Todos os anos, nesta altura do ano letivo, vem aquela dor final que se resume aos exames nacionais. A sensação ao entrar na sala não é certamente a mesma. Cada um com a sua pressão, com os seus medos (ou não). Na verdade, cada um levará um propósito, mais não seja “cumprir calendário”.

A verdade é que no final do secundário a pressão é outra, principalmente para aqueles cujo desejo seja o ensino superior. Naqueles dias que somos «dispensados previamente para “férias”» e nos ocupamos a estudar mais do que em qualquer outro momento da nossa vida, tudo nos passa pela cabeça. Às vezes, até desistir… ou o porquê de nos estarmos a esforçar tanto. Depois de uns dias de estudo constante, vem a revolta. Aquela sensação revoltosa dentro de nós que nos faz querer parar de estudar, ou nos faz questionar o porquê daqueles exames serem tão importantes para entrar na universidade.

Admito que, pessoalmente, a época de exames sempre foi um tormento para mim. Continua a sê-lo. Abdica-se de horas de sono, de lazer. Abdica-se dos treinos, das saídas à noite com os amigos. Acho que é aquilo que, em economia, designam de custo de oportunidade. Abdicar de algo por outra coisa. E voltamos à escola, mais algumas vezes, porque os professores têm a amabilidade de nos ajudar, até mesmo quando achamos não haver ajuda possível.

Cada um dos professores tem o seu conselho. E são tantos! Chegaram-me a dizer para treinar antes do exame, assim saberiam que eu estaria calma (sempre levei demasiado a sério estas fases de exames nacionais). “Respirem fundo”, “Levem canetas iguais”, “Deixem os telemóveis em casa”, “Por favor, não se atrasem”,… Conselhos e mais conselhos. Todos úteis, efetivamente, apesar de repetitivos, também. Acontece que nunca é demais dizê-los mais uma vez. Nada pode falhar naquele dia. Se ao estado de nervos “normal” adicionarmos algum esquecimento, garanto que a seguir seremos uma bomba prestes a explodir.

Contudo, no meio de tantas vozes, há sempre uma que transcende os exames. Há conselhos que levamos para a vida, mesmo quando nos são dados nestes dias. Daqueles que guardamos religiosamente na nossa cabeça. Aqueles que relembramos à porta daquela sala em que somos colocados por ordem alfabética. É o melhor conselho que pode ser dado. Na véspera de um exame, uns quantos de alunos ouviram “Rapaziada, há mais vida para além dos exames. Não se esqueçam disso.”. Ouvir isto de um professor, é como levar uma lufada de ar fresco. É arrancar das nossas costas aquela cruz que arrastamos durante anos. É dizer-nos, mesmo que em pezinhos de lã, que não somos números e somos mais do que aqueles resultados.

A vida é mesmo muito mais do que os exames nacionais. Quando tudo parecer perdido num exame menos bom, outras coisas positivas surgirão. E se quiserem um conselho, escutem todos os conselhos que vos dão. São todos úteis!