A praxe. Aquela palavra que todos temem e todos adoram, aquela palavra que anda nas bocas do mundo, aquela palavra que move multidões, quer seja dos que a apoiam, quer seja dos que a criticam. Não, a praxe não é humilhação como é frequente ouvir nas bocas do povo, porque um dia que o seja eu prefiro pousar de vez o meu traje.

Não, a praxe não é feita por jovens frustrados que a usam para descarregar os seus insucessos e falhanços pessoais, porque um dia em que se transforme em tal calamidade então será o dia em que eu parto para não mais voltar. Não, a praxe não existe para satisfazer os nossos caprichos pessoais, porque isso vai contra toda a essência do que é (ou deveria ser) o seu objetivo fundamental.

A praxe é muito mais do que isto… A praxe segue uma das escolas mais fundamentais da vida “respeitem para serem respeitados”. A praxe e todo o seu conceito reforça conceitos como solidariedade, amizade, respeito, igualdade, lealdade, união e cavalheirismo.

Desengane-se quem pensa que tem que vir para a praxe para aprender algum destes valores. A mim nada disto me foi ensinado lá, mas sim em casa pelos meus pais e familiares. Mas foi na praxe que todos estes valores foram elevados ao seu expoente máximo. Acreditem quando vos digo que estar ao lado de mais 300/400 pessoas que estão a passar pelo mesmo que vocês nos muda. Acreditem que suar, correr, gritar, cantar até à exaustão ao lado dessas mesmas pessoas cria em nós um sentimento muito difícil de explicar e de entender para quem está de fora. Acreditem que uma pessoa chega ao final de cada ciclo olha para trás e sente o seu coração apertado…acreditem quando vos digo que a praxe nos proporciona toda uma montanha russa de emoções, de sensações e que nos trazem também algumas das melhores pessoas que podemos ter na nossa vida (académica e pessoal).

Já foi tanta coisa que a praxe me deu, tantas histórias para contar, tantos momentos que guardarei na memória para sempre, tanta gente que entrou na minha vida como um relâmpago e que tenho a certeza irá permanecer por muitos e bons anos.

“Quanto mais deres à praxe, mais ela te dará a ti também!”, nunca uma frase conseguiu dizer tanto acerca de um modo de ser, de estar e de viver a vida. Posso dizer que eu e os meus companheiros, os meus eternos coleguinhas como gosto de lhes chamar, já demos horas de sono, mais uma tarde, uma noite ou até simplesmente uma hora, mas aquilo que conseguimos retirar de todos esses momentos acabou por compensar todo o esforço suplementar que era feito.

Eu digo sem medo nenhum que sou Praxista, um orgulhoso Praxista. Orgulhoso por ver todo o percurso que tem vindo a ser feito, orgulhoso por estar a partilhar esta minha caminhada com um núcleo de pessoas que me obrigam a cada dia a ser melhor e a transcender-me, orgulhoso por agora passar a quem chega de novo aquilo que um dia alguém me passou a mim, orgulhoso por ver que toda a base de valores a serem transmitidos se mantém inalterada.

Também tenho um sonho, que é um dia regressar às portas da instituição que me acolheu desde o início, entrar e ver que dentro da sua comunidade praxística ainda se continuam a manter os bons costumes, as boas formas de ensinar e de acolher os mais novos. Aí sim saberei que todo o trabalho que vem sendo feito há décadas continua a ser bem feito e que, secalhar, também tive a minha quota-parte nisso. Sem dúvida que nada me deixará mais orgulhoso que isso.

Que se continua a praxe dentro da praxe e que seja acima de tudo uma boa praxe.

Só capas, só Fitas! A praxe continua…

Viva à Praxe!

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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  • Daniel Silva

    Sou contra. Não vou, enfim, voltar a repetir aquilo que já todos ouviram.

    Quanto a esta transcição:
    “Aí sim saberei que todo o trabalho que vem sendo feito há décadas continua a ser bem feito e que, secalhar, também tive a minha quota-parte nisso. Sem dúvida que nada me deixará mais orgulhoso que isso.”

    Eu gosto mais de participar em projetos Open Source. Enfim, preferência pessoal. Um dia, olharei para aquela funcionalidade catita numa app do meu telemóvel e saberei que também tive a minha quota-parte nisso.

    Enfim, cada um perpetua a sua existência como bem entende.

    • Ricardo Campos

      O objetivo não é a individualidade perpetuar-se, mas sim a praxe. A praxe não nos segue a nós praxistas e aos nossos caprichos, desejos e egos…nós é que seguimos a Praxe.

      • Daniel Silva

        Então e a questão da quota-parte?

        • Ricardo Campos

          Cada um que passa por lá tem a sua quota parte de responsabilidade em manter a tradição inalterada e manter os bons costumes, formes de passar a mensagem e de receber e acolher quem chega de novo. É um trabalho que vem sendo feito há décadas e que cada pessoa que passou ao longo de todos estes anos tiveram influência ao não deixar adulterar o que não deve ser adulterado.