“No final do curso, tendo em conta a realidade económica em que Portugal se encontrava, viver e trabalhar noutro país foi um pensamento que surgiu na minha cabeça e também na de todos os meus colegas”, afirma o licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Nova de Lisboa (UNL) e pós-graduado em Energias Renováveis pela TÜV Rheinland. De regresso a Portugal mas com Moçambique no coração, país que foi o seu lar durante seis anos, Pedro Lagartixo explicita que “com crise ou sem crise”, candidatar-se ao programa INOV Contacto foi “a melhor decisão” que tomou.

Atualmente, com uma das taxas médias de crescimento económico anual mais elevadas do mundo, mas também os piores PIB per capita, índice de desenvolvimento humano (IDH), desigualdade de renda e expectativa de vida, é relevante lembrar que Moçambique se tornou independente apenas em 1975. Trinta e cinco anos depois, Pedro mudou-se para Maputo na esperança de “ter uma experiência de trabalho internacional e fugir à crise que existia em Portugal”.

Pedro Lagartixo na Namíbia / Fotografia gentilmente cedida pelo entrevistado

O jovem então recém-licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da UNL, iniciou o seu percurso além-fronteiras na OBRECOL (Obras e Construções S. A.), construtora que se dedica às obras públicas e à construção civil. O engenheiro acredita que o Mestrado Integrado que frequentou possui “um nível de exigência elevado e permite aos alunos desenvolver um nível de capacidade de trabalho, raciocínio e responsabilidade que posteriormente os capacita a superar as dificuldades e desafios que acabam por encontrar durante o percurso profissional”.

Contudo, a componente teórica muito superior à prática, intitulada por Pedro como “um dilema transversal à maioria dos cursos de Engenharia Civil em Portugal”, levou-o a pretender chegar mais longe. Tendo conhecimento do programa INOV Contacto através de amigos que já haviam participado no mesmo em anos anteriores que o aconselharam “vivamente” a candidatar-se, uniu o útil ao agradável: a elevada percentagem de desemprego existente em 2010 e a necessidade de colocar as competências adquiridas no Ensino Superior em prática conduziram Pedro até uma experiência que promoveu o seu crescimento “profissional e pessoal”.

Já passou pela OBRECOL, pela CONSULGAL (Consultores de Engenharia e Gestão) e, hoje, encontra-se na SGS (Société Générale de Surveillance). No entanto, também trabalhou para a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). Quando questionado sobre a experiência profissional que o marcou mais, não hesita: “Sem dúvida que foi o meu período na CONSULGAL, em Moçambique. Durante este período estive envolvido em variados tipos de projetos, com empresas e pessoas de diferentes nacionalidades, o que sem dúvida foi relevante”.

Alguns dos projectos em que Pedro esteve envolvido / Fotografias gentilmente cedida pelo entrevistado.

 

“O facto de ter trabalhado num país em desenvolvimento e, na generalidade, ser mais capacitado que os técnicos locais, permitiu-me ter uma progressão profissional vertical”, constata Pedro, realizando um antagonismo entre Portugal e Moçambique, referindo que em território lusitano “a progressão acaba por resultar, na maioria dos casos, numa mudança de emprego”. Em seis anos, Pedro Lagartixo ascendeu de estagiário INOV Contacto a responsável da CONSULGAL no seu país de acolhimento.

“Penso que o maior desafio pelo qual passei foi estar cerca de dois anos num projeto de construção de uma estrada no interior de Moçambique, onde vivi num estaleiro localizado no interior “inóspito” do país e, por isso, a minha vida social acabou por não existir e os meus únicos amigos eram os meus colegas de trabalho”, relata Pedro, esclarecendo que apesar das adversidades, contar com o apoio de “INOV’s de anos anteriores” foi muito benéfico e contribuiu para a sua adaptação, na medida em que lhe deram “todo o tipo de conselhos”. Referindo a habitual saudade transversal que os emigrantes nutrem pela família e os amigos, admite que na sua opinião, “o maior desafio acaba sempre por estar relacionado com o país para onde se emigra”.

Sobre a mensagem que deseja transmitir aos e às jovens que procuram uma experiência profissional internacional, Pedro é claro: “Se tiverem a oportunidade, não hesitem, go for it! E, se possível, façam-no pelo INOV Contacto, que é sem dúvida uma das melhores e mais fáceis alternativas para iniciar uma carreira noutro país!”.

 

Os números do INOV Contacto

Candidaturas e vagas disponíveis por edição: quantos candidatos foram integrados?

No ano de 1997, correspondente à primeira edição do programa, existiram 1900 candidaturas e foram integrados 99 candidatos – ou seja, a taxa de recrutamento situava-se nos 5,2%. Volvidos doze anos, foram integrados 577 de 2785 candidatos, tendo sido esta a taxa de recrutamento mais elevada registada desde o primeiro ano do programa – 20,7%. No ano passado, a edição C22 do INOV Contacto contou com 262 integrações em 1627 candidaturas (taxa de recrutamento de 16,1%).

Em 20 anos, 5343 jovens tiveram a oportunidade de alargar os seus horizontes e estagiar entre 6 e 9 meses no estrangeiro.

 

Quais são as principais áreas de formação dos estagiários?

O programa aceita todas as áreas de formação académica, ainda assim, as principais áreas de formação dos estagiários são: Gestão (41%), Ciências Sociais e Serviços (21%), Engenharias (21%), Ciências e Tecnologias (10%) e Artes e Multimédia (7%).

 

Quais são as entidades que empregam mais ex-estagiários?

No topo desta lista encontram-se o Grupo Sonae, o BNP Paribas, o Grupo EDP, o Grupo Bosch, a Altran, a AICEP Portugal Global, a Cisco Systems, a NOS, a Novabase e a Farfetch.

 

Quais são os principais países de destino dos estagiários?

 

Qual era a situação laboral dos ex-estagiários em 2017?

Ainda que a informação profissional de 19% dos “contacto’s” (participantes no programa INOV Contacto) não tivesse sido obtida, 81% encontravam-se distribuídos pelas mais variadas atividades: 3354 estavam empregados, 153 estavam desempregados, 141 eram empreendedores ou sócios-gerentes, 73 trabalhavam por contra-própria ou eram freelancers, 59 estudavam, 56 eram investigadores, 27 estavam a estagiar, 7 eram voluntários e 2 estavam inativos por opção própria.

 

Convencido? Podes encontrar aqui o testemunho da Inês, que publicámos anteriormente, bem como o da Raquel, que também passaram pelo programa. As candidaturas já estão abertas e podes concorrer até às 16h do dia 4 de outubro 15h do dia 15 de outubro (novo prazo): http://www.portugalglobal.pt/PT/InovContacto/Paginas/InovContactoHomepage.aspx

 

Artigo elaborado em parceria com: