O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) aprovou na quarta-feira, por unanimidade, o congelamento de vagas nas instituições do litoral, por razões de coesão territorial e para tentar evitar a “fuga de cérebros” do interior.

A decisão confirma, “uma vez mais, a cumplicidade e sobretudo a solidariedade institucional das nossas instituições politécnicas”, disse a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, que falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Instituto Politécnico de Coimbra.



A atitude dos politécnicos, “declinando o aumento de vagas nas regiões litorais, em favor do aumento [de vagas] das instituições colocadas mais no interior do País” resulta da sua capacidade de assumirem “a responsabilidade daquilo que são os desafios do País e do território”, sublinhou a governante.

Maria Fernanda Rollo disse que não ficou surpreendida pela decisão do CCISP porque “as instituições politécnicas têm esse ADN, essa a matriz” (da responsabilidade institucional e da solidariedade).

“Portugal tem uma rede de instituições politécnicas e universitárias que devemos elogiar e que nos orgulha, em termos internacionais, pelo seu reconhecimento, a todos os níveis”, desde a formação à investigação e sua ligação aos territórios, sustentou ainda.

Questionada pela agência Lusa, a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior disse que ficaria igualmente “satisfeita” se as universidades adotassem uma medida idêntica à dos politécnicos.

“Tem de haver esta capacidade de cumplicidade institucional ao nível das diversas entidades e acho que estão todas as fazê-lo, à sua maneira e na medida das suas possibilidades”, concluiu Maria Fernanda Rollo.

“Numa lógica de coesão territorial”, a decisão do CCISP de não aumentar vagas nos politécnicos “localizados no litoral” abrange os institutos de Setúbal, Leiria, Cávado e Ave e de Viana do Castelo e a escola de enfermagem de Coimbra (uma escola não integrada), disse à agência Lusa, na quinta-feira, o presidente do CCISP e do Politécnico de Setúbal, Pedro Dominguinhos.

Embora não integre a lista de politécnicos com congelamento de vagas, o instituto de Coimbra é parcialmente abrangido pela medida, já que mais de metade da centena de vagas de que dispõe serão abertas na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, que funciona em Oliveira do Hospital (no interior do distrito de Coimbra).

As restantes vagas destinam-se a apenas a cursos de áreas de formação que não existem nos institutos politécnicos do interior, disse o presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, Jorge Conde, que falava aos jornalistas igualmente à margem da visita da secretária de Estado (que durante a manhã esteve em Oliveira do Hospital).

O Politécnico de Coimbra, possui, além do polo de Oliveira do Hospital, as escolas superiores Agrária, de Educação e de Tecnologia da Saúde e os institutos superiores de Contabilidade e Administração/Coimbra Business School e de Engenharia, que são frequentados por cerca de dez mil estudantes.