“O trabalho permitirá ao professor, por exemplo, perceber em que partes da aula não conseguiu prender o olhar dos alunos e corrigir, na aula seguinte, a prestação”, refere um comunicado da UA.

O sistema desenvolvido por Daniel Canedo e António Neves, investigadores do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA), engloba uma câmara instalada na sala para captar toda a plateia ao longo da aula.

A imagem é enviada continuamente para um servidor que deteta e reconhece as caras dos alunos. Depois de todas as caras estarem identificadas, o servidor extrai os dados necessários para estimar o foco com que os estudantes estão ao longo da sessão.



Para além das aulas, o método desenvolvido na UA poderá ser aplicado em congressos, palestras ou em qualquer outro tipo de acontecimento com público e oradores.

“O sistema calcula a pose da cabeça de cada pessoa utilizando um conjunto de características retiradas da face, previamente detetada na imagem, por forma a estimar para onde estão a olhar”, explica Daniel Canedo.

Os investigadores esclarecem, contudo, que o sistema não permite medir a atenção da plateia, mas apenas o seu foco.

“A atenção é algo complicado de se estimar, visto que um participante pode olhar para o orador ou para os conteúdos projetados durante toda a aula, o que indicaria estar atento, mas a sua mente pode estar a divagar noutros pensamentos”, observa Daniel Canedo.

No fim da aula o sistema produz gráficos para cada aluno que demonstram o seu foco ao longo do tempo. “Através da análise destes gráficos, o professor pode perceber em que parte da aula não conseguiu manter os alunos interessados e ajustar os seus métodos de ensino para o futuro”, refere Daniel Cardoso.

O investigador adianta que esses mesmos gráficos podem ajudar os alunos a perceber em que partes da aula estiveram mais distraídos e que matérias lecionadas terão de estudar mais.

Daniel Canedo assegura que este sistema, quando aplicado num contexto académico, “não tem como objetivo controlar os alunos”, mas antes ser uma ferramenta para melhorar a performance de alunos e professores.

No futuro, os investigadores do IEETA vão adicionar mais uma câmara ao sistema para captar o orador.

“Através do cálculo das diferentes poses e gestos que o orador faz durante a aula, acreditamos conseguir estimar a sua performance”, antevê Daniel Canedo.

Também num futuro próximo Daniel Canedo e António Neves tencionam aferir se o foco contribui para a atenção, realizando para isso um questionário no final das aulas para correlacionar os resultados do mesmo com as estimativas do foco para cada participante.

Este trabalho de investigação está a decorrer no âmbito do projeto CENTRO2020 “SOCA – Smart Open Campus”.