Imagina os seguintes cenários:

Aluno A

  • Secundário concluído: ✔
  • Exames Nacionais: ✔
  • Prova de Ingresso válida: ✔
  • Candidatura preenchida: ✔

Aluno B

  • Secundário concluído: ✔
  • Exames Nacionais: ✔
  • Dúvidas em relação à escolha: ✔

Aluno C

  • Secundário concluído: X
  • Exames Nacionais: ✔
  • Prova de Ingresso válida: X

Aluno A: “E se a minha média não chegar para entrar no curso que quero?”.

Aluno B: “E se não conseguir encontrar nenhum curso que me agrade?”

Aluno C: “O que fazer se não me posso candidatar?”

Estas são, infelizmente, questões que assombram muitos alunos nesta fase. Será que a média chega para entrar no que querem? Será que não há nenhum curso onde se encaixem? Será que não poderão candidatar-se à faculdade?

Se algum destes casos é o teu e não tens um plano B, então este artigo é ideal para ti.



 

Primeiro Emprego

Se vos pedisse para pensar o que fariam se não entrassem na faculdade, esta seria certamente a primeira coisa que vos viria à cabeça. Arranjar um trabalho pode ser um bom começo para o ano de espera que se avizinha: conseguirá manter-vos ocupados, mas livres o suficiente para pensar numa alternativa; fará com que ganhem responsabilidade; permitirá juntar algum dinheiro para pagar as propinas e outros gastos da faculdade, para os vossos próprios gastos ou até para viajar.

Ainda a trabalhar, terão tempo para preparar o estudo necessário para repetir um dos exames que poderão utilizar como prova de ingresso ou até mesmo ponderar de novo as vossas opções de candidatura.

 

Ano Zero

O Ano Zero é uma forma de frequentar o Ensino Superior sem entrar no mesmo. Esta aplica-se a alunos que não tenham atingido os resultados mínimos pedidos nos Exames Nacionais para que estes sejam válidos como Provas de Ingresso (9,5v), para alunos que tenham deixado disciplinas inacabadas ou até mesmo para aqueles que até concluíram o secundário mas não conseguiram ingressar no Ensino Superior.

O Ano Zero é uma forma de não ficares parado durante o ano de espera até poderes realizar novamente os exames nacionais para te candidatares ao Ensino Superior. Poderás então realizar algumas Unidades Curriculares pertencentes ao curso pelo qual tens interesse enquanto paralelamente tens apoio às disciplinas necessárias para que possas realizar o(s) Exame(s) Nacional(is) com sucesso.

A grande vantagem é poderes começar a realizar cadeiras antes de ingressares mesmo no curso. Ainda assim, esta opção não está disponível em todas as faculdades e tem regras diferentes consoante cada instituição, pelo que será sempre útil informares-te junto das mesmas.

Podes sempre consultar a lista de faculdades que possuem Anos Zero aqui:

http://uniarea.com/ano-zero-ou-como-frequentar-o-superior-sem-entrar-no-curso/

 

Cursos Técnicos Superiores Profissionais

Os CTSP são cursos superiores com duração de 2 anos, lecionados em Institutos Politécnicos. Estes cursos incluem formação profissional, através da realização de um estágio. Não conferem grau académico, embora seja atribuído um diploma de técnico superior profissional e conferido o grau 5 do Quadro Nacional de Qualificações, sendo que a Licenciatura atribui grau 6.

Estes cursos destinam-se a alunos que tenham terminado o secundário mas também a alunos que apenas terminaram o 11º, sendo que neste segundo caso é realizada uma prova de aptidões que determinará se estes estão aptos para ingressar nestes cursos ou não. Para além dessa prova, o aluno que ingresse nestas condições terá de frequentar um plano de formação complementar.

As regras e prazos são definidos pelas próprias instituições, pelo que te deves informar junto das mesmas. Existem 510 CTSP disponíveis que podes consultar aqui:

http://uniarea.com/cursos/cursos-tecnicos-superiores-profissionais/



 

Gap Year

Certamente muitos de vocês já terão ouvido falar neste conceito, embora para outros tantos seja totalmente desconhecido: um gap year consiste num “ano de pausa” da vida quotidiana como a conhecem. É um período de tempo (normalmente 1 ano civil ou 1 ano letivo) onde procuram envolver-se em atividades e projetos que vos fazem sair da vossa zona de conforto, como por exemplo viajar ou praticar voluntariado, entre muitos outros que mais adiante explicarei.

Atualmente existe uma associação que promove este conceito em Portugal, a Associação Gap Year Portugal (AGYP). Esta associação poderá ajudar-vos a planear o vosso Gap Year da melhor forma possível, para que seja o mais enriquecedor possível. Possuem uma série de parcerias e iniciativas que vos poderão ser úteis, dependendo do tipo de Gap Year que pretendem realizar.

Existem vários tipos de Gap Year (Voluntariado, Reflexão, etc) embora não existam propriamente regras definidas: és tu quem decide. Ainda assim, a AGYP aconselha um Gap Year Mix: como o nome indica, fazer um pouco de tudo. Quantas mais experiências diferentes puderes incluir, mais enriquecedor será.

  • Experiências Profissionais:

Como já referido, arranjar um emprego pode ser uma boa forma de ocupar este ano parado. Mas que tipo de emprego? Desde estágios, trabalhos de verão ou part times, tudo conta. Ficam ainda algumas sugestões diferentes:

  • Workexchange – trabalhar em troca de comida e alojamento (em hostels ou quintas, por exemplo). Mas como? As plataformas Workaway, Woofing e WorldPackers serão boas ferramentas para vos ajudar a descobrir como. 😉
  • Job Shadowing – experimentar uma profissão durante um determinado período de tempo numa determinada organização acompanhados por um mentor que vos mostrará a parte prática daquela profissão que sempre vos chamou à atenção. Poderá ser boa ideia ficarem atentos ao site e página da Gap Year, pois será lançado um programa de Job Shadowing no ano que vem).

 

  • Experiências Académicas:

Este é um projeto relativamente recente que a Gap Year está a promover e que consiste em permitir aos jovens experimentar, de forma gratuita, 3 licenciaturas diferentes de entre as faculdades parceiras antes de ingressar no Ensino Superior (poderão descobrir mais aqui: http://gapyear.pt/experiencias-academicas/programa-ea/ ). Vão assistir a aulas, conhecer as faculdades e viver na 1ª pessoa o espírito académico de que tanto ouviram falar. Fiquem atentos porque haverá nova fase de candidaturas brevemente.

Para além deste projeto, têm também a opção de investir na vossa formação, em Portugal ou no estrangeiro, através de workshops, cursos ou formações em diferentes áreas do vosso interesse pessoal: participar num workshop de culinária ou dança, fazer um curso de fotografia ou de teatro, aprender uma língua… Quem decide são vocês.

Ainda nesta linha da formação, é de referir que a AGYP possui parcerias com a Multiway e EF que vos permitirão aprender uma língua no estrangeiro durante 1 ano.

 

  • Viajar:

Podem pegar no dinheiro que juntaram naquele trabalho de verão e partir à descoberta. “Mas viajar é caro…”… Não. Viajar é muito mais barato do que parece, principalmente se procurarem hostels onde seja possível fazer “workexchange” ou até mesmo fazerem Couchsurfing. Couchsurfing é um meio para viajar de forma barata, uma vez que consiste em dormir nas casas dos membros da comunidade em quartos, colchões, no sofá ou até mesmo no chão. Sim, dormir na casa de estranhos. E também é muito menos perigoso do que aparenta, uma vez que podem ver os perfis dos vossos hosts (Anfitriões) e aceder às críticas feitas por outros couchsurfers que por aquela casa passaram. Se quiserem descobrir mais, visitem o site: https://www.couchsurfing.com/

Existe ainda uma Rede de Portugueses no Estrangeiro (disponível no site da AGYP – http://gapyear.pt/rede-portugueses-estrangeiro/portugueses-estrangeiro/ ) que se baseia também no ideal do Couchsurfing mas apenas com portugueses que vivem pelo mundo.

Podem realizar um InterRail por diversos países ou um IntraRail, onde terão oportunidade de visitar Portugal de Norte a Sul. Neste sentido aconselho a visitar o site dos Comboios de Portugal, que oferece vários tipos de passe para a realização de um Inter/IntraRail: https://www.cp.pt/passageiros/pt/como-viajar/em-lazer/interrail e o site oficial do InterRail, onde poderão esclarecer as vossas dúvidas: http://www.interrail.eu/

Viajar será uma das experiências mais enriquecedoras que poderão ter no vosso Gap Year. Vão sair muito da vossa zona de conforto, o que é ótimo para vos fazer crescer e perceber o mundo como ele é. Visitem tudo o que puderem, conheçam pessoas, absorvam culturas, pratiquem línguas… Expandam os vossos horizontes o mais que puderem.

 

  • Voluntariado:

Uma experiência também muito enriquecedora, principalmente a nível humano. Fará com que te sintas útil e cresças, ao mesmo tempo que crias algum tipo de impacto no mundo. Há muitos tipos de voluntariado que podes realizar, e também em diversas áreas. Para vos auxiliar neste campo, existem as seguintes plataformas:

  • Para Onde? (Parceira AGYP) – oportunidades de voluntariado a nível mundial
  • Serviço Voluntário Europeu – oportunidades de voluntariado em países europeus com despesas e pocket money financiados pela EU.

 

Ainda não estão convencidos? O que é que ganham com um Gap Year?

Para além de toda a bagagem de experiências que trazem convosco (seja a fazer Job Shadowing, voluntariado, ou apenas só viajar), a realização do Gap Year é, atualmente, muito valorizada no mercado de trabalho. As empresas vêem os Gappers como pessoas flexíveis, com horizontes abertos… aspeto muito procurado em profissionais de diversas áreas, e por isso vantajoso para vocês.

O Gap Year é sem dúvida um bom Plano B quando se põe em jogo a não-entrada na faculdade. Se ficaste interessado, fica atento ao Programa de Apadrinhamento de Gappers que será lançado brevemente, onde poderás ter apoio de ex-gappers ou viajantes experientes desde o início do processo, toda a fase de planeamento e até ao final do teu Gap Year.
Para mais informações sobre a AGYP e sobre o conceito:

Página de Facebook – https://www.facebook.com/GapYearPortugal/?fref=ts

Site Oficial – http://gapyear.pt/

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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