À primeira vista poderia estar a falar de não-ciências: cartomancias e futurologias, tarôs e clichés parecidos. Mas falar-vos-ei de uma ciência – a ciência que pretende explicar o comportamento humano em todas as suas valências – sociais, clínica, em ambiente educacional ou organizacional. A ciência da mente e do Homem e da sua relação com o mundo. Ei-la: a Psicologia. O estudo da psiqué. Misteriosa, surpreendente e capaz de factos extraordinários! E por isso, não menos complexa é esta ciência-mito. Um mito partilhado pela sociedade, anos e anos, veiculado pelos meios de comunicação social, pelo silêncio dos governantes, pela inércia dos Serviços de Saúde e Educação. E sobretudo, pela falta de informação.

Eis a contradição: Psicologia é um dos cursos com mais formandos nas universidades portuguesas com batalhas gigantescas a travar: O desemprego. Aquele monstro que nos assombra ao fim dos 5 anos. A ciência-mito. Caros estudantes, ainda hoje é esta uma dura batalha por travar: A psicologia ser reconhecida socialmente como ciência. O reconhecimento da psicologia, dos seus profissionais e das suas intervenções. E acima de tudo, a criação de uma consciência social acerca da importância da saúde mental e do bem-estar pessoal. A consciência de que todos nós, algum momento da nossa vida, poderemos precisar de ajuda psicológica. A ciência psicológica tem um longo caminho a percorrer, neste sentido. Todos poderemos precisar de ajuda psicológica, como poderemos precisar de fazer exames físicos, segundo o modelo biomédico.



É ainda bastante raro debatermo-nos com fóruns e debates acerca da saúde mental em Portugal. E por isso lhe chamo uma profissão silenciosa, sempre com esperança de um futuro melhor. De pequenas grandes mudanças num futuro próximo.

A psicologia é não só uma ciência de profundo respeito e admiração pelo próximo, quer por acreditar veemente que todos temos as nossas capacidades para vencer adversidades, mostrando ao próximo capacidades em que ele não acreditava, quer por alvejar um futuro tão positivo quanto possível, quer passe por intervenções passionais ou continuadas.

Um desafio constante no âmago das relações interpessoais: a criação de uma empatia com o outro, capaz de o tornar confortável para muito mais que uma simples conversa.

O futuro precisa de profissionais de psicologia e acima de tudo do reconhecimento das suas intervenções. A saúde mental não pode ser mais descartada.

Não há saúde física sem bem-estar psicológico.

A psicologia pode mudar vidas. Acreditem. É isto que me faz acreditar todos os dias. E todos os dias orgulhar-me cada vez mais deste caminho que escolhi. Pode mudar vidas dos que nos procuram, como também nos fazer ganhar: em experiência, sensibilidade e respeito pelo outro.

Juntos somos mais fortes, já diz a canção. E juntos conseguiremos dar a tão esperada credibilidade que esta profissão necessita, juntos conseguiremos mudar mentalidades e tornar cada ser numa pessoa melhor.

Caro estudante, do que estás à espera para escolher? A psicologia é muito mais do que tentei explicar em tão poucas linhas. Vem descobrir.”

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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