Eu, reles e humilde caloira de graça Inês, gracinha Ribeiro, frequento o mui nobre curso Genética e Biotecnologia na mui nobre Universidade Trás os Montes e Alto Douro.

Nunca fui muito a favor da praxe, tudo o que via na televisão assustava-me, sempre pensei «e quando eu for para a universidade?» O primeiros dias foram verdadeiramente assustadores, senti medo de pessoas pouco mais velhas que eu, pensei em desistir mas sempre que uma lágrima me saia tinha logo uma multidão ao pé de mim a perguntar se me sentia bem, se precisava de alguma coisa, se queria falar, para ter calma… Educaram-nos da forma que foram educados, praxaram-nos da forma como foram praxados, transmitiram-nos aquilo que consideraram correto e que antes lhes foi transmitido também. Na praxe nunca me faltou nada, partilhei lágrimas e recordações para a vida.



A praxe é muito mais que integração, é partilhar comida, roupa, choros, lágrimas, momentos e recordações… É aprender a defender o curso e a academia perante outros cursos e a cidade. É ter orgulho em usar uma camisola toda suja durante meses, é respeito e solidariedade, é andar todos os dias rouco mas mesmo assim berrar pelo curso. É a adrenalina de fazer um despique e as lágrimas de alegria quando o ganhamos, é a felicidade extrema quando os nossos praxadores dizem ter orgulho em nós, é o sorriso que fazemos a um semelhante quando o vemos mal que pode representar um simples: «calma, estamos todos juntos nisto». É berrar a latada enquanto sorrimos e estamos de mão dada com a semelhante ao lado, é dar o que temos sem exigir nada em troca.

Aprendi a ter orgulho, enquanto berrava pela cidade com tudo o que tinha e com todo o meu coração de mãos dadas com eles, com aqueles que são os meus semelhantes, as músicas de curso. Aprendi a ter orgulho num curso ainda antes de saber alguma coisa concreta sobre ele. Aprendi a ser responsável, solidária, altruísta e tantas outras coisas que não vou mais esquecer. A praxe foi a experiência mais enriquecedora da minha vida.

Digo com todo o ORGULHO do mundo que tenho os melhores praxadores e os melhores semelhantes, somos muito mais que amigos, somos muito mais que um curso, somos uma família e disso poucos se podem e poderão orgulhar. Um dia só quero que os meus caloiros gostem e aprendam tanto com a praxe como eu gostei e aprendi. Fui muito feliz na praxe e levo de lá recordações para a vida, fazia tudo outra vez!

«A minha sorte grande foi entrar neste curso.»

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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