Este ano tive a oportunidade de viver e sentir na pele pela primeira vez o ‘Terror dos Exames Nacionais’. Como aluna indecisa de 11º ano, do Curso de Ciências e Tecnologias, inscrevi-me em três exames: Filosofia, Física e Química A e Biologia e Geologia. Há duas semanas entrei em ‘modo eremita’ e 90% do que tenho visto, respirado e vivido têm sido os exames. Está a ser uma época de preocupação profunda, stress e desespero. Quase terminada esta etapa posso dizer que a pior parte tem sido duvidar das minhas capacidades. Acho que acontece a todos. Durante dois anos estudámos e trabalhámos, e esse esforço e trabalho culminam em duas horas e meia fechados numa sala, a responder a uma séries de perguntas que tentam determinar aquilo que nós sabemos. É esse conjunto de perguntas que define o que nós sabemos?

Queremos que seja uma prova selecionada arbitrariamente entre tantas outras que foram feitas a definir a nossa qualidade como estudantes e pessoas? Eu sei tanto mais para além daquilo que escrevi nas folhas de ponto dos exames que já fiz. E sei que vocês também sabem. Quantos de vocês têm talento puro a dançar, cantar, pintar, tocar um instrumento… E não podem fazer com que essas capacidades sejam contabilizadas no vosso processo de avaliação? Alguns dirão que há cursos específicos para essas atividades. Mas e se eu não quiser fazer disso a minha vida? Há tantas coisas para fazer e tão pouco tempo… E neste processo de reflexão apercebi-me de uma coisa: os derrotistas podem dizer-te que passas a tua juventude a estudar em vez de aproveitares e viveres a vida. Mas eu discordo. Acho que passas a tua juventude à procura do teu sonho, do teu projeto de vida. À procura daquilo que te vai fazer sair da cama todas as manhãs. À procura daquilo que te vai fazer feliz. Estás apenas à procura do pote de ouro.



Mas estás perdido. Todos estamos. Porque há tanta coisa por onde pegar que não tens hipótese de experimentar tudo antes de fazeres escolhas condicionantes. E tantas pessoas que são condicionantes às tuas escolhas. Pessoas para quem a tua indecisão ou paixão por múltiplos assuntos são sinónimo de teres escolhido a área errada. Como se eles soubessem mais do que tu. Como se eles soubessem do furacão de indecisões que está a virar a tua cabeça. Pessoas para quem os teus objetivos são só ridículos porque são diferentes dos delas.

E como e que isto se enquadra nos Exames Nacionais? Simples. Os exames são um elemento que te foi imposto, mas que podes aproveitar em teu favor. Pensa nos exames como os guardas de alfândega do aeroporto. Já chegaste ao teu destino; ultrapassaste a maior parte das dificuldades. Estás quase no fim do arco-íris. Mas ainda falta provar que mereces passar à próxima fase. E os exames servem para isso. São aquilo que te permite continuar a tua demanda pelo futuro. Porque é isso que estamos todos aqui a fazer. A lutar pelo nosso futuro, embora ainda não tenhamos uma noção clara do que ele será. Mas sabemos que queremos que ele seja o melhor possível. E queremos chegar ao fim do arco-íris e encontrar o pote de ouro. Não queremos que nenhum duende traiçoeiro o roube antes de lá chegarmos.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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