Sempre sonhei ser médica. Com 8 anos de idade, perguntavam-me “o que queria ser quando fosse grande” e eu sempre disse que queria ser médica. Nunca fui como as outras raparigas que com 8 anos sonhavam ser cabeleireiras ou bailarinas.

O sonho da medicina nunca esmoreceu. Cresci, e o meu sonho cresceu comigo. Fiz o secundário e terminei o 12º ano com média de 17,4 e as notas dos exames nacionais de Biologia/Geologia e de Física-Química baixaram-me a média de candidatura. A ansiedade com a qual eu tinha de lutar nos momentos de avaliação – sejam eles testes ou exames – foi mais forte do que eu.

Desesperei, porque em Setembro de 2015 a minha vida tinha acabado. Eu não ia ser nada sem a medicina, os meus amigos iam estar todos na faculdade nos seus cursos de sonho; e eu? O que ia fazer? Não parecia haver solução possível, porque naquele momento o mundo parecia ter desabado. Ir para outro curso – impensável. Ficar um ano a fazer melhorias – pior ainda.



Mas a verdade é que no momento da candidatura eu tinha de tomar uma opção. Não podia ficar parada. Coloquei 5 faculdades de medicina nas primeiras opções (só mesmo porque sim) e na última opção coloquei o curso de Ciências Farmacêuticas, onde ia entrar de certeza. E entrei. E matriculei-me. E custou muito. Ainda custa ir para um sítio onde não quero estar.

Gostava de agora ser uma daquelas pessoas que descobre que afinal não gosta assim tanto de medicina e descobriu o seu verdadeiro destino. Mas (in)felizmente não sou. Estou neste momento no curso de ciências farmacêuticas onde estou apenas a fazer 3 cadeiras que me vão dar equivalência a medicina quando eu entrar. Isto porquê? Porque em Setembro a minha vida afinal não tinha acabado. Não entrar àprimeira não significa desistir do nosso sonho, apesar de muitas vezes (muitas vezes mesmo…) essa ser a maior vontade. Neste momento estou a fazer as 3 cadeiras enquanto estudo para os exames nacionais de BG e FQ. Enquanto isto, rezo para que o nervosismo e a ansiedade não me consumam em junho de 2016, nas salas de exame.

Não entrar à primeira não é o fim do mundo. Parece (e eu sei que parece mesmo…) mas temos de aprender a dominar o medo, a ansiedade, o pânico e, sobretudo – a frustração.

Muitas vezes somos submetidos a situações de stress nas quais o chão nos foge e o mundo nos cai em cima. Esta é uma delas. Tudo isto serve somente para nos mostrar que quando gostamos de algo, somos capazes de arranjar força, motivação e mais importante que isso: SOLUÇÕES. É preciso remar contra a maré. Existe sempre algo a fazer, algo a experimentar, algo a descobrir. Somos todos jovens em aprendizagem, perdidos neste enorme mundo novo no qual vagueamos à procura de rumo e de caminhos para alcançar os nossos objetivos. Acreditem que esses caminhos existem. Podem não ser os mais evidentes e imediatos. Mas existem.

Eu acredito que os sonhos são possíveis de realizar.

Força a todas as pessoas que não conseguiram entrar este ano e às que querem entrar em Setembro de 2016. O futuro está à nossaespera. Estamos todos juntos e unidos! A medicina não se vai embora sem antes lá chegarmos.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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