Desde pequenos, somos formatados para seguir os padrões e normas da sociedade, do país e da nossa família. Todos sabemos como deve ser: estudamos 9 anos, no fim dos quais escolhemos uma área de estudo mais especifica (e, como nos costumam, dizer “aí que fica a sério”) passamos pelos temidos exames nacionais e escolhemos um curso superior. Depois de entrar numa instituição superior, são tudo rosas, iremos ter emprego e seremos felizes para sempre.

Mas e quando não é tudo tão linear? E quando temos demasiadas dúvidas, pressões e incertezas? Sei que há muita gente que termina e secundário e não sabe que área ou curso seguir, mas aqui vou falar de outro tipo de indecisos: os que terminam um curso superior e não se sentem realizados.



Sou licenciada em Biologia, não tive dúvidas na escolha do curso pois era o que mais me fascinava e mais gostava, mas ao longo da licenciatura fui sentindo cada vez mais que aquele não era o meu lugar. Filha de mãe licenciada em Letras que virou Psicóloga e pai licenciado em Engenharia Eletrotécnica que virou Empreendedor, não me faltou apoio quando lhes contei que aquela não era a área em que queria ficar o resto da minha vida. Foi então que surgiu outro problema: qual é, então, a minha vocação?

Após meses de indecisão e muito stress, decidi que precisava de parar um ano, ter uma experiência no mundo do mercado de trabalho e surgiu a oportunidade de trabalhar numa Start Up da área do Marketing Digital. Posso dizer que 2 meses desta nova experiência foram mais que suficientes para perceber que também não é aqui que vou ser feliz, mas também foram suficientes para me dar uma perspectiva diferente do “mundo dos crescidos”. De facto temos mesmo de gostar daquilo que fazemos, de outra maneira nunca seremos felizes. Vamos passar muitas horas a fazer o mesmo e, para isso, temos de ter uma grande paixão dentro de nós.

Volta então a indecisão. O que é que me apaixona? Desde a Engenharia Biomédica, à Psicologia, passando pela Engenharia Informática, dezenas de opções passaram pela minha cabeça.  Os amigos e a família dizem-me “não estás sozinha, não és a única nessa situação”, mas sinceramente, sinto que carrego um fardo bastante solitário. Somos formatados para encaixar nos padrões sociais, no “devia ser assim” e quando não encaixamos, gera-se muita ansiedade e incerteza. Terminar uma licenciatura e sentir que não encaixamos em lado nenhum, sem ter uma única luz para seguir não é a melhor sensação do mundo. A cada dia que passa sem tomar uma decisão, sinto-me mais desanimada e desamparada.

No entanto, eu acredito que vou encontrar o meu caminho. Escrevo este texto para todos os licenciados que, como eu, se sentem perdidos e sozinhos. Temos um longo percurso à nossa frente, podemos acertar à primeira ou podemos cair dez vezes,  mas tudo isso nos vai tornar pessoas mais fortes e mais informadas.

Caros indecisos, falem com pessoas, recolham perspectivas e experiências, e não desistam de encontrar o que vos apaixona. Não estamos sozinhos e tenho a certeza de que todos os “acidentes de percurso” que enfrentamos nos vão tornar pessoas melhores.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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