No início, tudo parece perfeito. Ou assim o foi para mim. Creio que não seja uma opinião geral, já que para muita gente a faculdade é apenas um “monstro” à espera de ganhar vida. Nunca a vi com esses olhos, muito pelo contrário. É um mundo novo, cheio de caras estranhas, experiências inimagináveis e histórias que, sem que o saibas ainda, te vão marcar para toda a vida. Pelo menos é isso que me têm dito e foi no que escolhi acreditar desde o primeiro momento. É, sem sombra de dúvida, na humilde opinião de alguém que ainda há não muito
tempo era caloiro, uma experiência marcante.

Mas o que acontece quando te apercebes que nem tudo é tão bom quanto pensavas? Não me refiro a praxes, (das quais sou completamente a favor, se feitas em condições). Não me refiro sequer à integração, já que não tive qualquer problema com isso. Falo da mudança de curso, esse assunto que para tantos é tabu. Esta opção da qual, (penso eu), muitos estudantes abdicam, pelos mais variados motivos, pode estar no centro de uma futura infelicidade. Assim, coloco a questão: “Até que ponto vale a pena ignorar o que o instinto te tenta dizer?” – Eu escolhi ouvi-lo.



Muito me foi dito a respeito desta decisão: “Vê o que fazes”; “Tens a certeza?”; “Pensa bem ou vais-te arrepender” … No entanto, para o bem e para o mal, sou bastante teimoso e talvez neste caso isso tenha sido uma mais-valia. Não foi, contudo, uma decisão tomada de ânimo leve. Afinal, um ano ia estar perdido. Se isso por si só já parece complicado, imaginem tentar explicar aos meus pais que pretendia trocar uma engenharia por jornalismo ou por algo relacionado às artes. Não é minha intenção desprezar qualquer um dos cursos ou áreas, mas com certeza todos concordam que se tratou de uma mudança brusca, coisa que nem sempre é fácil de aceitar. Recordo, como se fosse hoje, as palavras que me foram ditas: “Se é mesmo o que queres, tens o nosso apoio. Mas só o fazes uma vez, por isso pensa bem”. Senti a pressão a aumentar, mas, uma vez mais, creio que a teimosia jogou a meu favor. A decisão estava tomada, nada a ia mudar.

Acabei por ingressar em Jornalismo em Coimbra, cidade que já no ano anterior me tinha acolhido. A minha vida preparava-se para dar uma volta de 360 graus e estava pronto a aceitá-lo. Ali estava eu, de volta à cidade dos estudantes, a encarar um mundo que conhecia apenas de forma parcial. Sabia o que estava para vir, mas encontrava-me de novo na linha de partida. Admito que foi estranho no início. Não era bem um caloiro, até porque tinha duas matrículas e sabia todo o funcionamento da praxe, mas também não me sentia um “doutor”, digno de usar capa e batina quando bem me apetecesse. Sei que o podia fazer, mas não fazia sentido na minha opinião.

Enfrentava de novo este frenesim de tentar conhecer todos à minha volta. Um a um, observei aqueles que me iam acompanhar durante os próximos três anos e senti a nostalgia e deja vu invadirem-me. (Quase) todos possuíam a mesma insegurança e simultânea felicidade no olhar. Sabia-o, pois, há não muito tempo, tinha sido eu no lugar deles. Também eu tinha caído ali de paraquedas, com uma única pergunta a pairar na mente – “E agora? O que vem aí?”

Desta vez foi diferente. Tudo tinha mudado e, no entanto, tanta coisa permanecia igual. Sentia-me deslocado, mas não demorei muito a perceber que ia ser algo momentâneo. Em pouco tempo, tinha feito tão bons amigos como há um ano e estava, sem sombra de dúvida, num curso do qual gostava. Se há coisa que vim a perceber, é que a mudança não é tão assustadora como parece. Nada o é, o ser humano é que tende a complicar a processo.

Quase um ano depois, posso assegurar que mudar de curso foi essencial para mim, quer a nível pessoal, quer académico. Nem sempre a primeira escolha é a mais acertada, não há vergonha em tentar de novo. Descobre aquilo de que gostas e não deixes o medo impedir-te de o fazer. Tens uma vida, aproveita-a. Isto é apenas o desabafo de alguém que arriscou, na esperança de poder ajudar outros a fazerem o mesmo. Não me considero um sábio e talvez por isso as minhas palavras não tenham o poder necessário para se fazerem ouvir. Com sorte, talvez estas sejam suficientes: “Tem a coragem de seguir o que o teu coração e intuição dizem. Eles, de alguma forma, já sabem no que realmente te queres tornar. Tudo o resto é secundário.” – Steve Jobs.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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