“A praxe é homofóbica, sexista, machista e racista”. Foi uma das muitas frases que se ouviram no “lançamento” do “livro” “Desobedecer à Praxe”, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no dia 22 de outubro de 2015, por Bruno Moraes Cabral e João Mineiro onde se contou também com a participação da jornalista, notavelmente parcial em relação ao assunto tratado, Diana Andringa. Foi neste pseudo-debate (digo “pseudo” pois só foi debatido o que lhes convinha, dando voz aos anti-praxe e não respondendo [clara e objectivamente] às intervenções dos praxantes) que se discutiu sobre a praxe académica. Eu sou praxante de Letras, e orgulho-me. Orgulho-me porque a praxe para mim foi uma reviravolta na minha vida. Não, não fui humilhado; Não, não fui ao Meco, nem enterrado em areia, e não me deram um “falo de loiça com iogurte na ponta”. A minha praxe foi integrativa, consistente, respeitadora. Criei amizades que vou levar para a vida, pois já diz o cliché que “os amigos da faculdade são para sempre”. Quando me dizem que a praxe é homofóbica, sexista, racista e machista só tenho vontade de me rir na hora. É de uma incongruência tamanha tal injúria.

A praxe acaba com a diferença, é criada uma família, inseparáveis, que luta contra tudo e todos em prol da realização.



Não sei, mesmo, quem dá a liberdade aos oradores e aos “autores” de decidir o que é, ou não, uma “figura ridícula”, como assim lhe chamaram (à praxe). Ser caloiro foi provavelmente o melhor ano da minha vida, onde conheci pessoas que levo para a vida, e que, certamente estão de acordo comigo.

Nunca fui vítima de nenhum desses, muito pelo contrário; a praxe une pessoas de diferentes etnias, sexos, géneros… Isto nem devia estar em questão, pois o ser humano é livre de fazer o que bem quiser e entender. Nunca fui obrigado a ir à praxe e nunca obriguei ninguém a ir. Fui livre e livre aqui estou a contrapor falsos argumentos.

No decorrer do debate, foi mostrado um vídeo sobre a praxe e sobre o que lá era feito. Pois, a vida é feita de conveniências. E, sinceramente, se eu fosse anti-praxe e escrevesse um livro sobre isso, e a posteriori fizesse uma curta sobre o mesmo, também só lá punha o que me interessaria e me conviesse, sejamos sinceros: ninguém ganhava uns trocos sem um pouco de polémica. E o amor ao dinheiro é maior que um bom conhecimento sobre o que realmente se passa em praxe.

Sim, rebolei na lama, fiz flexões, abdominais, mas fiz porque assim o quis. Tenho amor ao que fiz e ao que faço.

Quase que me esquecia que a meio do “lançamento”, foi referido pela jornalista Diana Andringa, que nós, praxantes, éramos homofóbicos e que ofendíamos os caloiros com o nome de “paneleiro” e “cu” (citando as suas palavras). “Há 51 anos a história era diferente, não havia nada disto”. Em relação a isso, em 51 anos muita coisa se passou, sei lá, talvez uma revolução, digo eu… uma mudança na mentalidade, que essa parece que ficou presa com um cravo numa espingarda.

Eu praxo por amor à camisola. Se não tivesse amado como amei e amar como amo não estaria onde estou. E que seja até morrer. Pois quando eu morrer não quero choros nem gritos, quero à cabeceira um garrafão de 5 litros, cheio.

“Somos todos anjos de uma só asa, e só podemos voar quando nos abraçamos uns aos outros” – Fernando Pessoa

Eu praxo por Letras.

Eu praxo por Lisboa.

Eu praxo.

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