Este título, à primeira vista, pode parecer um mundo perfeito para um rapaz na faculdade. Contudo, é demasiado falacioso e, embora não sendo mau, também se encontra longe da utopia masculina. Mas deixem-me contextualizar…

Sou um aluno em mestrado de Neuropsicologia, em que fiz, igualmente, licenciatura em Psicologia. Como devem imaginar, a percentagem ou rácio de pessoas do sexo masculino e feminino em psicologia é bastante discrepante, inversamente proporcional ao mesmo rácio, mas em engenharias, por exemplo. Como tal, na licenciatura, éramos apenas 5 rapazes para umas 25(?) raparigas, sendo que, a probabilidade de ficar num grupo de trabalho só com outras raparigas é elevada. À priori até pode parecer interessante e podemos ter uma atitude de “fogo, isto vai ser fenomenal e vou conhecer muitas raparigas e vou-me sentir o maior”, porém a realidade é outra, em que muitas vezes têm namorado e, trabalhos de grupo, sem querer entrar em estereótipos, porque obviamente não constituem uma verdade absoluta, a probabilidade de conflitos, discussões por coisas mínimas e falta de pragmatismo podem vir a constituir um problema. Claro que em grupos de rapazes também poderia a se verificar o mesmo, mas, baseado na minha experiência, foi isto que presenciei. No decorrer da licenciatura apenas convivia com um rapaz próximo a mim, e imensas raparigas, sendo que eu e ele tínhamos a mesma opinião, “queríamos conhecer raparigas, mas não era o mundo que esperávamos”.



No decorrer do mestrado, incrivelmente, a discrepância aumentou e era o único rapaz na turma com 19(?) raparigas, sendo alvo de certas piadas, de professores inclusive, ou no jantar de turma de final de ano, onde era o único rapaz numa mesa enorme com 16 raparigas. Obviamente encarei com uma atitude positiva, mas confesso que, não ter nenhum rapaz na turma, também consegue ser algo tormentoso. Considerando que, quer na minha turma, quer em psicologia no geral, há um grande número de pessoas introvertidas, sempre gostei de ser o elemento engraçado na turma, adoro a vida académica e das praxes; e, embora tendo sempre boas notas e boa média de licenciatura, acabo por ser um bocado alvo de discriminação, na medida em que as professoras encaram a minha atitude como a de um rapaz “baldas” e mau aluno. Sinto que, e em especial no mestrado, não há uma sensibilidade para saber distinguir o facto de um bom aluno, também poder ser engraçado, extrovertido e não precisar de “marrar” 24/7 para ter boas notas. Sinto que, por não aparentar, e gostaria de realçar o aparentar, um ar de “marrão” ou pessoa meticulosa, não sou levado a sério mesmo apresentando boas notas. Contextualizando, num mestrado só de raparigas e apenas um professor do sexo masculino.

Com isto, apenas pretendo dar a conhecer a minha história académica, e o outro lado da história: a de um rapaz rodeado, literalmente, de raparigas no seu percurso académico, tanto no bom como no mau. Considerando que, estar num curso de muitos rapazes também não deve ser agradável, o oposto também se verifica; na perspetiva de rapaz claro está.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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