filho quando fui ver as notas da 2° fase. Enquanto eu estava todo feliz com o meu 17 no exame uma mãe vira para o filho e diz " Deixa lá tiveste 6.7, mas vais para a privada ! "

E alguns ainda querem falar de igualdade de acesso ao ensino ;)
 
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Mesquita

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#24
Criar instituições privadas com o curso de medicina seria facilitar a entrada de pessoal que só vai para o curso com as promessas de emprego sem mínimo interesse pela área que vai afetar como trata os pacientes.
Esse argumento é falacioso.
Achas que todas as pessoas que se formam em medicina têm vocação e interesse para exercer a profissão?
Achas que não existem pessoas com vocação e interesse para medicina, mas que não têm média suficiente para ingressar?

Não tenho dúvidas que o médico que me atendeu ontem foi um excelente aluno.
Pode ter entrado com 19 e saído com o mesmo.
Pode ter uma memória fantástica.

Isso não faz dele um bom médico.
 

Rafael.

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#26
Esse argumento é falacioso.
Achas que todas as pessoas que se formam em medicina têm vocação e interesse para exercer a profissão?
Achas que não existem pessoas com vocação e interesse para medicina, mas que não têm média suficiente para ingressar?

Não tenho dúvidas que o médico que me atendeu ontem foi um excelente aluno.
Pode ter entrado com 19 e saído com o mesmo.
Pode ter uma memória fantástica.

Isso não faz dele um bom médico.
Creio que me tenha expressado de forma incorreta :)

Não era nem é minha intenção generalizar! Claro que existem alunos que seriam grandes médicos e que infelizmente não conseguiram por algumas décimas, não tenho dúvidas disso! Mas existem certamente alunos em medicina que entraram nessa área por pressão dos pais, amigos e até mesmo professores ( muitas das histórias partilhadas aqui na Uniarea ! ) e creio que a criação de medicina na privada fosse aumentar esse número de casos. O sonho que alguns pais incutem nos filhos e estes não estão minimamente interessados nessa(s) área(s).

Eu, por exemplo, sempre tive o sonho de seguir medicina veterinária desde miúdo e não consegui pela média, mas sei que ia adorar ter entrado no curso. O que vou dizer pode ir contra a opinião de muitos, mas custa um bocado ver pessoal a seguir medicina veterinária com média de 12 ou 13 nas privadas enquanto que os restantes tiveram que dar tudo por tudo para os 16/17 e mesmo assim alguns ficaram de fora :) Medicina numa privada podia gerar a mesma situação de desigualdade, só isso! Nunca quis duvidar da qualidade ou destreza de certos profissionais na área.
 

Mesquita

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#27
Eu estou a perceber onde pretendes chegar, e tens a tua razão, mas vê o outro lado. Há pessoas que não têm média para entrar no ensino público, entram pelo privado, e conseguem ser melhores profissionais que os outros.
É um lado diferente do que mencionas.
Compreendo a tua frustração quanto ao que dizes, porque eu próprio a sinto.
Como deves perceber é um problema difícil de resolver, não se pode querer o melhor de dois mundos.
 

Alfa

E o Ómega
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#30
Lamento discordar Sheepy

Mas é do Egas

E usar a wikipedia como referencia n é das melhores coisas ;)
Também me parece que é de Letamendi. Tens uma referência?

EDIT: Nunca a tinha visto sequer a ser atribuída a Egas Moniz, apenas a Abel Salazar. Há uns tempos houve uma conversa sobre isso aqui no fórum e fiquei convencido de que afinal era de José de Letamendi.
 
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#31
Também me parece que é de Letamendi. Tens uma referência?

EDIT: Nunca a tinha visto sequer a ser atribuída a Egas Moniz, apenas a Abel Salazar. Há uns tempos houve uma conversa sobre isso aqui no fórum e fiquei convencido de que afinal era de José de Letamendi.
esquece

faço o mea culpa

eu estava a confundir o Egas com o Abel Salazar

É do Abel Salazar
 

a fish

café, suor e lágrimas
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#32
Lamento discordar Sheepy

Mas é do Egas

E usar a wikipedia como referencia n é das melhores coisas ;)
porque apresentar 0 referências é melhor ainda :p
Essa frase até é muitas, muitas vezes atribuída a Abel Salazar (e não a Egas Moniz!), mas não é dele.
O Clube dos Médicos Malditos: Del médico que no sabe más que Medicina, tem por cierto que ni Medicina sabe*
Somos de Ciencias | Diagnostrum
Claro que estas referências não são propriamente as mais seguras do mundo, mas pronto. A ideia, essa sim, é que é importante e parece-me bem verdadeira ;)
 
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Droggy

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#33
Se Portugal fosse um País normal não haveria excesso de candidatos a médicos.

Haveriam provas de aptidão a sério, não é como aquela palhaçada do Algarve do ano de voluntariado. Nunca vi tamanha aberração

Muito dos que estão a estudar para ser médicos deveriam ser proibidos, é mesmo a palavra, proibidos de se aproximar de um doente. Falo por experiência própria das pessoas que já apanhei à minha frente.

Capacidade para decorar imensa coisa têm, isso não é ser médico, isso é uma fantochada. Sensibilidade para cuidarem de alguém, tende para 0
A questão é como é que tu vais avaliar a aptidão para cuidar de alguém/ser médico quando essa pessoa tem 17/18 anitos?
Eventualmente um ou outro pode ter mais apetência mas isso nao significa que daí a 5 anos seja verdade. As pessoas vão crescendo e evoluindo e eu noto isso nos meus colegas e até comigo. Já para não falar que há um conjunto de especialidades nas quais não lidas com doentes (ou lidas muito pouco). E no final de tudo, ainda tens aqueles que se podem dedicar ao laboratório.
 
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#34
Claro que as pessoas evoluem Droggy

Pode é não ser no bom sentido

Mas há uma coisa que se faz por exemplo muito na Academia Militar, são chamados testes psicotécnicos, entrevistas

Olha aquilo que se faz aos licenciados um pouco para entrar, mas numa escala muito menor

Enquanto no percurso normal precisas apenas de uma média

Achas isto equilibrado?

Olha eu acho ridículo
 

Droggy

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#35
Claro que as pessoas evoluem Droggy

Pode é não ser no bom sentido

Mas há uma coisa que se faz por exemplo muito na Academia Militar, são chamados testes psicotécnicos, entrevistas

Olha aquilo que se faz aos licenciados um pouco para entrar, mas numa escala muito menor

Enquanto no percurso normal precisas apenas de uma média

Achas isto equilibrado?

Olha eu acho ridículo
Mas isso do poder ou nao evoluir no mau/bom sentido não há maneira de adivinhar digo eu.

A questão é que para fazeres isso tens que ter métricas adequadas. Infelizmente, no nosso país, entrevistas não funcionam nestes contextos. A nossa cultura é muito dependente do factor C (se é que me faço entender). E esta opinião não é partilhada apenas por mim - vou-te dar um exemplo concreto. Há 2 anos, o antigo bastonário da ordem dos médicos, Professor Jose Manuel Silva, num debate aqui na minha faculdade disse claramente isto mesmo no contexto da escolha de especialidade. Há quem advogue que a escolha de especialidade devia por passar (nem que seja em parte) por uma entrevista. Ora ele discordou profundamente disso precisamente porque ele considera que em Portugal há muito este factor C presente e não iria resolver nenhum problema.

A solução actual, apesar de não ser perfeita, acaba por ser, no contexto da nossa cultura aquilo que é mais adequado. E a questão dos licenciados é diferente porque geralmente são pessoas já com formação, mais velhas e que portanto já é mais fácil avaliar (já para nao falar do número de pessoas que é muito menor). Como disse, um miudo de 17/18 anos ainda tem muito para crescer. É preciso desmitificar um bocado essa ideia de que há muita gente com vocação que não entra em Medicina. É mentira. Eventualmente, tens um ou outro que efectivamente tem esse "dom" mas a esmagadora maioria é uma questão de treino/trabalho/experiências de vida. E este exercício tu consegues fazê-lo se pensares, com pormenor, como é que irias avaliar um puto se tem capacidade de ser médico ou não. E quem diz médico diz outra profissão qualquer.
 

davis

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#36
@Droggy não sei muito bem como escapou-me aquela tua resposta no início desta página, pelo que fica agora a resposta:

Há quem defenda que as vagas deviam ser reduzidas em cursos que têm taxas de empregabilidade excessivamente baixas mas acho que essa discussão não importa. De qualquer das formas, repara que enquanto noutros cursos quando tu acabas o curso estás habilitado a exercer aquela profissão, em Medicina isso nã ocorre! Ao fim de 6 anos, se eu não tiver vaga, legalmente estou ao mesmo nível que estava antes de entrar em Medicina. Não posso exercer NADA na minha área de formação. Ora pegando no exemplo na área da saúde como os Médicos Veterinários ou os Médicos dentistas - estes ao fim dos 5 anos podem exercer onde quiserem: podem criar a sua própria clínica ou trabalhar por conta de outrém. Mais uma vez, eu não o posso!

Pegando noutros exemplos de outras áreas isso também ocorre. Infelizmente que há muita gente que tem que trabalhar em áreas fora da sua formação académica. Mas tendo em conta que Medicina é dos cursos que mais custa ao estado em termos monetários e ainda por cima não me dá a liberdade que os outros cursos me dão acho que é legítimo pedirmos redução de vagas. Além disso, a redução de vagas serve ainda dois propósitos extremamente importantes!
a) As faculdades de medicina estão a abarrotar! Há alunos a mais o que compromete a formação de todos! Pior formação -> maior probabilidade de se cometer erros -> piores cuidados de saúde na população
b) Semelhante ao ponto A mas serve para chamar a atenção que estamos a treinar as nossas skills na nossa população. Inevitavelmente, e por muito bem intencionados e mesmo sob tutela, podemos cometer maldades. Seja por aumento do risco de infecção, seja por treino de procedimentos que podem não correr bem à 1 vez e que são dolorosos, etc etc.
Como referes isso também acontece noutras áreas, e não é por isso que deixam de existir nas privadas. Eu avalio isto numa questão de princípio por comparação ao que já existe, acho que há um tratamento especial dado a medicina que, na minha opinião, não se justifica.

Quanto aos problemas que apontas, não veria problema em:
a) Reduzir as vagas nas faculdades públicas que estão acima da sua capacidade de formação.
b) Transferir essas vagas para uma oferta privada.

É basicamente o que o estado já faz em muitas outras áreas nos hospitais, escolas, infraestruturas, etc., quando não tem capacidade e/ou competência para o fazer.

Errado. A parte da emigração tb tem muito a ver com a condições de trabalho. Lá fora valoriza-se muito mais que cá no nosso rectângulo. Além disso, não nos podemos esquecer que geralmente são os melhores alunos que vão emigrar e não os piores ;). Mais uma vez quem fica prejudicada somos todos nós!
Uma coisa são as condições de trabalho outra coisa são as condições da formação. São problemas que têm de ser avaliados e resolvidos em esferas diferentes. Daí ter referido que não ia entrar na primeira temática, são coisas diferentes. A questão da valorização dos profissionais é transversal a várias profissões e daria o seu próprio tópico de discussão.

Fiquei extremamente confuso com esta parte.
Portanto, concordas que os privados possam fazer umas belas massas à conta disto com o estado a pagar à grande?!
O estado pagaria à grande de que forma? Eventualmente pagaria em bolsas de estudo, mas isso o estado já o faz no privado noutros cursos.

O darmos milhares de euros a instituição estrangeiras tem mais a ver com problemas políticos de gestão de território, das políticas de saúde do que propriamente com abrir vagas para o privado. A tua sugestão é criar MAIS um problema e não uma solução.
Não concordo. Acontece porque não há oferta privada em Portugal. Não vejo como isto seria um problema.

Portanto achas bem que venha cá uma população estrangeira treinar na nossa população portuguesa para depois irem para o país de origem, já com alguma formação? Eu não vejo vantagem mesmo que pagassem muito. Já para não falar que um hospital privado não tem as valências que um hospital público tem e muito menos o público alvo (o que condiciona a formação médica). É que não nos podemos esquecer que o nosso sistema de saúde é, apesar de tudo, bastante bom e relativamente universal. Noutros países não o é e em Portugal, as privadas servem um público alvo completamente diferente e muito skewed em termos de patologias. Não se iria conseguir ter uma formação adequada só com base em hospitais privados e não faz sentido as instituições privadas poderem usar hospitais públicos a seu bel prazer.
Além disso, será que os Brasileiros que pedem para estudar cá querem fazê-lo apenas com o intuito de se formarem cá e depois voltarem ao brasil ou será que preferem ficar em Portugal? ;)
Mas isso já não acontece em todos os outros cursos? Sabes que há uma universidade portuguesa em que +10% dos alunos já são brasileiros e que é a universidade com mais brasileiros fora do Brasil no mundo? Já para não falar dos milhares de outros países. Quanto a essa última parte, caberia aos alunos perceber como iram complementar depois a sua formação para terem uma experiência mais vasta em termos de patologias. Não me chocaria saber de hospitais públicos que estariam a ser pagos por universidades privadas para receber alunos.

Dou-te o exemplo do curso privado de piloto. Os alunos desembolsam perto de 50 mil euros e quando acabas não podes trabalhar ainda, porque ainda não tens horas de voo suficientes. Cabe a cada um perceber como as arranja, sendo que muitos pagam para conseguir usar aviões e as obter.

Criar instituições privadas com o curso de medicina seria facilitar a entrada de pessoal que só vai para o curso com as promessas de emprego sem mínimo interesse pela área que vai afetar como trata os pacientes.
Esse argumento é falacioso.
Concordo. Isso é levar mais longe a discussão, de como é que deveriam ser seleccionados os alunos de medicina (e os outros cursos superiores?). E isso é transversal a públicas e privadas.
 
Gostos: Rafael.

Droggy

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#37
@Droggy
Como referes isso também acontece noutras áreas, e não é por isso que deixam de existir nas privadas. Eu avalio isto numa questão de princípio por comparação ao que já existe, acho que há um tratamento especial dado a medicina que, na minha opinião, não se justifica.
como dizia o outro, "diga um". Mas agora a sério. Diz-me um outro curso onde se passa o que eu descrevi. Vais perceber que não há nenhum e mesmo o exemplo dos pilotos privados que tu referiste mais abaixo, não se aplica aqui. Uma instituição privada que supostamente forma alunos para irem trabalhar mas depois não lhes dá o número de horas suficientes...estranho! Provavelmente, isso é mais uma artimanha para sacar mais uma massas ao pessoal que lá anda do que propriamente a conclusão da sua formação. E além disso, como tu disseste e bem, é uma instituição privada. Só lá vai quem quer (e quem pode). Numa instituição pública isso não podia ocorrer de todo (provavelmente o curso de piloto nem existe a nível público - não sei, honestamente.).

@Droggy
Quanto aos problemas que apontas, não veria problema em:
a) Reduzir as vagas nas faculdades públicas que estão acima da sua capacidade de formação.
b) Transferir essas vagas para uma oferta privada.

É basicamente o que o estado já faz em muitas outras áreas nos hospitais, escolas, infraestruturas, etc., quando não tem capacidade e/ou competência para o fazer.
A ideia tem algum mérito obviamente, apesar de já ter sido aqui referido alguns problemas das instituições privadas, quanto à sua capacidade de formação (acesso a um hospital privado, etc). Todas as faculdades de medicina deste país estão a abarrotar e há várias anos. Nenhum ministro teve coragem para diminuir as vagas no público e duvido (infelizmente para todos nós) que isso vá acontecer num futuro próximo. Além disso, o simples acto de transferir vagas não resolve o problema de base -> excesso de alunos de medicina no global para o número de vagas de especialidade.
Estou disposto a discutir esta ideia com mais detalhe se tiveres interesse. (e.g: as instituições privadas podiam pagar ao hospital público para ter lá os seus alunos como referes mais abaixo).

@Droggy
Uma coisa são as condições de trabalho outra coisa são as condições da formação. São problemas que têm de ser avaliados e resolvidos em esferas diferentes. Daí ter referido que não ia entrar na primeira temática, são coisas diferentes. A questão da valorização dos profissionais é transversal a várias profissões e daria o seu próprio tópico de discussão.
Claro que são discussões diferentes mas na altura o argumento "já que nos outros não se faz assim, medicina nao é especial". Se estamos a fazer uma coisa "bem" porque é que vamos começar a fazer mal? Ou seja, esclarecendo, acharias obsceno que as vagas no ensino superior reflectissem (mais ou menos) as saídas profissionais (nao estou obviamente a falar numa proporção de 1:1).

@Droggy
O estado pagaria à grande de que forma? Eventualmente pagaria em bolsas de estudo, mas isso o estado já o faz no privado noutros cursos.
Eu acho que aqui houve um mal entendido. Vamos por partes:

Já foi aqui explicado os motivos pelo quais tanto a nível de formação pré-graduada como a nível de especialidade, não faz qualquer sentido haver privados (sendo essa razão mais forte na formação de especialistas). Vou isentar-me de os repetir mas se algo não ficou claro eu posso tentar explicar novamente. Desse argumento tu retorquiste que : "Se a especialidade for uma responsabilidade do estado sem espaço para a entrada de privados não vejo porque é que as privadas, caso tivessem o curso de medicina, se teriam de preocupar com isso."

A resposta é óbvia: as privadas não iriam querer saber porque os alunos já tinham pago (a peso de ouro) a sua formação.
Eu acho muito sinceramente que é tão óbvio o problema aqui que parece díficil explicar por outras palavras. Se o objectivo das privadas é fazer dinheiro, têm permissão para formar mestres em Medicina e depois têm zero responsabilidade na continuação da sua formação, é claro que nao querem saber. E mais uma vez: Medicina é diferente aqui porque efectivamente, por LEI, não pode haver médicos indiferenciado! Logo, tem que haver uma solução para estes mestres em Medicina. Ou seja, os privados ficam com os lucros mas o problema social (porque andamos a gastar 6 anos de vida de jovens altamente qualificados) fica do lado do estado que nao tem culpa nenhuma no meio disto tudo.


@Droggy
Mas isso já não acontece em todos os outros cursos? Sabes que há uma universidade portuguesa em que +10% dos alunos já são brasileiros e que é a universidade com mais brasileiros fora do Brasil no mundo? Já para não falar dos milhares de outros países. Quanto a essa última parte, caberia aos alunos perceber como iram complementar depois a sua formação para terem uma experiência mais vasta em termos de patologias. Não me chocaria saber de hospitais públicos que estariam a ser pagos por universidades privadas para receber alunos.
Vou só comentar a parte de "caberia aos alunos perceber como complementar depois a sua formação" porque o resto já foi mais ou menos falado. Essa afirmação é um perigo mas compreendo que alguém da área não médica possa pensar assim. Os alunos não sabem, se não tiverem contacto com a especialidade, patologia, etc o que necessitam efectivamente de saber. As coisas infelizmente não são assim tão óbvias e deixar áreas importantes de formação de um aluno ao seu cargo é bastante irresponsável.
 

sheepy

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Lamento discordar Sheepy

Mas é do Egas

E usar a wikipedia como referencia n é das melhores coisas ;)
Fogo, e eu que ia usar a wiki na minha monografia de final de curso... Adiante.
Já sei que querias dizer Abel Salazar. O que eu aprendi em História da Medicina é que essa frase é incorrectamente atribuída a Abel Salazar. Gostava mt de te dar fontes credíveis mas isso ficou no 1º ano e não tenho tempo de ir em busca :p
 
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#39
Fogo, e eu que ia usar a wiki na minha monografia de final de curso... Adiante.
Já sei que querias dizer Abel Salazar. O que eu aprendi em História da Medicina é que essa frase é incorrectamente atribuída a Abel Salazar. Gostava mt de te dar fontes credíveis mas isso ficou no 1º ano e não tenho tempo de ir em busca :p
Hm... Estranho... Eu aprendi em História da Medicina que essa frase é precisamente de Abel Salazar :tearsofjoy:
 
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