Há poucas coisas que me irritam ou perturbam a paz e a calma do meu dia.

Porém existe uma que me assombra desde que entrei na universidade…

Não sei qual o estigma com as universidades privadas! Sim, é verdade, são mais caras em termos de propinas. Mas se subtrairmos isso à equação com o que é que ficamos?

A maior parte das pessoas fica com uma incógnita gigante, ou então com uma ideia completamente absurda de que só vai para uma universidade privada quem tem dinheiro, “nível”, estatuto social.



Isso é um tremendo erro e contra mim falo!

Há sensivelmente dois anos, aquando da época de candidatura à universidade, a minha primeira opção foi uma universidade pública. E só depois por descargo de consciência e insistência da minha mãe coloquei uma privada. Não gostei muito pois o meu cérebro já tinha criado previamente uma conceção parva sobre essas instituições de ensino.

Sabem o que é que aconteceu? Não entrei no curso que queria na pública…

Senti-me frustrada, desiludida comigo própria… fechei-me no quarto e chorei o dia inteiro até que percebi que chorar não resolvia o problema. Nunca fui pessoa de desistir de alguma coisa mal aparece o primeiro obstáculo.

Então, acabei por entrar no curso que desejava mas, numa universidade privada. O primeiro dia de aulas foi horrível. Não conhecia ninguém, sentia-me triste, sozinha, a achar que todos iriam gozar comigo por não ter a mesma extensão monetária que eles possuíam.

Após a primeira semana de aulas percebi que esse preconceito de “meninas e meninos ricos” era uma completa mentira.

Na minha turma eram poucos aqueles que não trabalhavam para poder pagar as propinas e continuar a estudar, já que os pais não tinham possibilidades financeiras para assegurar o seu futuro (como ainda hoje acontece).

E após tudo isto continuo sem entender o porquê de se fazer distinção entre alunos ou licenciaturas de universidades privadas e públicas. Afinal não somos todos alunos? Não estudamos todos (ou quase todos) para que um dia possamos ter um futuro melhor, mais promissor e uma estabilidade pessoal?

Se acham que por estudarmos numa universidade privada temos regalias, desenganem-se! Temos os mesmos afazeres, o mesmo número de trabalhos, de frequências, de exames e de exigência também.

Sim, estudo numa privada, e então?

Esta é a resposta que dou, sempre que alguma pessoa me pergunta a mim ou aos meus pais onde estudo, e depois muda a sua expressão facial como que num tom de reprovação.

Já ouvi de tudo! Já quase disseram aos meus pais que se estou numa universidade privada é porque sou burra. Apesar de todos os “preconceitos” quanto à instituição onde estudo, eu tenho orgulho nela e em mim. Tudo porque sei que não sou menos nem mais do que ninguém que estuda numa universidade pública.

Se estás na mesma situação e alguém te faz pensar que estudar numa privada é motivo de desprezo e não de orgulho, apenas responde:

Sim, estudo numa privada, e então?

Há muita gente que daria o mundo para estar no teu lugar. Por isso, aproveita e tem orgulho na tua universidade mas principalmente… em ti!

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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