Olá, caro leitor! Hoje, assim como muitos outros estudantes, venho contar-te a minha história (como se tivesse muita sabedoria e experiência de vida – spoiler alert: não tenho) na esperança de que possa ser útil para alguém.

Para isso, comecemos pelo início. Mesmo antes do secundário, sempre tive um enorme interesse pela área da medicina legal e ciências forenses (e sim, eu sei que não é como nos CSI’s – estejam descansados), e portanto o meu sonho era realizar autópsias. No entanto, sabia que em Portugal era e é uma área pouco explorada e que para chegar lá teria de tirar medicina. Pois bem…na minha cabeça, eu nunca teria as capacidades de tirar notas assim tão elevadas, quanto mais tirar um curso desses.



Este foi o meu primeiro e maior erro: Não acreditar nos meus sonhos e nas minhas capacidades.

Cheguei ao secundário, e “por acaso” tirava boas notas, mas nunca com um objetivo em concreto. Até que no 12ºano, isso mudou. Meti na cabeça que ia mesmo tentar entrar. Mas apesar de ter uma boa média, os exames nacionais baixavam-na e já era tarde demais para fazer milagres…

Nesta altura, estava decidida a “parar” um ano para repetir os exames, tirar a carta e fazer voluntariado. Mas, quando apresentei esta hipótese aos meus pais, não concordaram. Disseram que eu ia desmotivar, e que depois, se não conseguisse, poderia desistir de ir para a faculdade, de todo. Apesar de ter batido o pé em várias discussões, decidi aceitar a vontade deles, porque para além de que iriam ser eles a pagar qualquer que fosse o meu curso, também percebia as suas preocupações.

Assim, começou uma nova aventura: decidir o meu próximo passo. Sabia que não tinha média para o que queria, que tinha de escolher outro curso e que esse seria o meu destino. Aqui, iniciou-se uma grande pesquisa com a ajuda dos meus amigos, da minha família e do Uniarea.

Não demorou muito até encontrar Biologia Humana na Universidade de Évora. Adorei o plano de estudos, mas sabia que o curso era mais virado para a área laboratorial e investigação (e sem ofensa, mas achava isso bastante aborrecido). No entanto, pensei para os meus botões:

“Assim poderia seguir a área forense no mestrado, mas seria em laboratório provavelmente… Huuum, não me parece tão interessante…Mas talvez investigação até seja interessante, ou então até posso seguir a área do ensino, antropologia ou indústria farmacêutica… E se depois ainda quiser, posso tentar concorrer a medicina nos concursos para licenciados!”

Bem, a escolha estava feita. Cheia de dúvidas e incertezas acerca do futuro, entrei e lá fui eu para os terrenos alentejanos. Estava decidida a empenhar-me no curso, a ter a melhor média possível para depois poder escolher o que bem entendesse, mesmo não sendo o que eu queria inicialmente…Porém, essa motivação depressa se desvaneceu. Não me via, de todo, a trabalhar num laboratório. E estar sem tudo o que conhecia e por minha conta foi complicado.

A praxe e a tradição académica ajudaram-me muito no que toca à solidão e às saudades de casa, mas continuava ansiosa e desmotivada com o curso. Mas mesmo assim, não consegui ir embora…Isso envolveria deixar tudo e todos os que conheci para trás, numa cidade que me acolheu de braços abertos. Portanto, aguentei até ao segundo semestre e aí decidi: “Estou aqui agora, adoro esta cidade e tudo o que ela me trouxe, e posso não gostar muito de trabalho laboratorial até agora, mas tenho cadeiras muito interessantes. Já que comecei, mais vale tirar o máximo desta experiência e dar o melhor de mim!”

Hoje em dia, mesmo sabendo que toda a motivação é efémera, olho para a minha situação duma maneira diferente. Não consegui ir para medicina porque, no fundo, não acreditei em mim cedo o suficiente. Não planeio voltar a fazê-lo.

Dizem que é com os erros que se aprende e que há males que vêm por bem. Estes “erros”/”males” podem não me ter levado aonde queria, mas trouxeram-me o melhor ano da minha vida, um ano em que aprendi muito sobre mim e sobre o que me rodeia. Nunca saberei como teria sido se tivesse, de facto, convencido os meus pais a ficar mais um ano. Talvez tivesse conseguido, talvez tivesse até crescido mais (duvido, mas quem sabe?) ou talvez tivesse ficado desmotivada e à beira da insanidade mental. Não sei, nunca saberei. Mas penso que isso simplesmente faz parte da vida, e que ela é feita de escolhas. Eu fiz a minha, e acho que tenho muito mais a ganhar se apenas me focar no presente e tentar preparar-me o melhor possível para o futuro, invés de questionar o passado.

Como muitos, não faço a menor ideia do que se segue nesta minha jornada, mas agora compreendo que tudo muda. O que queremos muda, as oportunidades e as nossas ideias mudam, e isso é normal e inevitável até. A única coisa que posso fazer é explorar as hipóteses que tenho e tentar tomar a melhor decisão possível.

Com tudo isto, espero ter ajudado alguém (ou pelo menos ter escrito algo minimamente decente que não seja uma perda do vosso tempo), quer seja para evitar que alguns cometam os mesmos erros que eu cometi; Ou para mostrar a outros que, mesmo quando as coisas não correm como idealizávamos, isso não tem de ser visto como algo mau, e portanto devemos tentar tirar o melhor de cada situação.

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.