Olá Uniareano! Fico bastante feliz por te ver desse lado, mais uma vez!

Bem, o assunto de hoje surgiu através de algumas preocupações que foram partilhando comigo. A verdade é que eu partilho esta mesma preocupação. É completamente assustador, ver todos os anos milhares de alunos formados, a acabarem na fila do IEFP mais próximo sem qualquer fonte de esperança e com um enorme peso nos ombros. São imensas as questões que pairam na mente destes recém-formados…

Questionam-se se escolheram a área certa, se estarão pouco preparados para enfrentarem as entidades empregadoras, se isto será o fim da vida deles, se irão viver na casa dos pais até aos 40 anos…



É realmente avassalador ver que as pessoas estão cada vez mais egoístas, competitivas e com uma sede incessante para atingir a todo o custo os seus objetivos. Isto é sem dúvida um problema grave, a falta de integridade e de valores pessoais. É algo extinto nos dias de hoje e que os recrutadores tentam encontrar cada vez mais. Mas eu nem colocaria a questão nesta perspetiva. O que sinto é uma ausência de interesse e de empatia pela estruturação do ensino de hoje. Os alunos de hoje não estão formatados para estarem numa aula a ouvir um professor debitar conceitos por horas a fio, despejar esses conceitos numa prova escrita e mais tarde serem apenas mais um numa secretária, a exercer as mesmas funções que o senhor reformado, que ocupava aquela cadeira. Os alunos de hoje têm mentes demasiado inovadoras, têm ambição por criar os seus próprios projetos, por serem os seus próprios patrões e estabelecerem os seus próprios horários e a verdade é que tudo isto é muito difícil de fazer nos dias de hoje. Existem cada vez mais jovens indecisos, mais perdidos e mais desmotivados. Os jovens precisam que lhes sejam dadas oportunidades para criar e melhorar projetos já existentes, que lhes sejam fornecidos conteúdos de forma mais didática e criativa, que lhes coloquem mais vezes em contacto com testemunhos reais, que lhes façam ver que o mundo do trabalho é muito mais do que uma imitação de uma dada tarefa e sobretudo que lhes ensinem que não é no egoísmo e na trapacice que está o ganho. A meu ver, seria fundamental criar um ensino mais prático, mostrar aos alunos o verdadeiro significado de ser médico ou engenheiro, criar protocolos com as universidades e criar um ano extra que permita aos alunos frequentar, num curto espaço de tempo, vários cursos e que os deixem compreender se as suas ideologias se tornarão em boas decisões. Existe uma grande incompatibilidade entre os alunos de hoje e o mundo do trabalho. Seria necessário proceder a mudanças em ambas as partes e criarmos futuros profissionais mais competentes e sobretudo mais apaixonados e convencidos dos seus sonhos e ideais.

Mas não se sintam vitimizados porque a responsabilidade também é nossa. Somos nós quem podemos reivindicar e lutar por um ensino mais justo e inovador. E também somos nós que temos de aprender que a vida real não é um mar de rosas e de facilidades, é necessário sermos humildes, honestos e termos espírito de sacrifício. Uma licenciatura, um mestrado ou mesmo um doutoramento, não fazem de nós seres superiores aos demais. Temos de aprender a ser flexíveis, a começar na base da pirâmide e lutar pacientemente para chegar ao topo. É fundamental termos a capacidade para criar um plano b ou c. Não interpretarmos um simples part-time numa loja de roupa ou num café, como algo inferior e impensável de fazer. Continuem a investir em vocês, mostrem vontade e sobretudo espírito de sacrifício, sejam humildes e não desistam. As oportunidades estão sempre a surgir, nada é o fim de nada, sejam persistentes e nunca se esqueçam: O sofrimento é temporário, não
dura para sempre.

Até breve Uniareanos.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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