É já tradição o curso de Medicina ser um dos mais almejados por parte dos alunos do ensino secundário, arrecadando um grande número de candidatos e uma média de acesso habitualmente alta. Esperámos então com este guia dar-te uma melhor noção de tudo o necessário para te candidatar e conseguires atingir o teu objetivo: ser médico.

Por onde começar?

Desde o tratado de Bolonha, o curso de medicina passou a ser um mestrado integrado com duração de 6 anos. O curso está dividido em anos teóricos, onde se aprendem ciências básicas e conceitos-chave, e anos clínicos, com o objetivo de adquirir competências necessárias para a prática de medicina. No final dos 6 anos é necessária a apresentação duma tese (ou relatório final) de modo a obter o grau de mestrado em Medicina.

Existem atualmente 8 faculdades de medicina em Portugal (indo de norte para sul):

Existem ainda duas universidades a lecionar cursos básicos de medicina, tendo estes cursos seguimento em faculdades acima referidas:

Os alunos que terminam o ciclo básico de Medicina na Universidade da Madeira prosseguirão os estudos na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Por sua vez, os finalistas da Universidade dos Açores continuarão a formar-se em Coimbra, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

 

Como aceder o curso?

A partir daqui não será focado o mestrado integrado lecionado na Universidade do Algarve, dado reger-se por normas de acesso diferentes. O acesso ao curso de medicina ou ao ciclo básico faz-se pelo concurso nacional de acesso ao ensino superior, do qual é responsável a DGES. Neste momento, o peso das provas de entrada para o curso é de 50%, sendo a nota correspondente às provas de ingresso a média dos resultados das seguintes provas:

Os restantes 50% correspondem à média interna do secundário. Lê ainda mais informação no artigo as 10 coisas que deves prestar atenção na candidatura ao ensino superior. É necessário tirar pelo menos 140 pontos em cada prova, acrescentando a que a nota de candidatura mínima varia entre as faculdades:

  • 140 em todas excetuando as seguintes 3 faculdades
  • 150 na NMS|FCM.
  • 160 na FMUL e na Universidade da Madeira.

Por último, terás também de satisfazer o pré-requisito A. Podes acedê-lo aqui, assim como ao seu regulamento. O objetivo do pré-requisito é testar e comprovar a “ausência de deficiência psíquica, sensorial ou motora que interfira gravemente com a capacidade funcional e de comunicação interpessoal a ponto de impedir a aprendizagem própria ou alheia”. Para tal, precisarás de ir ao médico e entregar o comprovativo no ato da matrícula.

 

Qual a média do último candidato?

As médias têm vindo a sofrer uma variação acentuada nos últimos anos, apresentando valores mínimos e históricos, contrastando com a descida da média dos exames nacionais. É também necessário ter em conta o aumento de vagas acentuado que se registou desde 2000. Contudo, as vagas têm vindo a manter-se iguais nos últimos anos letivos. As notas dos últimos colocados na primeira fase nos últimos 16 anos:

 

E se não conseguires entrar?

Infelizmente, a abertura de vagas para mudança de curso são raras e normalmente nunca são abertas vagas para estes concursos locais. Posto isto, poderás escolher dois caminhos. A primeira opção é não ingressar no ensino superior e focar-te nos exames nacionais do próximo ano. Poderás deste modo melhorar a tua Classificação Final de Disciplina (CFD) e as tuas provas de ingresso, sem mais preocupações. Por outro lado, e se não quiseres ficar parado, podes ingressar num curso superior. A escolha comum para quem quer medicina e não se imagina a fazer outra coisa recai sobre cursos com elevada parecença com o curso de Medicina, no 1º ano. Posto isto, as escolhas habituais são Medicina Dentária, Medicina Veterinária e Ciências Farmacêuticas. Há também quem escolha Engenharia Biomédica, contudo não terá tantas equivalências, caso seja esse. Por vezes, quem ingressa nestes cursos acaba por descobrir uma nova paixão e nem pensa em mudar. Há várias vantagens e desvantagens nesta escolha. Desde conhecer a realidade universitária mais de perto a ter de dividir tempo de estudo entre os exames nacionais e a faculdade. O melhor caminho é subjetivo e qualquer pessoa a considerar melhorar e voltar a tentar medicina deve equacionar calmamente e objetivamente a melhor escolha para si.

 

O novo regime de internato médico

Ao entrares este ano significará que já serás afetado pelas novas mudanças ao regime de internato médico. Após anos de rumores, avanços e retrocessos, a novela do novo regime de internato médico chegou ao fim este ano com a publicação do decreto-lei em diário da república. As mudanças focam-se principalmente a nível da prova nacional de seriação e avaliação (o chamado Harrison), acesso às especialidades e o ano comum. Para além disso, a supervisão da capacidade formativa passa para o Conselho Nacional de Internato Médico (era gerida pela Ordem dos Médicos). Começando pelas alterações à prova nacional de seriação e avaliação, será definida uma nota mínima para acesso ao internato e a média final de curso terá um peso de 20% no processo de candidatura. Para atenuar as diferenças entre as avaliações das várias faculdades será feita uma ponderação entre as médias das diferentes instituições. No que toca às especialidades em si, as alterações recaem sobre as trocas e impossibilidade de acesso a dada especialidade. Neste momento ainda decorre o processo de aperfeiçoamento do decreto-lei, pelo que se saberá mais detalhes ainda este ano.

 

Como será este ano?

Achas que as médias irão subir? Descer? Qual a melhor faculdade para ti?  Tens alguma dúvida que queiras discutir?
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