O partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) exigiu hoje saber porque é que uma universidade pública vai pagar por ajuste direto um documentário para promover a tauromaquia e questionou o governo sobre os motivos desse contrato.

Trata-se de “um documentário de propaganda tauromáquica” que o ISCTE-IUL vai pagar por ajuste direto, uma “iniciativa que contraria o sentido humanista e a evolução mental e civilizacional das sociedades”, afirma o partido em comunicado, referindo que logo na primeira cláusula do contrato se “deixa claro que o documentário não visa uma perspetiva isenta sobre o tema”.



Segundo o partido, o ISCTE, “instituição pública de ensino superior financiada pelo Estado” vai pagar 9.980 euros mais IVA à empresa Talentos Delicados para o documentário com 30 minutos “que incide sobre tradições e costumes da tauromaquia nacional”.

Para o PAN, “parece claro e inequívoco que o documentário não é sobre um determinado tema em que há uma perspetiva isenta e se colocam duas mundivisões em confronto, consubstanciando uma autêntica encomenda de elogio à tauromaquia, onde apenas participam agentes associados à atividade”.

Na pergunta enviada ao Ministério da Ciência e Ensino Superior e ao Ministério da Educação, o partido quer saber “qual o motivo e o objetivo deste documentário”, encarando-o como um financiamento público à indústria tauromáquica.

O PAN considera que o ISCTE, uma “reputada instituição de ensino superior” devia “pautar a sua atuação por princípios pedagógicos e humanistas” e não fazer uma “colagem inapropriada” a uma “atividade violenta e anacrónica”.