Sê bem-vindo a mais uma viagem literária, Uniareano! Desta vez não te trago nenhuma experiência vivida por mim. Decidi falar sobre um assunto que vi retratado por outros estudantes na Uniarea e que me fez refletir. É sabido que, hoje em dia, nenhum curso universitário é sinónimo de um bilhete de ida para um emprego na área na qual estudamos. Apesar de emigrar ser uma opção posta em causa por muitos estudantes, a verdade é que já nem isso é assim tão fácil e cor-de- rosa como dantes. Mas apesar destes obstáculos, o que mais me incomoda são as mentes fechadas dos alunos nestas circunstâncias. Para muitos, um curso superior é uma subida de nível social, algum pedestal que os coloca no topo e superiores ao empregado de mesa ou mesmo à funcionária de limpeza do supermercado. Claro que não podemos generalizar e felizmente conheço pessoas fora destes estereótipos. É perfeitamente normal um estudante recém-formado ambicionar por um emprego na área que tanto se dedicou nos últimos anos. É justo! Afinal de contas, todos lutaram por alcançar o tão desejado curso. E isso não é errado. O que é errado é que as mentes desses estudantes se fechem e os mesmos desistam de lutar e se restrinjam a trabalhar na área desejada. Se não existe trabalho na nossa área e já estamos há pelo menos 6 meses à procura dele, não devemos baixar os braços e ficar no sofá da casa dos nossos pais a colocar todas as séries e filmes do netflix em dia. Devemos continuar a procurar o nosso trabalho desejado, mas também devemos arranjar um emprego numa outra área, seja ela qual for, e ajudar os nossos pais. Se eles sempre vos ajudaram, se vos recebem sempre de braços abertos, merecem agora ver o esforço deles a ser retribuído. Já somos adultos! Ficar em casa no sofá e continuar a sermos sustentados pelos pais não é sistema! Nem sequer é correto!



Arranjem um part-time numa loja de roupa, vão registar produtos numa caixa de supermercado, vão servir às mesas num bar de praia ou num restaurante. Sejam úteis! Sejam humildes e tenham espírito de sacrifício! Mas não baixem os braços! Não é correto vitimizarem-se e afirmarem que o mundo é injusto. Nem sempre temos aquilo que realmente merecíamos, mas se momentaneamente as oportunidades de sonho não existem temos de optar por outros caminhos e seguir em frente!

Nunca desistam de vocês nem de procurar aquilo que vos preenche, mas enquanto isso não aparecer ajudem quem até agora vos ajudou e mostrem-se adultos. Fazemos parte de uma geração de jovens empreendedores, sonhadores, criativos e ambiciosos. Mas não deixem  que um canudo vos coloque duas palas nos olhos e vos faça baixar os braços a tudo o resto! O mundo não é fácil, nenhuma vida é perfeita, mas a verdade é que a vida de adolescente dependente e despreocupado já acabou há muito tempo. Terem mais de duas décadas de vida e nunca terem tido qualquer experiência no mercado de trabalho é preocupante! E acreditem, que para um recrutador isto é uma das maiores manchas do vosso CV.

Parabéns a todos os estudantes que nunca tiveram estas palas e que sempre se mostraram decididos e nunca desistiram de lutar!!

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.