Vives vivendo a vida da melhor forma que consegues. Arranjas um local que te oferece conforto, crias o teu mundo perfeito nesse mesmo local e convenceste de que queres ficar lá o resto da tua vida.

Resiliência. Daí retiras o futuro da tua existência. Até acho que a falta desta capacidade combina com conforto. Pensas que atinges o ideal, não sabes dar a volta e assim ficas. Sacas da tua tenda e começas a montá-la. Procuras as melhores relações humanas. Estancas. Depois disso vem a típica ideia de fazer alguma coisa, arranjar companhia emocional e preencher todos os restantes requisitos que a sociedade ordena. Mas porquê?

A universidade é um local propício a isso. Vem um garoto do secundário, com vontade de ser rebelde , de iniciar os rituais que os gajos com 20 anos têm. Percebes que é uma vida considerada perfeita… mas com prazo de validade. Vives a semana da maneira que bem entendes. Tens o fim-de-semana para voltar às origens e receber os mimos tão característicos daqueles que acham que sofres imenso por passares tanto tempo longe daquilo que eles consideram o auge do mundo, “a nossa casa” dizem eles.



E, como quase tudo, o que é bom tem um fim. Reparas que o teu capítulo universitário não aguenta com mais parágrafos e necessitas de o fechar. És obrigado a isso. Quando chegas a esta fase, todos os teus pequenos momentos se transformam em grandes memórias e motivo para recordar outras tantas em que foste realmente feliz, Parecendo que não, são anos de puro crescimento, anos com transições de fases essenciais e uma quantidade absurda de decisões tomadas. Sim, são anos importantes e o depois parece tudo um grande vazio. O ideal era acabar e continuar no mesmo sítio, com as mesmas pessoas. Se sabes que és feliz, para quê mudar?

Tudo gira à volta do mesmo. Resiliência, conforto, segurança. És jovem e deparaste com a situação do teu país. Basicamente ele diz-te que não tens espaço para evoluir e que não podes contar com ele para satisfazeres os sonhos que tens. Ou então, se não são sonhos, são as tuas fantasias cheias de burocracias. É chato. Ter medo de enfrentar algo totalmente novo sem os pilares do costume. Tens medo de abandonar o velho e adquirir o novo. Preferes viver na típica loja de antiguidades para sempre.

Emigrar. Uma ideia que, quando pensada, causa demasiada comichão para o meu gosto. Não faltam argumentos contra esta diferente perspectiva de futuro. Faltam os pais, faltam os amigos. Falta a cidade segura, confortável , ideal. Preferes viver na ignorância a dar esse tão terrível passo porque é inovador, desconhecido por ti e que parece ser tão solitário. Arrastas todas essas possíveis opções de futuro para o sub-consciente e lá ficam, a serem acumuladas. Continuas com o teu confortável quotidiano, és feliz dentro dele. Mas a tua pátria teima em avisar-te que vais continuar a não evoluir porque não tem nada para te oferecer de novo! És obrigado a viajar até aos lugares mais profundos para te confrontares com a emigração. É daquelas ideias que te estragam os dias, que te fazem ficar doente e com vontade de hibernar até que algo te desperte com uma solução milagrosa.

E eu questiono: porquê? Porquê querer igualar o passado, o presente e o futuro? Porque é que tens obrigatoriamente de ter sempre a mesma vida só porque te parece confortável mas que no fundo só faz com que estagnes? Todos nós temos os nossos cenários de eleição. Todos nós temos um carinho especial pelas cidades que nos viram crescer, pelas pessoas que nos acompanharam, por rotinas que realizámos com a maior satisfação.

Só falta pensares em ti, não teres medo de alargar horizontes e ires em busca de algo. Não tenhas medo de emigrar. Emigrar é um pretexto para acabares com a resiliência, para deixares de criar a bolha de segurança à tua volta, para dares valor ao que tinhas e, finalmente, para arrumares espaço de forma a guardar tudo o que virá.

Se tens medo, deixa-te disso. Queres um conselho? Arrisca.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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