Antes de mais, tenho a dizer que apesar de eu estudar e trabalhar ao mesmo tempo, não sou trabalhadora estudante. Porquê? Porque não pedi (nem tenciono pedir) o estatuto. Sou simplesmente uma estudante do ensino superior que trabalha em part-time. Ao longo deste texto, eu vou falar muito sobre o tema no entanto, tenham em mente que me REFIRO APENAS A EMPREGOS EM TEMPO PARCIAL e não a full-time. Esses últimos já são outra história…

Quem trabalha e estuda normalmente fá-lo pôr duas razões: tem que pagar despesas ou quer ter independência monetária. Quer uma quer outra implica abdicar de tempo livre que poderia ser passado a estudar ou a divertir-se com amigos. Há quem esteja disposto a fazê-lo, quem nunca na vida trabalha e quem gostaria/não se importaria de experimentar mas tem medo de não se safar. No que toca ao último ponto, esse receio de falhar não passa de um mito. Eu trabalho, estudo (tanto na faculdade como numa escola de línguas), ando na Praxe e consigo arranjar sempre tempo para tudo.



O segredo é organização e motivação. Não vou ser hipócrita e dizer que consegues SEMPRE conciliar o teu tempo. Claro que se tiveres mil e um hobbies ou ocupações (yoga, teatro, karaté, ginásio, natação etc.) terás eventualmente de fazer algumas escolhas. Nestes casos, o curso deve ser sempre a prioridade. Não abdiques do teu melhor investimento para te dedicares a algo por lazer. No mundo do trabalho, são dez cães a um osso e só os que tem o currículo mais preenchido tem hipóteses. Sem o testo da panela, nada está garantido. Se pensas que te safas sem o nível mínimo de licenciado, estás muito enganado/a. A licenciatura é uma mais-valia e mesmo assim, às vezes é preciso ter sorte.

Temos que ser realistas: haverá dias em que não vais poder passar uma tarde inteira com os teus amigos na baixa porque tens que ir trabalhar mas se não podes estar lá toda a tarde, estás com eles nem que seja só umas horas ou uns minutos. Decerto que haverá mais oportunidades. O segundo ponto é motivação. Se realmente gostas do teu curso pensa: “estou a fazê-lo pelo curso. Sem dinheiro, não posso continuar. No final compensa”. Se não aguentas continuar a depender dos teus pais, diz para ti próprio/a: “no final do mês já recebo. Não preciso de continuar a pedinchar dinheiro.”

No geral, trabalhar traz mais benefícios do que entraves. Cansativo? Sim. Stressante? Ui, imenso! Imagina o que é estares atrás de um balcão a atender clientes que são impacientes e rudes ou então teres um colega de trabalho a querer queimar-te quando não estiveres a ver. As categorias que vamos tendo enquanto somos estudantes (operadores de caixa, empregados de mesa, revendedores, promotores etc.) já nos dão algumas bases para o que teremos de lidar no futuro. Além disso, mais cedo ou mais tarde acabarás por te aperceber de que a vida está para os espertos e se te atingires isso ainda antes de procurares emprego à séria na tua área, melhor. Já são uns pontinhos de avanço em comparação aos inocentes que não se apercebem da guerra enorme entre estudantes recém licenciados na busca pelo primeiro emprego.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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